ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 20 de Junho de 2019, 11h:15 | Atualizado: 21/06/2019, 03h:35

São muitos os casamentos fakes de quem não se assume gay em MT, diz Bruxo veja

Pioneiro, colunista garante que na alta sociedade o “bafão” acontece do mesmo jeito que na periferia

Dayanne Dallicani

Messias Bruxo

 

Messias Bruxo é um dos pioneiros do colunismo social em Mato Grosso e, reconhecido no Brasil como um dos primeiros a iniciar a modalidade nas rádios, memora anos em que a socialyte gostava de estar entre as capas de jornais. Bruxo iniciou sua vida como colunista nos anos 2000 e, desde então, vem adaptando seu trabalho que iniciou no impresso, mas hoje se estabiliza no meio eletrônico. Em entrevista ao ele resiste em revelar a idade ou sobrenome, mas conta alguns segredos que selecionou no decorrer de sua trajetória. Comenta que pretende até lançar um livro contando os “babados” mais badalados da sociedade de Cuiabá, como uma espécie de biografia. Segundo ele, nunca recebeu nenhum processo e segue destemido em seus comentários, mas garante que barraco e confusão não tem classe social, na alta sociedade ou periferia é tudo a mesma coisa.

Confira os melhores trechos da entrevista:

Como começou a estar no meio da high society e saber os segredos delas?

Comecei como gerente de banco, mas fazia festas desde 1994. Em 1995 sai do banco, e foi em 2000 que fui convidado pelo Eden Praeiro a trabalhar no Diário de Cuiabá para ser colunista. Eu conhecia os clientes do banco e passei a conhecer elas da noite. Como eu tinha o apelido de Bruxo, ele sugeriu que fizéssemos uma espécie de caldeirão.

Porque o apelido bruxo? Tem algum tipo de misticismo ou adivinhação no que você faz?

Tinha um time de futebol e eu ficava atrás da trave do gol. Toda vez que ficava ali, o time acabava ganhando. Foi assim que o apelido pegou. Nas notícias, me foi proposto fazer o caldeirão do bruxo, que seria pra contar as brigas, babados e outras coisas que deram certo.

Acredita que desde que começou até hoje mudou alguma coisa do público ou de quem aparece na coluna social?

Antigamente as pessoas gostavam muito de coluna social e pagavam para sair nela, em cobertura de aniversários, casamentos e outras datas. Não tinha internet e o único veículo que divulgada a sociedade eram os jornais, pelos colunistas. Naquela época (anos 2000) os colunistas eram bem valorizados, tinham destaque, muita viagens de graça, presente e dinheiro. Nada era desnudo como era hoje e as pessoas gostavam de aparecer para vender a imagem. Com a vinda da internet e essa questão dos crimes de corrupção na política, ninguém quer mais sair nas colunas. Em Mato Grosso é muito correlacionado o empresariado, política e socialyte, a exposição desses crimes foi aumentando e as máscaras foram caindo. A ostentação sucinta a atenção dos órgãos de controle.

Dayanne Dallicani

Messias Bruxo

Messias Bruxo na sede do Rdnews, em entrevista especial da semana; ele conta sobre trajetória, trabalho e os fatos mais polêmicos que já contou

Tinha um status no impresso que, talvez, hoje a internet não traga mais?

O impresso é mais um documento e comprovação, mas as pessoas sempre vêem na internet antes, isso enfraqueceu todos os veículos desse meio no Brasil. Antigamente as pessoas acordavam cedo para ver o que estava na capa do jornal. Babado e corrupção já tinha, mas não se sabia e tudo era escondidinho e a atuação dos órgãos de controle, como o Ministério Público, não era tão atuantes. Agora a própria internet derruba a casa das pessoas e facilita o trabalho dos órgãos de controle. Exemplo, o babado que tem hoje com um filho gay que o pai queria esconder, a filha problemática ou o filho drogado que mandou embora daqui. Antigamente, tínhamos que pegar um telefone fixo para ligar e contar a fofoca, hoje já sai nos grupos de Whatsapp e está todo mundo sabendo.

