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ENTREVISTA ESPECIAL Sábado, 18 de Fevereiro de 2023, 06:55 - A | A

Sábado, 18 de Fevereiro de 2023, 06h:55 - A | A

Bloco Turma da Laje nasce de grupo de amigos e promove Carnaval para a família

Empresários conta história de bloco que agita a folia cuiabana e falam do amor pelo Carnaval

Bárbara Sá e Willian Ramos

Rodinei Crescêncio

entrevista bloco da laje

Com a tradicional Bateria Show, o Bloco Turma da Laje retorna na Capital após “pausa forçada” por dois anos devido a pandemia da covid-19. Grupo nasceu da reunião de amigos e trouxe novamente para a Capital o gostinho dos carnavais de rua da Bahia. Neste ano, o bloco promete reunir mais de 700 foliões de todas as idades neste sábado de carnaval (18). Bloco surgiu em 2017 através de amigos há mais de quatro décadas. Um dos integrantes tinha um apartamento com uma varanda grande e o local servia como ponto de encontro deles. O trio conta que se encontravam sempre, seja para fazer um esquenta antes de festas, shows ou então para bater papo, sempre na Laje. “Quando montamos um grupo no WhatsApp, uma integrante colocou o nome de Turma da Laje”, lembra o trio de empresários. Eles contam que o primeiro Carnaval foi organizado em apenas 30 dias, com a participação de 300 pessoas. Bloco curtiu a folia em 2018, 2019 e 2020 e retoma festa neste ano com concentração no Talavera Bar e Restaurante, às 14h, com Banda do Luka.

Veja, abaixo, os principais trechos

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Quando o bloco foi criado? Pode contar um pouco da história?

Ali tem amigos de colégio, de quinta série, então, a nossa a média de idade está de 45 anos para cima. Tem gente que estudou no colégio desde pequeno com o outro, somos amigos do São Gonçalo. Teve uma época que a gente sempre gostou de jogar futebol, tinha um campeonato que um colunista, que era amigo de todo mundo, organizava e a gente montou um time e começou a participar dos campeonatos. E, um dia, a gente falou: 'a gente tem que ter um campinho nosso'. Aí a mãe de um amigo cedeu um terreno e a gente conseguiu um campinho e aí durou uns 10 anos, 15 anos juntos. Daí, um começou a namorar e o outro também e todo mundo casou e a gente sempre tava junto. E ai a gente começou a se reunir na casa de um dos integrantes que tinha uma sacada grande. A gente ia sexta, sábado e conversava de madrugada. A turma ficou muito amiga, viajava junto. No começo, era um grupo de amigos homens, mas extrapolou e ficou um grupo de amigos/família. E um dia, nessas conversas, lá na minha casa mesmo,  eu brincava e falava : ‘vem aqui na laje, vem aqui na laje, porque eu não tomo uma cerveja na laje, vamos tomar uma cerveja na laje, na laje'. Aí um dia a gente colocou só Turma da Laje num nome de um grupo de WhatsApp. E foi envolvendo novos amigos, sempre muitos animados, umas 35 pessoas.

O que se pode esperar do bloco da laje neste sábado?

Primeiro que o local, onde é a nossa concentração, é um restaurante e tem toda uma estrutura. Tem lugar pra sentar, tem ar-condicionado, tem muita segurança, tem espaço kid, tem ar condicionado e uma praça de alimentação.  Porque antigamente o pessoal só ia atrás do caminhão e tomando. Hoje o pessoal pode sentar, pode se alimentar. Na verdade, ele (bloco) é quase três festas em uma porque, antes do bloco sair ás 16h30, às duas horas o restaurante já vai estar aberto, já vai ter refeição para quem quiser ir lá comer, já vai ter uma banda tocando, já tem animação, já é uma festa. Às 16h30 o nosso bloco está previsto a saída. Ali tem segurança, tem a bebida, tem a polícia e o caminhão de bebida acompanha. Esse ano nós contratamos um trenzinho, como uma carreta furacão. Então, se você não quer ir andando, dá para você subir ali e vai acompanhando tudo. Vamos sair com toda a estrutura, vamos sair do Talavera e vamos até o Choppão. A gente só vai passar e, quando a gente voltar, uma nova banda já vai tá esperando o bloco e festa continua até a gente aguentar. Terá monitoras para cuidar das crianças.

Rodinei Crescêncio

Bloco da Laje

O bloco se destaca por ser inclusivo e principalmente por ser para todas as idades, como atender todos esses públicos?

São essas atrações que a gente coloca tudo dentro do pacote. As monitoras, que atendem as crianças e os pais das crianças que querem ficar curtindo. Têm um espaço kids destinado só para eles. As crianças vão ser identificadas na pulseira, que vai conter o nome dos responsáveis. No restaurante tem uma parte externa que vai servir como um salão e também uma parte interna que vai conter mesas e cadeiras para quem quiser se sentar e só beber alguma coisa. Ter conforto antes e depois que o bloco sair. Segurança, alimentação, proteção para chuvas, toda a área vai estar coberta. Acho que a gente entrega uma boa estrutura para os nossos convidados.

 Qual foi o impacto nesses dois anos de pandemia no bloco? Quanto custo para colocar o bloco na rua?

