Após o período de guerra, há quem perca o sorriso no rosto e tenha dificuldades para retomar uma vida tranqüila. Algumas dores de um período difícil na Segunda Guerra Mundial ainda marcam a memória de Antonio Abdon da Silva, de 97 anos, mas não ocupam todo seu ser. Ele, que é morador de Rosário Oeste, conta com orgulho parte do que viveu e, após diversas homenagens feitas pelo governo, Exército e outras instituições, também é uma das lontras brilhantes do projeto Expedição 300 - O Rio das Lontras Brilhantes retratado pelo fotógrafo José Medeiros.
José Medeiros
Ele, que é morador de Rosário Oeste, conta com orgulho parte do que viveu e, após diversas homenagens é uma das lontras brilhantes do projeto Expedição
Antes de ser chamado à guerra, acabou se desentendendo com um sargento por conta da troca de guarda e levou a questão, inclusive, até a um tenente superior. Naquela época, ele se recorda que o tenente, por sua vez, chamou o sargento que havia feito a escala de forma errada e mandou Abdon abandonar o serviço. O sargento faria, então, a denúncia do fato. Teimoso e valente, mesmo com receio de ficar preso, não abandonou o posto e continuou trabalhando. Antonio Abdon tinha sido escalado de forma seguida, sem dar o período de descanso, o que agravou o problema – ao levar Antonio ser ameaçado pelo sargento. Novamente o fato foi levado aos superiores que buscaram intervir na questão.
Em menos de uma semana da confusão, o Exército Brasileiro encaminhou boletim chamando, voluntariamente, soldados para participassem da missão que seria a Segunda Guerra. Nenhum soldado ou cabo se manifestou voluntariamente, cabendo às indicações ao sargento, com quem Abdon havia discutido. Antes de qualquer indicação, ele se voluntariou. Após sua iniciativa, mais voluntários se prontificaram.
José Medeiros
A neta do expedicionário conta que a rotina dele é tranqüila e, após quarenta e quatro anos de casado, tem quatro filhos, dois vivos, sete netos e um bisneto
Abdon, como é mais conhecido, hoje usa com muita panca o uniforme e seu distintivo de reconhecimento. Hoje, diferente dos dias de guerra, a vida é mais pacata e faz que ele se misture ao visual da cidadezinha do interior de Mato Grosso, sentado na porta de casa, costume bastante comum entre os mato-grossenses mais tradicionais. Tem dia que conta algumas de suas histórias para seus filhos, netos e bisnetos. Como bom romântico, também tem lembranças da amada, que após a guerra, aceitou-se casar com ele e compartilhar a vida e família.
A neta do expedicionário conta à reportagem que a rotina de seu avô é tranqüila, e após quarenta e quatro anos de casado, tem quatro filhos, dois vivos, sete netos e um bisneto. A ternura no olhar não reduz sua valentia, com orgulho do passado, parte das historias que conta contribui muito para Mato Grosso.









Realista 26/01/2020
Infelizmente nos dias atuais, quase não existe mais gente com a fortaleza e obstinação do Sr. Abdon. Muita vida e saúde para ele. E quiçá que possa continuar narrando por muito tempo com muita lucidez e altivez a sua bela história.
1 comentários