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ECONOMIA Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017, 10:07 - A | A

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EM MATO GROSSO

Presidente do BNDES quer ferrovias em MT e diz ser preciso parar de falar e fazer

Ao custo de R$ 12,7 bilhões, projeto da Ferrogrão prevê o escoamento de 42 milhões de toneladas

Carlos Palmeira
Enviado especial a Nova Mutum

Gilberto Leite/Rdnews

Paulo Rabello bndes

Presidente do BNDES Paulo Rabello durante o  Fórum em Nova Mutum

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Paulo Rabello de Castro defendeu, nessa quinta (23), de maneira enérgica, os projetos das ferrovias em Mato Grosso. Ele afirmou que é preciso menos conversa e mais ações para avançar na construção da Ferrogrão e a extensão da Vicente Vuolo de Rondonópolis até Cuiabá.

“Se dizem mais palavras do que se colocam dormentes (travessas das linhas férreas) na construção de ferrovias. E estamos reunidos aqui para empurrar uma obra que já deveria estar pronta há muito tempo. Eu vim aqui para calar essas palavras e falar o trabalho que precisa ser implementado”, argumentou sob aplausos de uma plateia de cerca de 200 pessoas.

A fala aconteceu durante o Fórum Ferrovias e Integração dos Modais, realizado em Nova Mutum (a 269 km de Cuiabá). O evento reuniu políticos, como o governador Pedro Taques (PSDB) e prefeitos da região, produtores, dirigentes do agronegócio, empresários e especialistas do setor de ferrovias e logística.

Durante seu discurso, Paulo comentou que o BNDES está preparado para discutir ações que façam os projetos saírem do papel e que pela sua percepção ainda faltam algumas contas de tráfego de mercadorias e pessoas, mas que de maneira geral tudo está muito bem encaminhado.

O anfitrião do evento, o prefeito de Nova Mutum, Adriano Pivetta (PDT), citou o potencial do município, que é o segundo maior produtor de grãos de Mato Grosso, e defendeu a passagem dos trilhos pela cidade. Ele afirmou que Nova Mutum está no ponto mais estratégico de Mato Grosso e que por isso tem “certeza que a região estará inserida nos trilhos da ferrovia, porque ela já está inserida nos trilhos do progresso”.

Marcos Lutz, presidente do Conselho de Administração da Rumo Logística, empresa que atua no ramo de ferrovias, disse que como investidor tem sentido uma notória melhoria na condução dos governos no tema logística e que essa confiança é importante para dar garantia aos empreendedores. “Ninguém é contra fazer uma ferrovia cruzando Mato Grosso. Quem é contra? Ache uma pessoa que é contra. Mas no final da história, para as partes se organizarem é um trabalho incrível.”

O governador Pedro Taques, que sabidamente defende a movimentação de produtos com os modais, pontuou que está atuando para que os trilhos cruzem o Estado de leste a oeste. Ele ainda afirmou que apesar de não saber de detalhes do tema já "que não é técnico", acredita que as instalações são preponderantes para o desenvolvimento econômico e social de Mato Grosso.

Gilberto Leite/Rdnews

F�rum Ferrovias e Integra��o dos Modais, Nova Mutum, bndes, Paulo Rabello

Malha Paulista conecta Santos à regiões produtivas do país. Hoje sai de Rondonópolis para seguir para o porto em São Paulo, mas precisa ser ampliada

Ferrovias

O projeto da Ferrogrão prevê uma capacidade de escoamento de 42 milhões de tonelada, sendo que o custo total deve ser de R$ 12,7 bilhões. As linhas férreas estão projetadas para sair de Sinop e chegar até Miritituba (PA), em um trecho que alcança 1,1 mil km.

A Ferrogrão está em consulta pública desde 30 de outubro, sendo que um empreendimento chinês, a estatal China Communication Construction Company (CCCC), já demonstrou interesse no negócio. A empresa deve visitar Mato Grosso ainda nesse ano para verificar in loco o projeto.

No caso da Ferrovia Vicente Vuolo, única que já tem instalações em Mato Grosso, está acontecendo um debate para aumentar seu alcance. As negociações são para que os trilhos do modal – cujos terminais entre Alto Taquari e Rondonópolis chegam a pouco mais de 300 km – se estendam por mais 600 km e cheguem até Cuiabá.

O objetivo dos coordenadores da Ferrovia Vicente Vuolo é assinar ainda este ano a extensão do modal para a empresa Rumo – antiga Concessionária América Latina Logística Malha Paulista (ALL) -, companhia responsável por complexos viários no país.

Essa expansão, porém, depende da prorrogação do prazo de administração da Malha Paulista, também coordenada pela Rumo. O empreendimento solicitou a prorrogação do prazo dessa concessão naquele Estado, que encerra em uma década, por mais 30 anos (de 2028 a 2058), já que só assim terá retorno nos cerca de R$ 5 bilhões que serão investidos na Vicente Vuolo e nos trilhos paulistas.

Hoje, já existem terminais ferroviários em Alto Taquari, Alto Araguaia, Itiquira e Rondonópolis. Todos interligados ao porto de Santos (SP), e geridos pela Rumo. O último a ser inaugurado foi de Rondonópolis e agora tenta se viabilizar trecho até Cuiabá e Lucas do Rio Verde. 

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Álbum de fotos

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Os principais investimentos feitos pela concessionária Rumo foram a troca de material rodante, revitalização da via férrea e construção de pátios

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A Rumo também fez duplicação do trecho Campinas - Santos e adequações no terminal de Rondonópolis

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Houve ainda a revitalização do Porto de Santos (SP), para onde a produção segue ao sair de MT

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A previsão é que a importação de fertilizantes por meio do porto de Santos aumente e em 2020 chegue a 2,1 milhões de toneladas

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O reequilíbrio da dívida tem R$ 3,5 bilhões de enquadramento do BNDES

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Entre 2015 e 2017 houve aumento da produção que passou de 29,8 bilhões de toneladas para 35 bilhões de toneladas

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Obras realizadas permitiram a redução do tempo de viagem entre Rondonópolis e Santos

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Os ganhos com a nova malha paulista chegou a expansão de 150% da capacidade

Gilberto Leite/Rdnews

Entre os benefícios econômicos e sociais estão a redução de emissões, de acidentes nas estradas e migração de carga

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