Polícia

Quarta-Feira, 23 de Novembro de 2016, 18h:53 | Atualizado: 23/11/2016, 18h:54

polêmica

Aluno conta que tenente sentou nas costas de Rodrigo e humilhava turma

Gilberto Leite/Rdnews

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 Mãe de Rodrigo, Jane Claro, diz que ficou chocada com relatos de amigos do filho sobre treinamento

Durante oitivas realizadas pela Corregedoria do Corpo de Bombeiros, na manhã desta quarta (23), um dos alunos que ajudou a retirar Rodrigo Claro, de 21 anos, da Lagoa Trevisan após o treinamento, relatou com riqueza de detalhes como a tenente Izadora Ledur de Souza, agiu na prova. “Nisso veio a tenente (Izadora) e deu uns caldos nele, e quando eu via, tentava puxar ele para cima. A tenente estava em cima dele, pelas costas, para tentar afogar o Claro”, disse no depoimento.

Segundo relatos, a tenente costumava ser cruel com os alunos do curso, com palavras torturava psicologicamente tanto as meninas como os rapazes. “Ela cuspia na cara dos alunos, jogava água na cara e humilhava as alunas”.

Os pais de Rodrigo foram ouvidos nesta manhã pela Corregedoria do Corpo de Bombeiros, e somente no sábado (26) prestarão esclarecimentos na Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP). “O medo é que este caso caia no esquecimento, assim como outros do tipo, e só venha a se resolver daqui a anos ou se torne inconclusivo. Em paralelo ao trabalho da polícia e da Corregedoria, a família também busca elucidar o que realmente aconteceu, para que isso não se repita com outros”, desabafa Jane Claro, mãe de Rodrigo, à reportagem do .

De acordo com o advogado da família, Júlio Cesar Lopes, oitivas estão sendo realizadas com testemunhas do acontecido. Além disso, vídeos e imagens do treinamento também serão analisados ao longo da apuração.

Durante a coletiva de imprensa realizada na terça (22), o coronel reforçou que a tenente não deve ser considerada como culpada antes que as investigações sejam finalizadas. “Nós não comungamos com esse tipo de atitude. Vivemos em um estado de direito no qual o acusado é inocente até que se prove o contrário. Temos que dar pelo menos o benefício da dúvida à tenente”.

Gilberto Leite/Rdnews

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 Sdvogado da família, Júlio Cesar Lopes, diz que oitivas já ocorrem e  vídeos e imagens do treino serão analisados

Descaso

Jane diz que ficou chocada com relatos de alguns amigos do Rodrigo. “Pedi para pararem. É muito difícil como mãe saber que isso aconteceu com ele. Ele chegou 30 minutos antes para a prova, nos falamos, e o último contato que pude ter com o meu filho foi ele dizendo, por mensagem, que não estava bem e que estava indo para a coordenação. Depois só vi meu filho de olhos fechados”, conta.

Outro detalhe importante que ela relata foi que, quando Rodrigo chegou no comando geral, disse que estava passando mal e não acreditaram. “Fizeram chacota com ele. Rodrigo precisou falar firme que realmente não estava bem. E quando foi para a Policlínica do Verdão foi caminhando”.

Conforme a mãe, quando o pai de Rodrigo chegou na unidade hospitalar, ele já tinha tido duas convulsões. “Ninguém nos contou nada. Quando me ligaram perguntando se ele tinha plano de saúde, eu disse que sim, e que era para levá-lo para um hospital particular, mas isso somente aconteceu quando meu esposo chegou lá. Nós é quem levamos para o hospital”, afirma.

Omissão de socorro

O comandante alega que, apesar de não haver ambulância para acompanhar o treinamento com 37 alunos, havia um carro de apoio da corporação. Ele sustenta que só não foi usado, porque o aluno não teria informado aos superiores a situação.

Em decorrência das investigações, cinco oficiais e sete praças, que atuam na Diretoria de Ensino da Corporação, foram afastados até a conclusão do IPM. O coronel bombeiro Alessandro Borges Ferreira, responsável pelo IPM, espera concluir a investigação até, no máximo, 20 de dezembro. "Garanto que todos os 36 alunos da turma serão ouvidos e que o nosso objetivo é esclarecer todos os fatos que ocorreram durante o treinamento. Poderá, inclusive, haver uma reconstituição dos fatos", afirma.

Sobre a possibilidade de haver divergências ao final da conclusão do IPM e o inquérito da Polícia Civil, sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na opinião do comandante, o que deve ser considerado é a apuração da corporação, por entender se tratar de fato ocorrido durante treinamento e, por isso, ser da esfera militar.

Aluno mandou mensagem à mãe relatando abusos; tenente é afastada

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Comentários (9)

  • João Menna Neto | Quinta-Feira, 24 de Novembro de 2016, 18h16
    7
    0

    Marota demais a conversa desse Comandante do Corpo de Bombeiros. Fede a extremado corporativismo. Diante o comportamento inadequado do Coronel/Comandante do CB, a autoridade maior do Estado, o Sr. Governador, já deveria tomado uma atitude com relação ao mesmo, ou seja, não seria demais já tê-lo exonerado. A sociedade está cansada de palavras vazias e omissão. Quer ação!!!!

  • Alex r | Quinta-Feira, 24 de Novembro de 2016, 15h46
    7
    0

    Bom digo o seguinte o comandante e a responsável são culpados e ponto. O comandante por negligência e a responsável pelo feito, comandante culpar falecido pelo erro de vocês é absurdo. A pessoa não tem sinal de que vai morrer , vocês tem treinamento e negligenciaram e ainda acobertam? Não gente isso é ridículo, se houver justiça e consciência vocês deviam assumir o erro , que exageraram e que estão fazendo corporativismo. Quando uma pessoa é acuada ela não vai pedir ajuda pro algoz , ali o inconsciente do jovem deve ter falado mai alto e visto todos como inimigos pq deixaram isso acontecer até aquele ponto. Parabéns ao colega que tentou dar suporte.

