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Eleições 2026 Sábado, 17 de Outubro de 2026, 14:38 - A | A

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MILITÂNCIA NAS RUAS

Lúdio vê virada de Lula no 2º turno e diz que trabalhador pode se arrepender de votar em Flávio

Deputado atribui resultado do primeiro turno ao endividamento das famílias e afirma que campanha petista tenta reconquistar eleitores insatisfeitos com a situação econômica

Gláucio Nogueira e Patrícia Sanches

O deputado estadual reeleito, Lúdio Cabral (PT), avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem condições de reverter a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. Em entrevista ao , o parlamentar afirmou que o cenário do segundo turno já aponta para uma virada e atribuiu a mudança à tentativa de Lula de reconquistar parte do eleitorado que, apesar das entregas do governo, ainda enfrenta dificuldades financeiras.

“O cenário hoje é um cenário de virada”, declarou Lúdio, ao comentar as pesquisas eleitorais. Segundo ele, levantamentos divulgados na semana anterior apontavam Flávio entre cinco e seis pontos percentuais à frente, enquanto pesquisas mais recentes indicariam uma diferença de apenas um ponto.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

lúdio cabral deputado estadual

Lúdio Cabral foi o segundo mais votado entre os candidatos eleitos a deputado estadual

Na avaliação do petista, o desempenho de Lula no primeiro turno não pode ser explicado apenas pela avaliação das políticas públicas do governo federal. Ele reconhece que uma parcela dos trabalhadores continua insatisfeita com a própria condição financeira, mesmo diante de indicadores econômicos positivos e de investimentos realizados pela atual gestão.

Lúdio cita o endividamento das famílias, os juros elevados e as dificuldades enfrentadas por trabalhadores submetidos à escala 6x1 e por profissionais de aplicativos, que precisam arcar com despesas como aluguel de veículos e combustível. “Essa percepção fez com que uma parcela da população brasileira pensasse: 'melhorou, mas ainda está ruim, então vou votar no outro candidato'. Então foi isso que aconteceu”, disse.

Para o deputado, a estratégia petista no segundo turno deve ser justamente se aproximar desse eleitorado, em vez de concentrar esforços na tentativa de convencer os apoiadores mais fiéis do bolsonarismo. O objetivo, segundo ele, é mostrar que a continuidade do governo Lula seria uma alternativa para enfrentar os problemas que ainda atingem a população.

“Não se trata de convencer aquele eleitor bolsonarista radicalizado. Se trata de convencer aquela parcela da população trabalhadora que, mesmo com os avanços dos governos do Lula, ainda vive em dificuldade”, pontuou.

Entregas

“Que projeto do Flávio Bolsonaro beneficiou a população brasileira em oito anos como senador? Nenhum, nenhum”

Lúdio sustenta que Lula chega à etapa final da disputa com um histórico de realizações que, na avaliação dele, contrasta com a trajetória política de Flávio Bolsonaro. O parlamentar citou investimentos em habitação, infraestrutura e saúde em Mato Grosso para defender que o presidente manteve uma relação de parceria com governos estaduais e municipais, independentemente de alinhamentos partidários.

Como exemplo, mencionou o programa Minha Casa, Minha Vida, a transferência da concessão da BR-163 para o Governo de Mato Grosso e os recursos destinados à duplicação da rodovia. Também citou investimentos na saúde estadual, a construção de maternidades e a distribuição de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O deputado questionou ainda quais projetos de Flávio Bolsonaro teriam produzido benefícios concretos para a população durante os oito anos em que o senador ocupou uma cadeira no Senado. “Que projeto do Flávio Bolsonaro beneficiou a população brasileira em oito anos como senador? Nenhum, nenhum”, afirmou.

Cortes

O petista também criticou propostas de redução de gastos públicos que, segundo ele, estariam sendo discutidas pelo grupo adversário. Lúdio mencionou um possível corte de R$ 250 bilhões no orçamento federal, que classificou como “tesouraço”, revelado após o resultado em primeiro turno, e afirmou que medidas desse tipo poderiam atingir benefícios sociais e políticas públicas.

Entre os programas que, na avaliação dele, correriam riscos, estão o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação, o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia.

“Eles ganharam a eleição no primeiro turno, acharam que já subiram em cima do salto, já começaram a distribuir ministério. E aí eles foram se revelando, foram mostrando as garras deles. Dependendo do voto no segundo turno, isso pode piorar. Então vamos reeleger o Lula, o Alckmin, que já têm experiência, que sabem como governar, para a gente resolver os problemas que o Brasil ainda tem”, concluiu.

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