Um miniestádio localizado no Jardim Florianópolis, em Cuiabá, conhecido como Arena Florida, era usado pelo Comando Vermelho para difundir e promover o nome da facção e de Paulo Witer Farias Paelo, apontado como liderança da organização criminosa. Isso é o que aponta as investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil.
A informação veio com a deflagração da Operação Apito Final, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do tráfico de drogas na Capital.
No local, é possível ver sinais, símbolos e marcadores do espaço onde constam o nome do time de futebol amador “Amigos W.T.” - time que, segundo a GCCO, é usado como fachada pela organização criminosa para lavagem de dinheiro do CV.
Diante da situação revelada pelas invesntigações, a 11ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa da Capital e a Coordenadoria do Núcleo de Ações de Competências Originárias Criminal (Naco) emitiram uma notificação recomendatória para a Prefeitura de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer
No documento, assinado pelos promotores Mauro Zaque de Jesus e Carlos Roberto Zarour, é requerido ao município para que, além de revogar a cessão que autorizou a utilização do espaço público, também faça a remoção de todos os sinais, símbolos e marcadores do espaço onde constam o nome do time de futebol.
“Que imediatamente retome a posse do imóvel para que o Município não permita mais o acesso de nenhuma dessas pessoas envolvidas nas investigações que apuram fatos gravíssimos. E que em cinco dias sejam retirados todos os sinais, símbolos e marcadores do espaço público que está com o time de futebol”, cita trecho da recomendação.
Por meio de nota emitida na manhã desta quarta-feira (10), a Prefeitura de Cuiabá afirmou que irá seguir as recomendações do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e retirará os símbolos existentes na Arena Floripa.
Sobre a revogação da autorização do uso do espaço público, o Executivo esclareceu que o espaço está cedido para a Associação de Moradores do bairro Jardim Florianópolis e que não existe nenhuma parceria ou qualquer tipo de associação para obras do miniestádio.
A Prefeitura também afirmou que irá “manter o diálogo com os entes, com o intuito de manter a transparência e comprometimento com a integridade em todas as ações”.
Investigação
Conforme a GCCO, o uso do espaço público no Jardim Florianópolis foi identificado como forma de promover e difundir o nome de Paulo Witer Farias Paelo, apontado como tesoureiro da facção e responsável por gerenciar o tráfico de drogas na região.
“Entre as condutas criminosas praticadas estão a promoção de atos assistencialistas para inserir a organização criminosa no meio da sociedade. É clara a intenção da facção criminosa de se aproximar da comunidade daquele bairro, especialmente das crianças, visando difundir a ideologia do crime e da violência”, assinalou o delegado Rafael Scatolon, um dos responsáveis pela investigação.
“Entre as condutas criminosas praticadas estão a promoção de atos assistencialistas para inserir a organização criminosa no meio da sociedade. É clara a intenção da facção criminosa de se aproximar da comunidade daquele bairro, especialmente das crianças, visando difundir a ideologia do crime e da violência”
Rafael Scatolon, delegado da PJCA Arena Floripa foi pichada com frases e nomes do time de Paulo Witer, em cores que fazem alusão à facção criminosa. O local era utilizado para treinamentos e disputas de jogos amadores, inclusive o tradicional Peladão da capital. O time foi constituído e é mantido com a finalidade clara e exclusiva de lavar o dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
“O estádio, embora seja um espaço do poder público, aparentemente atende apenas aos interesses do investigado, que fez, inclusive, a abertura de pessoa jurídica relacionada ao seu time de futebol. WT é um amante do futebol, então ele queria esbanjar seu poderio financeiro construindo essa arena e fazendo ali, talvez, escolinhas de futebol, para continuar lavando o dinheiro", observou o delegado Gustavo Belão, da GCCO.
As investigações apuraram que, além do uso do espaço público no Jardim Florianópolis, a organização criminosa começou a construir um centro esportivo no Jardim Umuarama, também na Capital, um dos empreendimentos do líder criminoso que teriam o investigado Andrew Nickolas Marques dos Santos como “testa de ferro”. O espaço ocuparia 10 lotes residenciais com a construção de dois campos de futebol, academia, lojas e lanchonetes.
Andrew, também preso na operação, foi identificado como peça fundamental para a organização criminosa chefiada por Paulo Witer, sendo um dos responsáveis pela compra e venda de imóveis e veículos para mascarar a movimentação do dinheiro do WT.
Conforme os delegados, a construção da Arena Vip também foi financiada com o dinheiro do tráfico e tinha o objetivo de dar aparência lícita aos valores obtidos pela organização. "Além disso, o WT é um amante do futebol, então ele queria esbanjar seu poderio financeiro construindo essa arena e fazendo ali, talvez, escolinhas de futebol, para continuar lavando o dinheiro", pontuou o delegado da GCCO.
Apito Final
A operação foi deflagrada no dia 02 de abril, com a finalidade de descapitalizar a organização criminosa e cumpir 54 ordens judiciais que já resultaram na prisão de 21 alvos.
A investigação da Gerência de Combate ao Crime Organizado apurou, no período de dois anos, que a organização movimentou R$ 65 milhões em bens móveis e imóveis adquiridos para lavar o dinheiro da facção. (Com informações da assessoria da PJC)
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