Executivo

Terça-Feira, 25 de Fevereiro de 2014, 14h:47 | Atualizado: 26/02/2014, 14h:28

Polêmica

Festival é acusado de censurar filme porque contraria interesses políticos

Felipe Barros

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O cineasta Luiz Borges garante que a acusação não procede e diz que o festival não se furta a nenhum tema e cita que houve a inscrição e exibição de inúmeras obras

 

Os cineastas Aluízio de Azevedo e Glória Albuez, conhecida como Glorinha no meio artístico, acusam a organização do Festival Mato-grossense de Cinema e Vídeo de ter vetado o documentário “Manoel Chiquitano Brasileiro” porque a obra contraria interesses de patrocinadores e políticos, dentre eles o cacique do PSD, deputado estadual José Riva. 

Acontece que a obra aborda questões polêmicas que, segundo ele, vão contra interesse da classe política, que representa a classe produtora e pecuaristas. Já o festival mato-grossense tem como seu principal patrocinador a secretaria de Estado de Cultura, sob Janete Riva, esposa do deputado. A pasta doou R$ 400 mil para a realização evento.

A organização do evento, por sua vez, nega qualquer tipo de censura ou ataque à liberdade de expressão, garante que o festival não se furta a nenhum tema, inclusive, cita que houve a inscrição e exibição de inúmeras outras obras que abordam outras mazelas. "A acusação não procede porque há 19 anos este festival de cinema possui um regulamento que estabelece que há apenas duas formas de participar da competitiva que é a convite da organização - como sempre ocorreu com os longas metragens - ou através da seleção que é feita por meio de edital amplamente divulgado na imprensa", diz trecho da nota encaminhada pela organização do festival. 

Aluízio e Glorinha são os criadores da produção audiovisual que foi, inclusive, premiada nacionalmente. A obra foi selecionada entre os 15 melhores roteiros em um universo de 890 filmes inscritos no festival nacional Etnodoc. O filme revela o drama de índios Chiquitanos, que vivem na fronteira do Brasil com a Bolívia, lutando com fazendeiros para manter o seu território. 

O filme também faz remorar antigas denúncias de falhas no zoneamento socioeconômico ecológico do Estado feito pela Assembleia e pelo Governo estadual. Isso porque o documentário exibe falas de políticos como Riva, Zeca D’Ávilla e ex-governador Blairo Maggi (PR) negando que na região exista habitação de índios e/ou quilombolas. Os depoimentos das figuras políticas são contrastados com as imagens e a história do índio Manoel Chiquitano Brasileiro. 

Antigas denúncias de estudiosos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) evidenciam também que o zoneamento ignorou estudo científico da universidade sobre a existência dessas comunidades indígenas no local. 

Os criadores do documentário explicam que a censura ocorreu de forma velada. O organizador do festival, cineasta Luiz Borges, teria criado empecilhos de última hora para dificultar a inscrição da obra e assim não desagradar o principal patrocinador do evento. A organização, por sua vez, garante que não houve censura. Cita como exemplo os filmes “Buraco: A Herança do Diamante” do diretor Gian Piero Barozzi, que mostra os danos que a extração do diamante causou em Poxoréu. Além do longa metragem “Avaeté” do diretor Zelito Viana, que apresenta o massacre dos índios Cinta Larga na região de Forquilha onde hoje é o município de Juína. 

O maior obstáculo, conforme Aluísio, foi a criação da regra que restringe de 25 para 20 minutos o tamanho das obras curta metragem aptas a concorrer. Ele reclama que este critério é válido apenas para as produções locais e não nacionais. Ele reforça ainda que a regra contraria o consenso existente em todos os festivais do país que definem o tempo de 25 minutos para um curta metragem. Também argumenta estranhar o fato de no catálogo do festival, na mostra competitiva de curtas, aparecer dois filmes com tempo superior aos 20 minutos exigidos do edital. Um deles é “O Florista” com 23 minutos e o outro é “O Ser Tão Cinzento”, com 25 minutos.

 Em artigo, Glória Albuez fala que os organizadores do evento criaram táticas obscuras para vetar a obra e desafia a organização do festival a exibir o filme no último dia do festival, mesmo que em mostra não competitiva, para provar que nunca existiu censura. A organização reconhece que, no catálogo, o filme “O Florista” aparece com 23 minutos, mas garante que a obra tem apenas 18 minutos e que houve um erro dos produtores no registro do tempo/minutagem. A organização sustenta ainda que seria injusto com os outros 34 inscritos, que passaram por um processo normal de seleção, se nesta altura do campeonato o festival exibisse o documentário “Manoel Chiquitano Brasileiro”, que nem chegou a ser inscrito.

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Confira, abaixo, as declarações do cineasta Luiz Borges

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Comentários (3)

  • Dornele$ | Sábado, 01 de Março de 2014, 08h01
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    400 mil reais, por esse festival? Riva continua fazendo escola! Hummmmmmmmmmmmmmmmmmm?

  • Aluízio de Azevedo | Quarta-Feira, 26 de Fevereiro de 2014, 21h01
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    Sou muito grato ao Site RDNEWS, à jornalista Glaucia Colognesi e ao editor Romilson Dourado pela isenção na divulgação da matéria e também por trazer o assunto a luz da midia mato-grossense. MAtéria muito bem feita, que houve os dois lados e cumpre com o objetivo jornalístico de evidenciar as polêmicas da cena audiovisual e cultural mato-grossense. As críticas servem para melhorarmos as atuações. E graças a matéria como essa publicada no site, o filme, que está no youtube, já bateu mais de 500 acessos em menos de três dias. Ao menos essa situação toda envolvendo o nosso Filme Manoel Chiquitano Brasileiro e a organização do FEstival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, pode cumprir o objetivo a que nos propomos na obra: evidenciar a situação crítica e os dramas enfrentados pelos povos chiquitanos na Fronteira do Brasil com a Bolívia. E o mais bonito: mostrar que os chiquitanos continuam resistindo, mesmo com toda a complexidade e as pressões que sofrem para não assumir sua identidade cultural. Parabéns mais uma vez ao site RDNEWS pela isenção!

  • Fabiana Rodrigues de Almeida | Quarta-Feira, 26 de Fevereiro de 2014, 10h15
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    Perguntam pro "cineasta" Luiz Borges,onde ele enfiou o dinheiro do Ponto de Cultura da Chapada! Nao pagou os instrutores da oficina de música. E, ainda, sob a alegação de arrecadar dinheiro para pagar os instutores coborou uma tarifa dos alunos, inclusive cobrando as famílias das crianças....Eta! Moral...

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