Você é muito discreto? Como faz para não ser alvo de comentários também?

Eu sou uma pessoa pública e não posso ser pego em uma situação deselegante, brigando com garçom ou motorista de aplicativo, discutindo com ninguém e nem ser pego bêbado. Não posso fazer isso.

Como foi essa transição do impresso para a rádio? Você também está na internet e TV, em algum momento teve alguma dificuldade?

Quando comecei na rádio foi o primeiro programa eletrônico em Mato Grosso que hoje o Brasil inteiro utiliza. Na época no programa da Transamérica e dava uma audiência estrondosa. Fiz Jovem Pam e, agora, na Band. Coluna Social é igual em qualquer lugar, a única diferença do colunismo social é que os jornais não estão com aquela mesma força de antigamente. Hoje, os digitais influencers estão dominando tudo, tem uns que você não sabe nem quem é, e aparecem se dizendo influenciadores.

As pessoas querem aparecer, mas aparecer bem. A sua coluna costuma ser mais acida e sem tanto puxa-saquismo, quais os casos mais escabrosos que você se lembra?

As pessoas querem aparecer bem, montadas, começam a criar um estilo de vida e fazer com que pareça tudo perfeito

Messias Bruxo

As pessoas querem aparecer bem, montadas, começam a criar um estilo de vida e fazer com que pareça tudo perfeito, quando na verdade não é. Tenho vários casos polêmicos para as notas, me lembro de um uma vez que um pessoal veio fazer concurso para delegado em Cuiabá, pediram para a recepção chamar algumas meninas, e elas foram. Quando chegou na festinha, quem apareceu foi a prima primeira de quem tinha solicitado. Foi o maior barraco. Outro caso parecido foi quando em uma festa de amigos empresários, foram fazer a mesma coisa, e apareceu a filha de um desses amigos.

Como essas notícias chegam até você? Você tem espiões e qual o critério de publicação?

Menina, cai na minha mão. Eu investigo e não vou falando assim loucamente. Muitas vezes eu falo com a própria pessoa dona da confusão e ela não está percebendo. Resolvi não citar nomes e graças a Deus até hoje não tenho nenhum processo. Tem pessoas que reclamam que falei delas, mas daí eu respondo, "ah é você? Não sabia, agora que sei quem é posso fazer outra nota". Tem que levar com humor.

Já se sentiu censurado ou temeu sofrer algum ataque por conta dos comentários?

Nunca tive censura nenhuma, nunca tive medo. Não mexo com fofoca, mexo com notícia. Com essa coisa de Whatsapp, as pessoas pegam o áudio e mandam ele junto com a foto, uns amigos de um empresário fizeram isso para avacalhar ele uma vez e ele me ligou ameaçando. Então eu fui lá e fiz um boletim de ocorrência contra ele.

Acredita que tem um público e classe social que te acompanha mais?

Todos os públicos, o pessoal da periferia quer saber o que estou falando dos ricos e os ricos querem saber o que estou falando um dos outros ou se estou falando deles. Muitas vezes falo de um amigo que eles sabem da história ou de um parente. Algumas das notas servem de carapuça para várias pessoas, às vezes serve para quatro ou cinco, historias idênticas.

Quais as histórias dão mais repercussão?

Histórias de relacionamento, cara que larga a mulher em casa e vai para a festa. Chega lá e encontra a mulher na festa, em uma situação mais complicada que a dele, às vezes a mulher descobre e vai dar o troco. Tem também aqueles amigos que convidam para ir comemorar o aniversário em camarote da balada e não tem dinheiro pra pagar e coloca na conta dos amigos. Outra muito polêmica e de um que sempre que ia viajar levava a esposa e a amante, colocava as duas no mesmo hotel com reservas diferentes. As confusões que geram mais repercussões são as discussões de casais em locais públicos, casos de famílias tradicionais que tem filhos gays, gente que ostenta e não tem nada pra gastar e só pra aparecer em lugar público. Mulher que pega roupa de loja consignada e usa na balada, depois quer devolver e a loja não aceita ou caloteiras de salão de beleza. Tem casos que evito até contar, como de autoridade que teve relacionamento fora do casamento, nasceu filho e assumiu escondido da família. Na alta sociedade o bafão acontece do mesmo jeito que na periferia.

