Durante o terceiro dia de Tribunal do Júri do investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, nesta quinta-feira (14), acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, o réu declarou que a vítima praticou um “ataque suicida” e que no momento em que Thiago tomou tal atitude, ele sabia que um deles "não sairia vivo dali”.
Durante depoimento ao promotor do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Vinícius Gahyva Martins, Mário disse que não agiu com intenção de matar e sim de sobreviver.
“Foi um ataque suicida, um ataque maluco. Ele [Thiago] não estava ali apenas numa luta para pegar a arma que estava no seu poder, ele estava ali na intenção de me matar. A partir do momento em que ele toma essa atitude, um de nós não sairia vivo dali. Eu estava quase perdendo a consciência, nesse momento eu retirei a minha arma que estava coldreada e efetuei os disparos, todos [os tiros] no chão. (...) Fiz na intenção de sobreviver, não tinha a intenção de colocar a vida dele em risco, até eu sofrer a injusta agressão”, afirmou Mário.
Questionado sobre o que o levou a duvidar sobre Thiago ser um policial militar, Mário disse que a vítima era um usuário de drogas conhecido pela polícia e que as tatuagens que ele tinha pareciam “feitas em cadeia”, o que o levou a suspeitar de Thiago. “Eu achei que o Thiago era fornecedor [de drogas] do Walfredo e estava fazendo um levantamento sobre a situação”, declarou.
Ao relatar sobre o momento que chamou de “abordagem legal”, quando tirou a arma de fogo da cintura de Thiago, Mário citou as imagens registradas pelas câmeras de segurança da conveniência do posto.
“Eu não tô nem com o dedo no gatilho, sem nenhuma intenção de matar. Fiz a verificação do brasão da arma, pra ver se é abrasionada e não identifiquei, momento em que falei: Vou verificar no Ciosp (...). Nesse momento, ele [Thiago] aproveita para tirar a minha arma”, disse.
Alair Ribeiro/TJMT
O promotor do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Vinícius Gahyva Martins (ao fundo) e o réu Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves (de costas)
Na oitiva, Gahyva pede detalhes sobre a situação e horários, além de confrontar falas de Mário em depoimentos na data do crime com os que deu posteriormente, e o réu, por diversas vezes afirma que foi um “evento traumático” e que “não se recorda” de determinadas coisas.
Em breve, a defesa do réu fará os questionamentos. A previsão é que a sentença do júri seja proferida ainda hoje.
O crime
Mário Wilson responde por homicídio qualificado, com as agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme denúncia do MPMT.
De acordo com as investigações, na madrugada do crime, a vítima chegou à conveniência acompanhada de um amigo. Posteriormente, Mário Wilson também chegou ao local e foi apresentado ao policial militar.
Imagens de câmeras de segurança registraram os envolvidos conversando momentos antes do crime. Conforme o inquérito, em determinado instante, Thiago Ruiz teria mostrado a arma que portava na cintura. Na sequência, o investigador civil se apoderou do revólver e efetuou os disparos. O policial militar morreu no local.
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