O policial militar aposentado preso nesta sexta-feira (03) pela Polícia Federal foi identificado como Dejair Silvestre dos Santos. Ele foi detido durante cumprimento de mandados de busca e apreensão em mais uma fase da Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo advogados, lobistas, empresários, assessores, chefes de gabinete e magistrados. O militar foi preso em Primavera do Leste (a 231 km de Cuiabá), na casa de Andreson de Oliveira Gonçalves, lobista apontado como nome central do esquema.
Conforme apurado pelo
, Dejanir atua como segurança particular de Andreson. Ele foi preso por obstrução à Justiça, por supostamente tentar esconder um celular após a chegada da PF na casa do alvo.
Ainda nesta sexta, ele foi trazido de Primavera do Leste para a sede da PF, em Cuiabá, em uma viatura da corporação. Por meio de nota, a defesa do PM lamentou a exposição do sargento e salientou que ele colabora com a Justiça.
“A defesa lamenta a exposição do sargento Silvestre e reafirma que estará presente na audiência de custódia, que inicialmente será conduzida no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), por juiz designado pelo ministro Cristiano Zanin. O sargento está comprometido em colaborar com a Justiça e esclarecer todos os fatos que se fizerem necessários”, diz trecho.
A operação foi deflagrada de forma sigilosa e teve Andreson como principal alvo. Os mandados cumpridos nesta manhã contra o lobista seriam por suspeita de que ele estaria descumprindo as medidas cautelares. O celular do empresário foi apreendido durante a ação.
A ação contra o lobista acontece pouco mais de dois meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) conceder prisão domiciliar a Andreson. A medida foi tomada após ele aparecer praticamente irreconhecível depois de passar 8 meses preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e na Penitenciária Federal de Brasília, a "Papuda". Enquanto estava preso, perdeu muito peso, aparecendo em um estado esquelético.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, Andreson fazia a ponte entre empresários e o advogado Roberto Zampieri (assassinado em dezembro de 2023), que, por sua vez, utilizaria sua influência enquanto jurista para manipular decisões judiciais em favor dos seus clientes. A suposta atuação do lobista seria garantir o contato com figuras do Judiciário e facilitar o pagamento de vantagens indevidas.
Operação Sisamnes
A Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024, levou à prisão de diversos investigados por envolvimento em uma organização criminosa que atuava na venda de decisões judiciais em processos milionários.
Após sua prisão, a defesa de Andreson vinha alegando condições de saúde debilitadas, chegando a dizer que o lobista estaria passando fome em sua cela, além de alegarem ausência de condenação definitiva como argumentos para a concessão da prisão domiciliar. O lobista cumpre medidas cautelares enquanto aguarda o andamento do processo.
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