Nós não vivemos disso, a gente se reúne e arrisca. Bancamos e, se der prejuízo, a gente paga. Se sobrar alguma coisa, a gente doa ou investe em alguma outra festa. Para colocar um bloco desses na rua, custa em média de R$ 70 mil a R$ 80 mil. Estamos sempre inventando uma coisa nova. Como somos sem fim lucrativo, queremos o melhor e vamos gastando mais dinheiro porque queremos sempre mais para entregar um momento de qualidade. Pegamos dois ou três patrocinadores masters, mas os integrantes do bloco também ajudam com contribuição. No início nós éramos tipo "paitrocinadores". Agora, tem empresas grandes que entendem que ali é um espaço qualificado para divulgar a marca deles. Reunimos 700 ou 800 pessoas que têm um alto poder aquisitivo.

Como está sendo fundar e manter esse bloco durante todo esse período?

Uma das coisas é que o nosso bloco não é aquele bloco do cara que é profissional disso. Não é uma empresa, é a gente, amigos que gostamos de fazer. Tem hora até nos perguntamos: 'nós vamos fazer de novo?. É isso mesmo?". Ele (bloco) dá bastante trabalho, dá muito gasto. Então a gente só faz o bloco uma vez por ano.

Até pensamos em fazer mais eventos, mas o foco é ter o bloco. E a gente não tem uma estrutura montada, um gerente ou nem uma estrutura física. Quando vai chegando próximo a gente começa, a organizar a pedir ajuda de patrocínio, para começar a viabilizar o bloco.

Isso sempre com a ajuda de amigos?

Até o terceiro ano, a gente que organizava. A gente mandava imprimir o ingresso e dava 20 para cada integrante do grupo e mandava nas listas de transmissão ou nos outros grupos de WhatsApp. A gente explicava como ia funcionar. E a gente corria, levava o ingresso. Depois, o abadá ficava pronto, a gente pegava, botava no carro e saia entregando. Então, ficou um atendimento diferenciado. Ai negócio começou a crescer. A gente colocou 200 (ingressos) no primeiro ano, 500 no segundo, 700 no terceiro e, no ano passado, foram uns 800. Então, começou a crescer e a gente contratou uma agência, que dá todo o apoio para gente, que busca patrocínio e ajuda na organização no dia porque não estava dando tempo da gente fazer isso daí. Porque fazer um bloco organizado dá muito trabalho. Só de autorizações da Semob, prefeitura, Polícia Militar, saúde e vigilância sanitária, é  muito complexo.

Rodinei Crescêncio

Bloco da Laje elizeu - marcelo e sergio

 O Estado não tentou contribuir? Afinal, faz parte da cultura. 

A gente têm muitos amigos e conhecidos políticos. Mas, desde a primeira vez, a gente reuniu e falou que não queremos dinheiro ou participação política. Porque a gente se mantém isento, a política gera outras paixões, outras coisas, aceitamos, claro são todos muito bem-vindos, muito bem convidados, mas não é o nosso protagonismo. Então, a gente só quer as autorizações para que a gente possa fazer um bom Carnaval. A gente não tem um bloco que tem fins lucrativos. Basicamente, tudo que a gente vende, com o apoio dos parceiros e mais o abadá, cobre os custos porque a gente também quer fazer um evento para gente. Quer um evento de qualidade, com toda segurança possível. A gente fala muito sobre a segurança do nosso público, que é mais velho, com criança, que quer que tranquilidade. Não é aquele Carnaval de gente muito nova, daquela bagunça, que é saudável também, só não é o nosso públicol. O bloco é composto por pessoas bem homogêneas. É família. Não tem molecada porque não é baladinha. E é legal quando a gente está lá e vê as pessoas chegando, a gente vê o casal, o filho e a mãe ou a sogra.

Gostaria que vocês relembrassem uma história de vocês no Carnaval

Antes, a gente frequentava muito o bloco do Mingau, que já era um bloco grande de adolescentes, que marcou época em Cuiabá. Uma vez, eles trouxeram o É o Tchan. Hoje muitos da nossa turma já foram no bloco do Mingau e muitos da turma deles já vieram no nosso, somos todos amigos, já jogamos bola juntos em campeonatos. No bloco, uma vez contratamos um trio elétrico, desses bem grandes, mas era um caminhão velho, no entanto, o som era maravilhoso. Ai todo mundo animado: 'bora, sai pro trio'. Ai a gente estava entrando na Getúlio Vargas e parou o caminhão para o bloco chegar e o caminhão apagou, mas o som não parou. E a bateria continuou e o pessoal gritava: 'vamos embora, vamos'. E a gente pensando o que fazer, se teríamos que empurrar. Ai desceu o motorista e ele entrou embaixo do caminhão, voltou, deu a partida, saiu uma fumaça preta do escapamento e aí fomos embora. Mas, essas são coisas boas que acontecem, é uma tensão boa que só passa no final do bloco porque, afinal, a gente tem uma responsabilidade. Até porque, em 4 anos de bloco, nunca saiu nenhuma confusão, é realmente um Carnaval para a família.

Álbum de fotos

Rodinei Crescêncio

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