Dayanne Dallicani

Messias Bruxo

O colunista social Messias Bruxo durante entrevista ao Rdnews, nesta semana; ele garante não ter medo de ameaças

Chegou a encontrar pessoas alvos dos seus comentários? Como elas costumam reagir?

Várias vezes. Alguns abaixam a cabeça, me tratam normal, porque se falarem comigo tem medo de continuar sendo notícia. Eu mesmo evito ir à casa das pessoas, por isso recebo poucas críticas, evito ficar “ajojado” na particularidade das pessoas, pois é isso que dá confusão. Meu conselho se você for vítima de algum comentário, se errou e pisou na bola, peça desculpa e assuma o erro e fica quieta. Vai vir pancadaria? Vai vir pancadaria.

O que mais tem que tentam abafar dos seus relatos?

Tem um monte de gente que casa, constitui família, mas vive uma vida reprimida, pois na realidade queria estar casado com outro homem. Conheço muita gente que tem destaque na sociedade com namorada fake, que casa com uma mulher postiça e tem filho e tudo mais. Conheço inclusive um político que falou pra mim que não pode assumir nunca que é homossexual, se não vai perder seus eleitores. Prefere ficar fazendo esse truque, do que assumir. Tem também mulheres que são casadas com outras escondidas, vivem como amigas na sociedade, é esposa de autoridades e tudo mais, mas é "sapatão".

Já sofreu algum preconceito como racismo ou homofobia?

Nunca sofri preconceito com a minha família e amigos. Não sou muito enrolado com relacionamento, sou enrolado com trabalho. Não posso ficar desmunhecando, porque a família tira da rádio. Meu público é homem hétero ou homossexual, negro ou branco, mulher de tudo quanto é jeito, biscate e todos tem preconceito. Criança também, um público grande, que me ouve falar e quer tirar foto. Sou contra o casamento gay, vim de uma formação evangélica, não precisa afrontar uma igreja, padre ou pastor. Na questão civil tudo bem, uma questão de lei e garantia de direitos. Também sou contra as pessoas mutilarem os próprios corpos.

Em sua opinião, qual o futuro do colunismo no Brasil?

O colunismo social se não se reinventar vai acabar. O meu que é eletrônico, tive que me reinventar, mas nunca conto também só o que tem por aí. Eu faço um arranjo até para ficar engraçado, não gosto de ficar passando recado, faço uma ironia ou comédia. Isso também dá mais ibope, me perguntam e eu não conto, nem os nomes e nem as fontes. Recebo de todos os lugares fofocas mandadas, inventam, mas eu não publico não. Para isso tem que ter a confiança do público e feeling.

Veja trecho da entrevista com Messias Bruxo:

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Comentários (3)

  • Vladimir palma | Sexta-Feira, 21 de Junho de 2019, 14h55
    4
    1

    Nunca vi um colunista tao bem dado com suas histórias Vc e vitorioso messias o bruxo sucesso

  • MESSIAS NEVES DOS SANTOS | Quinta-Feira, 20 de Junho de 2019, 16h31
    5
    0

    Quando trabalhei na VIVO em cuiabá tive a enorme satisfação de trabalhar e conhecer pessoas como Gégé o mais antigos que tinham uma educação acima da média, mais meu nome era sempre apelidado como "Messias Bruxo", e um dia meu Diretor Ruben Galvão me apresentou ao grande profissional e amigo e repeitador Messias Bruxo, hoje residindo no Nordeste tenho saudade de meus grandes amigos e irmãos acolhedores cuiabanos. Xará quando vier ao Nordeste estarei de braços a abertos a recebe-lo.

  • waleska | Quinta-Feira, 20 de Junho de 2019, 16h01
    2
    0

    amo BRUXO

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