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Judiciário Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2016, 15:31 - A | A

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2016, 15h:31 - A | A

Permínio admite receber propina e diz que único erro foi ser omisso

Camila Cervantes e Eduarda Fernandes

O ex-secretário estadual de Educação Permínio Pinto, preso em 20 de julho deste ano, afirma que as denúncias sobre esquema de fraude nas licitações de obras na Seduc são parcialmente verdadeiras. A afirmação foi feita durante audiência de instrução da operação Rêmora, na tarde desta quinta (15), na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, sob a juíza Selma Rosane Arruda.

Na ocasião, Permínio contou que, em dezembro de 2014, foi procurado pelo empresário Alan Malouf, preso na deflagração da terceira fase da Rêmora, nessa quarta (14). O empresário o recebeu em seu escritório e disse que foi coordenador financeiro das eleições daquele ano, e que tinha participado diretamente da indicação do ex-secretário para ocupar a Seduc.

Reprodução

perminio-

 Ex-secretário Permínio Pinto pede desculpa aos mato-grossenses e à família devido  fraudes

Após assumir a pasta, em pouco mais de 30 dias, Alan o teria procurado novamente, o convidando para um café. Lá, apresentou a Permínio o empresário Giovani Guizardi, que se tornou delator do esquema. Disse que havia feito investimentos e que precisava ser ressarcido.

Permínio ressalta que nesse mesmo dia, Alan e Giovani apresentaram um plano para que Giovani pudesse procurar os empresários prestadores de serviço da Seduc , a fim de pedir parte de seu lucro. “Eu disse que nunca havia participado de nada parecido e ao contrário disso as pessoas me tinham como referência. [...] Eu sei que tinha muito medo, mas ele garantiu que a participação seria muito discreta e reservada”.

O ex-secretário reforça que tinha em mente uma eventual eleição que viesse a disputar. “É verdadeiro, e a imprensa noticiou, principalmente esse ano de 2016, as articulações que eu fazia para que pudesse ser o candidato do meu grupo político. Eu não tenho dúvida que eu seria esse nome”.

Permínio afirma que seu único erro foi ser omisso. “E aí veio meu grande erro, meu grande pecado, que foi a omissão. Eu permiti que eles fizessem o que fizeram. Permiti que iniciassem esse trabalho de contato. Mas chamei a atenção deles para que tivéssemos cuidado, não permitira que houvesse sobrepreço”.

Nesta linha, explica que chamou o ex-servidor Fabio Frigeri, destacando a capacidade profissional dele, e pediu que ficasse vigilante. “Então, errei, doutora Selma, pelo fato de ter dado às costas, permitido, enfiado a cabeça no buraco e deixado que essa barbaridade acontecesse”, admite.

O ex-secretário conta que existiam vários projetos mal elaborados na Seduc. “O cuidado com a elaboração dos projetos e o preço das planilhas foi o principal pedido que fiz ao Frigeri. Eu não quero acusar ninguém de nada, quero me responsabilizar pelos meus atos”.

Questionado sobre a quantia que Frigeri recebia no esquema, Permínio diz que só irá responder questões relativas a ele. “Eu posso, inclusive, detalhar para a senhora o quanto eu recebi. [...] Aproveitando e pedindo desculpa a todos os mato-grossenses, inclusive à minha família, foram feridos de morte. Em um novo interrogatório eu tenho condições de apontar o quanto eu recebi e devolver aos cofres públicos”, sugere.

A magistrada pergunta se havia esquema em outras secretarias e Permínio opta por não falar. O ex-secretário diz que conheceu Guizardi em um jantar oferecido por Alan, para todos os secretários que tomariam posse no início de 2015.

Sobre a reunião entre empresários para divisão das obras, Permínio nega. “Isso eu posso garantir”. Afirma que os pagamentos são feitos de forma cronológica, por isso, não acredita que Giovani tinha o poder de acelerar ou atravancar as medições.

O ex-secretário observa que "parece mais uma chantagem" a cobrança de propina com objetivo de liberar as medições. Explica que, para a maioria dos empresários, se as medições não fossem liberadas, as obras paravam.

