O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, aceitou a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e tornou réus a missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, a mãe, duas irmãs e um primo. Eles foram investigados por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho, em Cuiabá. A decisão é dessa quinta-feira (17).
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Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida; Renildo Silva Rios, vulgo “Veio”; Orminda Carlos de Barcelos Almeida; Rhuan Barcelos da Conceição; Anatany Nina de Barcelos Souza Alves; e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.
Como já informado pelo
, Rhavenna atuava como missionária em um projeto religioso na Penitenciária Central do Estado (PCE) e mantinha um relacionamento amoroso com Jonas Souza Gonçalves Junior, conhecido como Batman, apontado como liderança da organização criminosa.
Conforme a decisão, viraram réus:
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Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida: denunciada por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa; apontada como uma das principais responsáveis pela comunicação entre presos e integrantes da organização fora das unidades prisionais e também teria participado da movimentação de dinheiro.
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Orminda Carlos de Barcelos Almeida: mãe de Rhavenna; denunciada por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa. Investigada por auxiliar na comunicação com presos, no recebimento de valores e na suposta lavagem de dinheiro.
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Renildo Silva Rios: vulgo “Veio”, “Velho” e “Chapa”, apontado como namorado de Rhavenna; denunciado por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa. Seria integrante do Comando Vermelho. Teria sido uma das principais fontes dos valores.
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Rhuan Barcelos da Conceição: primo de Rhavenna; denunciado por lavagem de dinheiro. Era um dos responsáveis por armazenar dinheiro em espécie, em sua casa, e, posteriormente, entregá-los para Rhavenna.
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Anatany Nina de Barcelos Souza Alves: irmã de Rhavenna; denunciada por lavagem de dinheiro. Ajudava na realização de depósitos e movimentações bancárias.
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Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi: vulgo “Lolo”, também irmã de Rhavenna; denunciada por lavagem de dinheiro. Acusada de participar da movimentação dos valores e de receber benefícios financeiros e materiais.
Ao analisar a denúncia do MP, o magistrado entendeu que o documento atende aos requisitos previstos no Código de Processo Penal e que existem elementos considerados suficientes para o prosseguimento da ação penal, incluindo indícios de autoria e materialidade.
Agora, todos os réus terão prazo de 10 dias para apresentar resposta à acusação, por meio de advogado. Caso não constituam defensor, poderá ser acionada a Defensoria Pública.
“Com essas considerações, em análise à peça acusatória ofertada, nota-se que a inicial atende ao disposto no artigo 41 do Código de Processo Penal e que não há incidência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 395 do CPP, pelo que recebo a denúncia oferecida em face de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, Renildo da Silva Rios, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, por satisfazer os requisitos legais, vez que amparada em indícios de autoria e materialidade”, diz trecho.
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Rhavenna Barcelos de Almeida, ostentando armamentos da facção criminosa, nas redes sociais
A denúncia
Rhavenna está presa desde o dia 16 de julho, quando foi alvo da Operação Fariseus, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Além de Rhavenna, o pai dela, o pastor Nivaldo Almeida e a mãe, Orminda de Almeida, também foram alvos da ação, mas não foram presos.
Na semana passada, o pastor Nivaldo morreu vítima de complicações de um câncer, em Cuiabá. O enterro aconteceu na manhã do último dia 6.
Segundo a denúncia, por meio do grupo de evangelização, Rhavenna e a mãe conseguiam acesso a vários presos, de diferentes raios, abordagem considerada mais eficiente do que tentar se cadastrar como familiar ou companheiras de algum preso. "Deste modo, Rhavenna e sua mãe tinham acesso aos faccionados presos e soltos, podendo levar e trazer informações, além de atender a pedidos dos presos, recebendo e levando itens para o interior do presídio", diz trecho do documento.
"É possível constar que Rhavenna porta armas de fogo, tem convívio com outros faccionados, incluindo os foragidos, além de demonstrar sua responsabilidade no auxílio de presos e a lavagem de capitais realizada por ela e sua família", acrescenta o MP.
Além da Batman e Veio, Rhavenna também tinha contato com Paulo Witer Farias Paelo, o "WT", conhecido como tesoureiro do “Comando Vermelho”, preso na Operação Apito Final.
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Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Nivaldo Almeida, Jonas Souza Gonçalves Junior e Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida
Envolvimento da família
A denúncia do MP mostra as funções dos familiares de Rhavenna no suposto esquema de lavagem de dinheiro. A mãe de Rhavenna teria recebido e repassado valores, além de manter contato com presos.
Rhuan, primo de Rhavenna, é apontado como responsável por guardar dinheiro em espécie e entregar os valores quando solicitado. Já Anatany, irmã de Rhavenna, teria participado de depósitos e transferências. Segundo a acusação, a condição de funcionária de uma lotérica teria facilitado a movimentação de valores em diferentes contas.
Lo Rhuama, outra irmã de Rhavenna, também é acusada de receber parte dos valores e de ser beneficiada por dinheiro e bens que, conforme o MP, seriam provenientes de integrantes da organização criminosa.
A denúncia afirma ainda que os familiares utilizavam diferentes contas bancárias para movimentar o dinheiro e evitar que os valores chamassem a atenção das instituições financeiras.
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