Uma pesquisa aponta que 14% das propriedades rurais em Mato Grosso ainda não possuem nenhum tipo de conexão com a internet. Apesar da conectividade chegar na maioria das propriedades, ela está apenas na sede em 75% dos casos e alcança toda a propriedade em menos de 10% dos casos, o que representa um problema para a produtividade e eficiência da prática agrícola nas fazendas.
A análise é apresentada no estudo realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT). Segundo a pesquisa, em Mato Grosso, dentre as propriedades que possuem internet, a maioria, 75,3%, possui conexão apenas na sede, enquanto somente 9,9% têm cobertura de sinal em toda a área da propriedade. Em 5,3% dos casos há conexão em mais da metade da área e em 9,3% o sinal chega em metade da propriedade.
““É um desafio, já que cada vez mais eu tenho essa necessidade de conexão pelas máquinas. As tecnologias têm se adaptado para atender essa demanda, mas, como mostrou a pesquisa, atualmente, a maior parte dos produtores tem apenas conexão na sede, o que limita a expansão”
Relata o superintendente do Imea, Cleiton GauerConforme explica o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, em um mundo cada vez mais digital, o acesso à internet e às tecnologias é necessário para impulsionar a eficiência, a produtividade e a sustentabilidade nas atividades rurais.
A conectividade permite que os produtores rurais tenham acesso a informações em tempo real sobre condições climáticas, previsões meteorológicas, informações sobre o mercado e práticas agrícolas mais recentes. Além disso, a conectividade promove a adoção de tecnologias avançadas, como máquinas agrícolas conectadas à internet, drones para monitoramento de lavouras, bem como a aplicação de chips em bovinos para rastreabilidade, entre diversas outras.
“É um desafio, já que cada vez mais eu tenho essa necessidade de conexão pelas máquinas. As tecnologias têm se adaptado para atender essa demanda, mas, como mostrou a pesquisa, atualmente, a maior parte dos produtores tem apenas conexão na sede, o que limita a expansão em operação de sistemas e gerenciamento e acaba sendo um fator limitante para o desenvolvimento da tecnologia no campo”, afirma.
Rodinei Crescêncio
Cleiton Gauer, superintendente do Imea, diz que a utilização tecnológicas como o drone, por exemplo, traz a demanda de profissionais de alta precisão
Segundo o gerente, existem regiões em que essa dificuldade é maior, principalmente pela logística e distância, fazendo com que quando mais longe e mais interiorana a região, maior dificuldade de conectividade, chegada das tecnologias e também de mão de obra qualificada.
Uso das tecnologias
O perfil do homem do campo que foi traçado na pesquisa aponta que 42,8% dos produtores rurais mato-grossenses têm ensino superior e que a idade média do produtor é de 51 anos, com mais de 20 anos de dedicação à atividade agropecuária. O perfil é mais jovem que em algumas regiões e a cada ano está se tornando mais novo, o que também impacta no uso das tecnologias.
O estudo constatou que 57,1% dos produtores rurais utilizam computador ou notebook na propriedade e 69% usam smartphone. No que se refere ao uso de telemetria, agricultura inteligente ou inteligência artificial na propriedade, 23% dos produtores relatam utilizar tais tecnologias, com a maioria destes sendo agricultores. Em média, as propriedades rurais empregam essas tecnologias na propriedade há cinco anos.
Foi identificado também o uso de drone em quase 20% das propriedades, em grande parte pelos agricultores. A média de tempo que as propriedades possuem essa tecnologia é de aproximadamente quatro anos.
“Isso também acaba aumentando a demanda maior por outras profissões que até então não existiam, por exemplo, o técnico de agricultura de precisão é um perfil de mão de obra que não aparecia muito nos nossos levantamentos e agora surge como relevante, representando quase 5% do recorte. Os produtores estão cada vez mais utilizando telemetria, as máquinas cada vez mais conectadas, o centro de controle dentro da propriedade, o uso de drones para pulverização e mapeamento, mas tudo isso precisa de conectividade, e é um desafio que ainda vamos continuar enfrentando”, afirma Cleiton.
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