José Marcos Marini, amigo do advogado Roberto Zampieri e que ouviu os tiros disparados contra o jurista, afirmou que chegou a pensar em perseguir o atirador logo após o crime, ocorrido no dia 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. O relato aconteceu durante seu depoimento no Tribunal do Júri, que teve início na terça-feira (28), do trio Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, réus por planejar e executar o homicídio.
Zampieri foi morto na frente de seu escritório de advocacia, enquanto saía do local. Ele estava dentro de uma picape Fiat Toro quando foi atingido pelo executor com diversos tiros de pistola calibre 9 milímetros.
José Marcos contou que era amigo de Zampieri e fazia negócios com ele em relação a fazendas e outras propriedades rurais no interior do estado. Ele, inclusive, conhecia Antônio Gomes, réu por atirador no advogado. Antes de executar o crime, Antônio se encontrou algumas vezes com Zampieri para tratar da negociação de uma área rural. Segundo o Ministério Público, o interesse na compra da propriedade seria uma “desculpa” para levar o advogado até uma área isolada e executar o crime. A testemunha contou que, ao perceber que a vítima não iria, o suspeito ficou decepcionado.
O amigo relatou ainda que estava do outro lado da rua quando os disparos contra o advogado aconteceram. Ele não chegou a visualizar o atirador, que estava de boné e com a caixa na frente. Após ouvir os disparos, pensou em correr atrás do atirador, mas desistiu e prestou socorro ao amigo.
“Eu estava no local no momento do fato e fui o primeiro a abrir a porta do carro. Até tive a intenção de ir atrás de quem atirou, mas não tinha condição e não era uma boa ideia. Eu visualizei, mas como era noite e ele estava de boné e roupa preta, não deu pra ver direito”, relatou.
Relembre o crime
No dia 5 de dezembro de 2023, o advogado Roberto Zampieri deixou o escritório em que trabalhava e, ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino. Os agentes policiais informaram que foram disparados cerca de 10 tiros na direção do advogado.
Nas gravações, obtidas por meio de câmeras de segurança de empreendimentos da localidade, é possível ver que o assassino cometeu o crime com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som, e que ele fugiu a pé.
A execução de Zampieri desencadeou uma série de investigações contra um lobista e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), acusados de negociarem a venda de sentenças com o advogado executado. O crime contra Zampieri não tem relação com o lobista ou desembargadores afastados, mas foi descoberto devido às análises do celular do advogado após a execução.
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