  • dauzanades | Quinta-Feira, 24 de Novembro de 2016, 10h17
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    1

    NÃO ADIANTA O ALTO COMANDO MILITAR DIZER QUE NÃO SABIA E NÃO SÃO CONIVENTES. SÃO SIM, POIS É DO CONHECIMENTO DE TODOS, INCLUSIVE DOS POLÍTICOS E DA JUSTIÇA. ACONTECE QUE O COOPERATIVISMO IMPERA E TAMBÉM A OMISSÃO. POIS ISTO OCORRE, PORQUE O GRAU DE INSTRUÇÃO MORAL É TROGLODITA, MEDIAVAL. POIS É ASSIM QUE É O FUNDAMENTO MILITAR E DE OUTRAS FORÇAS POLICIAIS. É MUITO RETROCESSO E MUITA CARA DE PAU DAREM DECLARAÇÕES DE PANOS QUENTES. ESTE SISTEMA DE TORTURA ACHAR QUE FAZ SER MAIS MACHO OU FEMINISTA, SÓ TEM NA CABEÇA DE PESSOAS FRUSTRADAS, COMO ESTES QUE APLICAM E OS QUE PROTEGEM E AINDA QUEREM SE IMPOR COM ARROGÂNCIA DE MILITAR OU COISA TAL. POIS PATENTE SÓ SERVE PARA QUEM É MILITAR, PARA NOS CIVIS, PATENTE NADA SIGNIFICA, AINDA MAIS QUANDO SE TEM IDIOTAS TROGLODITAS NO COMANDO. VALE A PENA LEMBRAR QUE NEM TODOS, MAS A MAIORIA NO BRASIL.

  • Giltinho | Quinta-Feira, 24 de Novembro de 2016, 09h34
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    1

    Ela cuspia na cara dos alunos, jogava água na cara e humilhava as alunas” texta da reportagem. Sendo verdade, esta senhora tenente, ja deveria estar mofando la na cadeia junto com o Silval Barbosa, dando sangue pra mosquito da pernalonga. Meu Deus que crueldade e covardia né. Polo jeito, ela deveria ter sido excluída das fileira da PM, ja que ta manchando o nome da corporação e o nome do Estado de MT já foi noticia nacional no Brasil inteiro, e mundial por sites e rede sociais. Governador, presta atenção, morreu um pai de família e vai ficar só no blablablablabla, ja que segundo reportagem, ela já é residente em torturas em treinamentos anteriores.

  • SERVIDORA | Quinta-Feira, 24 de Novembro de 2016, 08h36
    20
    1

    Será que essa tenente não tem filhos? Não é mãe? E como deve ter sido a criação dessa mulher? Ela é uma pessoa transtornada com serios problemas pscicológicos. Realmente Coronel, essa tenente não deve ser considerada como culpada antes que as investigações sejam finalizadas, pois, ao fim das investigações ela será CULPADA e deve ser como penalidade sua prisão e ser expulsa da corporação e dos quadors de servidores do Estado. Ela não só acabou com a imagem da Corporação como também, a imagem de segurança que o Corpo de Bombeiros passa infelizmente por inconsequencias de oficiais que não são humanos e sim animais, a população deixa de confiar, ao ver tamanha crueldade naqueles que tem o dever de prestar socorro, salvar vidas. QUE JUSTIÇA SEJA FEITA ! A vida do aluno falecido não tem como trazer de volta, ela não só tirou a vida dele, como também o futuro, os sonhos... colocando tristeza, dor na família e uma imagem ruim da Corporação.

  • Sanchez | Quinta-Feira, 24 de Novembro de 2016, 07h24
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    1

    Como esta a cabeça dessa Tenente? Assim, depois de fazer tudo isso no treinamento de novos praças, depois ter que conviver com eles. Como em um filme de treinamento dos marines americanos, pelo prazer de mostrar "poder" ou só pra sacanear, a vitima ter depois do ato consumado ter que conviver pacificamente com seu estuprador. A pior e a tortura mental (psicológica) que esse jovem passou, a maior prova e a gravação para a mãe, isso não tem como negar. Na pior das hipóteses a tenente cometeu essa tortura que extrapola o limite do físico. Muitos militar adoram serem durões, ou seja, a Tenente e FODÃO. Só que no final, os pais choram a perda do filho amado. Senhora mãe nos a sociedade não esqueceremos isso, essas torturas em treinamento tem que acabar.

  • Sávio Ribeiro - Advogado MT | Quarta-Feira, 23 de Novembro de 2016, 23h28
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    2

    Essas práticas de humilhação em cursos da forças de segurança no Estado de Mato Grosso devem ser banidas definitivamente. A Assembleia Legislativa do Estado deve aprovar lei de iniciativa do executivo proibido essa ilicitude. O Estado é a muito tempo omisso. Não é o primeiro caso e nem será o último se nada for feito.

  • Elza de araujo leite | Quarta-Feira, 23 de Novembro de 2016, 23h00
    30
    2

    Sentir prazer com o sofrimento do outro e um sinal de psicopatia.

  • Davi | Quarta-Feira, 23 de Novembro de 2016, 22h03
    24
    3

    Só mais um pobre morto. Essa é a visão do estado. Isso já se tornou comum em Mato Grosso. Não adianta a mídia denunciar, vão esperar cair no esqyecimento.

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