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Eleições 2026 Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, 16:11 - A | A

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ORDEM DO SUPREMO

Advogado vê fragilidade em justificativa para reter passaportes de Flávio Bolsonaro

Hélio Ramos questiona fundamentação da medida, mas pondera que investigação pode reunir outros elementos sob sigilo

Gláucio Nogueira

O advogado especialista em Direito Eleitoral e Constitucional Hélio Ramos questionou a fundamentação da decisão que determinou a entrega dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Em entrevista ao RDTV Cast, ele avaliou que uma eventual orientação do irmão do parlamentar, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, para que deixasse o país em caso de derrota seria, isoladamente, um elemento frágil para justificar a medida.

A declaração ocorre em meio à repercussão da viagem de Flávio aos Estados Unidos. O senador chegou a Miami nesta quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil na noite anterior, passando pela Argentina e pelo Equador. A viagem ocorreu após o parlamentar ser intimado a entregar os documentos à Polícia Federal (PF) e impedido, por determinação judicial, de deixar o país.

Rodinei Crescêncio / Rdnews

Advogado Hélio Ramos

Ao comentar a intimação, Ramos afirmou ter consultado o documento disponibilizado no site do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o texto determinava a entrega dos passaportes comum e diplomático, mas não apresentava, no próprio documento, as razões detalhadas que fundamentavam a ordem.

Para Ramos, a falta de explicações detalhadas na intimação levanta dúvidas sobre os fundamentos da medida, embora não permita concluir que a decisão esteja desprovida de justificativa. “Se for só a informação que o irmão do senador Flávio, três dias antes da eleição, falou: ‘se você perder, venha para cá’, se foi isso, é muito frágil”, afirmou.

Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, havia defendido que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a disputa presidencial e passasse a organizar a oposição a partir do exterior.

Na avaliação de Ramos, a Polícia Federal pode ter reunido outras informações que ainda não são públicas. Ele ponderou, entretanto, que não seria possível classificar a gravidade desses eventuais elementos sem conhecer o conteúdo da investigação.

“Eu acredito que deve ter. Se é grave ou não, aí a gente já não pode falar, mas mais coisa tem”, disse o advogado, ao considerar a possibilidade de existirem outros elementos além da declaração atribuída a Eduardo. O caso tramita sob sigilo, o que limita o acesso público aos fundamentos e às informações que embasaram a atuação das autoridades.

 
 
 
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