O Instituto MT Dados aposta em um modelo híbrido de pesquisa — que combina entrevistas presenciais e recrutamento aleatório pelas redes sociais — para ampliar a capacidade de captar a intenção de voto do eleitor de Mato Grosso. A mudança ocorre após o desempenho das pesquisas na eleição de 2024, quando o instituto e outros levantamentos não captaram a formação do segundo turno em Cuiabá entre Lúdio Cabral (PT) e Abilio Brunini (PL), que acabou eleito. À época, pesquisas apontavam Eduardo Botelho (UB) como favorito, mas ele não avançou para a segunda etapa.
“O Instituto MT Dados foi constituído em 2009 e foi a primeira vez que a gente teve um erro tão grande, tão discrepante, uma coisa que nos deixou até preocupados e fomos atrás para buscar melhorar essa metodologia e buscar um entendimento do que erramos”, afirma o CEO do instituto, Gonçalo de Barros, em entrevista ao
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A estratégia em 2026 é busca ampliar o acesso a segmentos do eleitorado que, segundo Gonçalo, podem ficar sub-representados em pesquisas realizadas exclusivamente pelo modelo presencial, o chamado face to face.
Para o CEO, o resultado de 2024 não deve ser atribuído a uma suposta mudança de comportamento do eleitor ou à ideia de que o entrevistado teria “mentido” para os institutos. Na avaliação dele, foi necessário reconhecer as limitações do modelo tradicional e buscar formas de superar obstáculos para acessar alguns grupos de eleitores, como servidores públicos e pessoas de classe média e alta que moram em condomínios fechados.
Gonçalo frisa que o impacto no resultado pode ser significativo e, para exemplificar, afirma que, no caso de Cuiabá, cerca de 25% do eleitorado é formado por servidores.
“Esse eleitor, durante o dia das entrevistas no campo, ou ele está na repartição dele, trabalhando, ou ele está no carro, no trajeto. É muito difícil você entrevistar na casa, ou no campo, ou na rua, o servidor público”, pondera.
Segundo ele, a dificuldade também se estende a condomínios, mercados e outros locais onde antes era possível realizar entrevistas e que hoje oferecem restrições de acesso.
Na avaliação de Gonçalo, a dificuldade de acessar esses segmentos contribuiu para que o instituto não captasse a mudança de cenário registrada na reta final da eleição de 2024. Ele cita como exemplo a AtlasIntel, que utiliza pesquisas pelas redes sociais e, segundo ele, conseguiu captar a mudança de humor do eleitor naquele momento.
Modelo híbrido
A partir da análise do resultado, o MT Dados passou a combinar as entrevistas presenciais com o recrutamento aleatório pelas redes sociais, em parceria com a Meta.
“O que que a gente fez? Nós ampliamos nosso campo presencial, são 1.540 entrevistas. A gente está fazendo também o recrutamento aleatório por redes sociais, que a gente tem um contrato com a Meta e a Meta disponibiliza, e a gente coloca na nossa plataforma e vai recebendo os votos através de redes sociais”, detalha.
Gonçalo ressalta, porém, que os dados obtidos pelas redes sociais não podem ser incorporados diretamente ao resultado, já que o perfil dos usuários não corresponde automaticamente à composição do eleitorado. Por isso, o instituto aplica uma ponderação para ajustar variáveis como sexo, renda e escolaridade.
A metodologia também exige cuidados para evitar recrutamento direcionado. “As entrevistas são através de recrutamento aleatório, não pode ser disparo direcionado”, explica.
Com a combinação dos dois modelos e os ajustes estatísticos, o levantamento atual do MT Dados chega a 3.080 entrevistas.
O instituto já realizou quatro rodadas de pesquisas com o novo modelo, que, segundo Gonçalo, passaram pelo escrutínio da Justiça Eleitoral. Ele afirma que o procedimento foi analisado e que o instituto demonstrou a segurança científica da metodologia. No último levantamento, ao governo, instituto aponta liderança do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) com 34% das intenções de voto. O senador Wellington Fagundes (PL) aparece em 2º com 26% e médica Natasha Slhessarenko (PSD) em terceiro lugar, com 14% - veja detalhes
O resultado da eleição de 4 de outubro será, segundo o CEO, o principal teste do novo modelo. Para Gonçalo, o objetivo não é afirmar que a nova metodologia eliminará os erros, mas ampliar a capacidade de captar diferentes segmentos do eleitorado.
“A nossa grande meta é mostrar que, desenvolvendo essa metodologia, nós vamos ter condições de caminhar um pouco mais próximo da realidade do que pensa o eleitor”, finaliza.
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