Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apostam em uma virada de chave na comunicação do petista para tentar reverter o resultado negativo do primeiro turno das eleições presidenciais. O chefe do Planalto passou a semana em conversas com lideranças partidárias e candidatos eleitos com o objetivo de colher sugestões de mudanças para a reta final da campanha.
Um dos principais problemas apontados pelo entorno de Lula foi a necessidade de o político ampliar sua presença nas redes sociais. No segundo turno, a campanha quer intensificar a mobilização nas ruas e no campo digital em busca de uma virada contra o adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
Em reunião com parlamentares nessa quarta-feira (7/10), Lula cedeu aos apelos de aliados, sobretudo da ala jovem, sobre adotar novos formatos de conteúdo para as redes. Ao longo de toda a campanha, auxiliares defendiam que Lula gravasse mais vídeos em formato de “selfie”, mas ele sempre demonstrou resistência.
A ideia por trás do formato é promover uma comunicação mais “olho no olho”com a população.
Na reunião, Lula ouviu conselhos dos deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSol-SP) e André Janones (Rede-MG) sobre a atuação nas redes. Segundo fontes que participaram do encontro, o presidente chegou a dizer que não gosta de fazer esse tipo de conteúdo, mas reconheceu a importância de falar de forma mais direta para as redes sociais.
Ainda de acordo com parlamentares ouvidos pelo Metrópoles, Lula brincou que acordaria cedo para “falar com celular” e prometeu fazer vídeos todos os dias. A declaração animou o entorno do presidente, que prevê uma “guinada” na comunicação a partir de agora.
“É importante, neste segundo turno, você comparecer para votar porque você tem família, porque você tem filho, porque você tem neto, porque você tem o Brasil para você tomar conta. É muito importante você levantar e votar porque você vai decidir o destino do seu país”, frisou o presidente.
Busca pela virada
O primeiro turno das eleições presidenciais terminou com Flávio Bolsonaro à frente, com 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula.
A diferença final foi de cerca de 2,2 milhões de votos.
Lula agora tem 18 dias para tentar reverter a vantagem do opositor. O segundo turno das eleições ocorre em 25 de outubro.
Nos últimos dias, a equipe na coordenação de campanha possou por mudanças em busca de realinhar a estratégia.
Em um trecho vazado da conversa com parlamentares, Lula foi gravado reclamando da organização, ao afirmar que a campanha deste ano foi a “menos organizada” de que participou desde 1989, quando disputou pela primeira vez o cargo de presidente.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro amplia apoios à sua candidatura. Partidos como Republicanos, União e PP formalizaram apoio ao presidenciável no segundo turno.
“Tropa”
Para reforçar a presença nas redes, Lula conta com uma “tropa” de parlamentares jovens que dominam a linguagem das plataformas. Após o resultado do primeiro turno, o deputado federal André Janones, conhecido pelo estilo beligerante nas redes, criou um canal no WhatsApp para mobilizar apoiadores em torno da campanha. Em três dias, o grupo acumulou 2,1 milhões de seguidores.
Outro nome incorporado à campanha lulista foi o da deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa. Aos 21 anos, ela recebeu 524.219 votos e ficou atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL) na disputa pela Câmara dos Deputados no estado. Com pouco recurso, a campanha da jovem foi concentrada nas redes sociais, onde acumula 2,8 milhões de seguidores.
Ela é uma das principais apostas para melhorar a votação em Lula no estado, considerado estratégico para a reeleição. Em Minas, Flávio terminou o primeiro turno 588.612 votos à frente do atual presidente.
A “bancada jovem” discute estratégias para fortalecer a campanha de Lula no segundo turno. De acordo com a deputada federal eleita Rosa Amorim (PT-PE), entre as ações adotadas, está a mobilização junto às universidades e escolas, além de iniciativas nas redes sociais.
Militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), Rosa foi a candidata do PT mais votada em Pernambuco, aos 29 anos.
“Estamos reunindo a bancada jovem para construir uma agenda de mobilização e nortear o levante da juventude no segundo turno. Um dos primeiros pontos é a mobilização nas universidades, que já estão se movimentando”, afirma a parlamentar eleita ao Metrópoles.
“Estamos construindo a nossa agenda em torno desse giro nas universidades, esse diálogo com o primeiro voto nas escolas e, também, pautando junto à campanha do presidente, a importância de cada vez mais apresentar nesta eleição um projeto de futuro para a juventude, que passa por muitos pontos. A educação é um desses pontos centrais, mas que passa também pelo emprego, renda e segurança pública”, destaca.
Só na quarta, foram publicados nove vídeos em formato “selfie” no perfil oficial de Lula — em três deles, ele fala sozinho para a câmera e, em outros seis, está acompanhado de deputados federais recém-eleitos. Em uma das filmagens, o candidato convoca apoiadores a irem para as ruas buscar voto. Em outro, ele fala sobre números da abstenção no primeiro turno.
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