Ele nega a existência de uma divisão em percentual, conforme disse Guizardi na delação. “Eu nunca, me momento nenhum, exigi de ninguém um percentual”. Nega ainda ter recebido os pagamentos por mais de 10 vezes. Detalha que os pagamentos eram feitos em espécie.

"Em um novo interrogatório eu
tenho condições de apontar o
quanto eu recebi e devolver
aos cofres públicos" - Permínio

“Eu não sou líder de organização criminosa. Volto a dizer, basta olhar a minha vida pública [...] se há um líder, não sou eu”, reitera. Indagado pela magistrada, Permínio se recusa a apontar quem era o líder do esquema. Conta que recebeu uma ligação da jornalista Ana Rosa lhe informando que seria nomeado secretário da Seduc. Esse contato teria ocorrido em 14 de dezembro de 2014.

Sobre o jantar oferecido para os secretários, diz que estavam presentes também empresários do agronegócio e que não teve discurso. Na ocasião, o ex-secretário comenta que não ocorreu nenhuma conversa sobre o esquema. Permínio garante que a propina vinha do lucro dos empresários e não de um superfaturamento nas licitações.

Além disso, nega ter repassado o telefone de Guizardi, anotado em papel, para empresário, conforme apontado na denúncia. Ao chefe do Gaeco, Marco Aurélio, ele explica que a Seduc precisava informar a secretaria estadual de Fazenda quais pagamentos eram prioritários.

“Mente. Na minha casa ele esteve em duas oportunidades. Uma, num sábado pela manhã para pedir que priorizassem algumas reformas e eu expliquei que não dependia de mim. E a segunda vez, ele enviou uma pessoa para levar um presente para mim, um conjunto de taças de vinho”, explica ao promotor, ao ser questionado do recebimento de propina em sua residência, fato narrado por Guizardi.

Segundo Permínio, ficou claro que ele deveria ajudar Alan a recuperar os investimentos, pois tinha participação direta e a garantia que o protegeria, ou seja, sua permanência no cargo dependia do empresário. Ele conta que quando Adriana Vandoni (GTCC) o informou sobre o esquema o mesmo já havia se desfeito.

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dois pesos 16/12/2016

Interessante: Para a chapa Dilma/Temer reabriram a investigação da prestação de contas da campanha de 2014 (após a mesma ter sido aprovada sem ressalvas) e a chapa vai ser cassada em 2017 devido ao caixa 2 da lava-jato, tornando-os inelegíveis com a destituição do atual presidente Temer (o famoso golpe dentro do golpe). Por essas bandas do MT, o tesoureiro da campanha de nosso sultão é preso, delatado pelo uso de 10 milhões de caixa 2 na campanha de 2014 - caixa 2 esse que estaria sendo "recuperado" por meio do roubo na SEDUC (confirmado pelo depoimento do ex-secretário da pasta) - e fica por isso mesmo? Não se vê ninguém pedindo a reabertura e a devida investigação da prestação de contas do sultão, para fins de torna-lo inelegível e devidamente deposto do seu atual cargo? Faça uma avaliação/artigo sobre isso para os seus leitores, nobre jornalista.

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dois pesos 16/12/2016

Interessante: Para a chapa Dilma/Temer reabriram a investigação da prestação de contas da campanha de 2014 (após a mesma ter sido aprovada sem ressalvas) e a chapa vai ser cassada em 2017 devido ao caixa 2 da lava-jato, tornando-os inelegíveis com a destituição do atual presidente Temer (o famoso golpe dentro do golpe). Por essas bandas do MT, o tesoureiro da campanha de nosso sultão é preso, delatado pelo uso de 10 milhões de caixa 2 na campanha de 2014 - caixa 2 esse que estaria sendo "recuperado" por meio do roubo na SEDUC (confirmado pelo depoimento do ex-secretário da pasta) - e fica por isso mesmo? Não se vê ninguém pedindo a reabertura e a devida investigação da prestação de contas do sultão, para fins de torna-lo inelegível e devidamente deposto do seu atual cargo? Faça uma avaliação/artigo sobre isso para os seus leitores, nobre jornalista.

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