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JÚRI NA CAPITAL

Coronel nega elo em execução de Roberto Zampieri e diz que é usado como "bode expiatório"

Coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foi o último dos réus a ser ouvido nesta quarta; julgamento dura mais de 20 horas

João Aguiar e Leticia Avalos

Em depoimento no Tribunal do Júri nesta quarta-feira (30) o coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, negou participação na execução do advogado Roberto Zampieri, que ocorreu em dezembro de 2023, em Cuiabá, e afirmou estar sendo usado como “bode expiatório”. Ele é apontado pela Polícia Civil como suposto financiador do crime.

Rodrigo Moura / TJMT

Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas - tribunal do juri

Coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, réu pelo homicídio do advogado Roberto Zampieri

Caçadini está sendo julgado junto com Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins Barbosa pelo crime. Ele foi o último dos três a prestar depoimento. Em sua oitiva, o coronel disse que havia instalado a Frente Ampla Patriótica (FAP) e, nesse grupo, acabou conhecendo Hedilerson e o fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, que é apontado como mandante da execução.

Ele contou que sua relação com Aníbal era por conta da posição ideológica política dos dois. Também afirmou que nunca conversou com o fazendeiro sobre questões envolvendo disputas de terra e que não sabia de problemas com desembargador.

O coronel admitiu a relação com Hedilerson e que entregou R$ 2 mil a ele como agradecimento pelo trabalho realizado como instrutor de tiro. O montante foi usado por Hedilerson para comprar uma passagem para Cuiabá para, supostamente, participar de um torneio de tiro no dia seguinte à execução de Zampieri.

Caçadini negou sua participação na execução de Zampieri e disse que está sendo usado como “bode expiatório”. “Acho que estão tentando arrumar um bode expiatório. Porque eu realmente, não tenho nenhuma razão, nenhuma necessidade. Alguma coisa está acontecendo, para que seja colocado meu nome e o de algumas pessoas neste processo”, dispara.

O militar afirmou que não tem condições de financiar a morte de um advogado como Roberto Zampieri e destacou que não aceitaria de forma alguma participar de um crime desta magnitude. No entanto, ponderou que, caso tivesse participado da execução, não seria uma "lambança" como a de Zampieri. "Eu nunca faria isso de atentar contra a vida de alguém, mas se eu fosse fazer, não seria uma lambança dessa".

Rodrigo Moura / TJMT

Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas - tribunal do juri

Julgamento

O Tribunal do Júri teve início nessa terça-feira (29), com o julgamento de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Eles são os primeiros réus acusados pelo crime a encararem a Justiça.

No primeiro dia de julgamento, foram ouvidos o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias, o delegado da Polícia Federal, Marco Bontempo, e a testemunha, José Marcos Marini, amigo de Zampieri.

Nesta quarta, já foram ouvidos Antônio Gomes da Silva, que confessou ter matado o advogado e disse que, caso tivesse "recebido a tarefa" de matar o desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho, também teria o executado. 

Reprodução

Roberto Zampieri

O advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros ao deixar seu escritório no Bosque da Saúde, em Cuiabá, em dezembro de 2023

Hedilerson foi ouvido antes do coronel. Ele disse que teve a confiança traída por Antônio e negou ter emprestado ao executor a arma utilizada no crime. “Eu não acreditei que ele tinha usado a minha arma. Ele traiu a minha confiança. Ele se aproveitou de uma certa confiança que eu tinha com ele. Apesar de não sermos amigos íntimos, é normal dividirmos um quarto de hotel quando você trabalha com a pessoa", disse.

Conforme a denúncia do Ministério Público, Etevaldo é apontado como financiador do crime; Hedilerson seria o contratante e dono da arma; e Antônio teria sido o executor do assassinato. A denúncia narra que Etevaldo teria pago R$ 40 mil para Antônio executar o crime. Antônio, por sua vez, teria sido auxiliado por Hedilerson, que teria emprestado sua arma.

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