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Judiciário Terça-feira, 26 de Dezembro de 2017, 14:13 - A | A

Terça-feira, 26 de Dezembro de 2017, 14h:13 - A | A

Procurador diz que Estado deve corrigir falhas antes de novos empreendimentos

Eduarda Fernandes

Gilberto Leite

Procurador Edmilson Pereira

 Procurador de Justiça Edmilson Pereira faz apontamentos para o governador Pedro Taques

Na avaliação doprocurador de Justiça Edmilson da Costa Pereira, para que o Estado volte a prosperar é necessário dedicar pelo menos dois anos a corrigir as falhas existentes. Em visita a sede do , ele afirma que a atual gestão, sob Pedro Taques (PSDB), não assume esse papel e, ao contrário disso, quer empreender. “E aí que nós vivemos um período crítico em termos financeiros e econômicos. Na nossa casa a gente sempre sabe que quando aperta, devemos reduzimos os gastos, a dispensa fica mais vazia, compramos o essencial”, pondera.

Edmilson diz que ainda espera em ver um modelo de gestão que seja efetivamente comprometido com as questões sociais. “Alguém que não tenha sonho de fazer carreira na política”. Ele concorda que há certo receio em aumentar o controle social, sob risco de perda de popularidade, mas pondera que “se você tem como indicador a popularidade, vai fazer medidas populares, né? E aí, sabemos que algumas medidas que têm que ser tomadas são impopulares”.

O procurador entende que o grande desafio da gestão pública é proporcionar educação, saúde e segurança com base, todos construídos com a participação da sociedade, e visando modelos alternativos aos vigentes. “Temos há 30 anos o mesmo modelo e sabemos que não muda”, critica.

O procurador avalia que os desmandos deixados pela gestão do ex-governador Silval Barbosa (sem partido) são fáceis de serem percebidos e isso impactou negativamente a gestão de Taques. “Viemos de um governo que cometeu vários desmandos no Estado. O atual governo fala que pegou o Estado quebrado, e pegou, a verdade é essa”, afirma.

Como exemplo,  cita a Copa do Mundo de 2014, e lembra que os mais críticos sabiam que Mato Grosso não tinha estrutura para receber o evento. “Você não pode trabalhar na gestão pública na base do vai que dá certo. Muitos de nós, inclusive eu, pensou assim. Eu sabia que não tinha como o Estado comportar todo o arrojo, mas torcia para que desse certo. Aí mistura o sonho com real. E administrador público não pode trabalhar nessa perspectiva”.

Gestor público

Edmilson defende que, se analisarmos com cautela, a figura do gestor público tem pouca influência sobre a rotina do cidadão. “Ah, se o Temer quiser ou o Taques quiser você vai ganhar 10 vezes mais. Não tem como isso”, comenta e aponta que até mesmo as questões salariais, que mais afetam a vida do brasileiro, são reflexos da estrutura do Estado como um todo, do modelo econômico vigente.

Emanuel Pinheiro

O procurador admite que não parou para analisar a gestão do prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB), mas ressalta todos tem a obrigação de fazer um bom trabalho. “A obrigação de fazer uma boa gestão é constitucional”, pontua.

Questionado sobre o vídeo em que Emanuel aparece recebendo e guardando maços de dinheiro no paletó, que segundo a delação de Silval era propina, Edmilson evita tecer comentários por conta do cargo que ocupa e por não ter tido contato com o processo relativo a este caso. “Uma coisa é alguém falar em um jogo de futebol sobre prefeito, governador, criticar. Para nós, agentes públicos, que temos a consciência do nosso papel, não podemos fazer isso. Uma coisa é alguém falar em um jogo de futebol sobre prefeito, governador, criticar. Para nós, agentes públicos, que temos a consciência do nosso papel, não podemos fazer isso”.

Politicamente, Edmilson entende que o prefeito cometeu uma falha e deve “se virar para resolver”. Juridicamente, ele reitera não saber o que está no processo contra Emanuel. “Sei aquela imagem que, em tese, evidencia um fato extremamente desonroso, mas não posso emitir juízo de valor como procurador, isso teria que estar na minha esfera para poder analisar”, conclui.

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