O delegado Marcel Gomes de Oliveira, do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), negou vazamento da operação que mirou o ex-prefeito de Pontes e Lacerda e candidato a deputado estadual (a 448 km de Cuiabá), Alcino Barcelos (PL), por supostas fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa em contratos da Prefeitura entre 2017 e 2024. As buscas foram autorizadas pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJMT), Orlando Perri, que deve receber o relatório da operação ainda nesta sexta-feira (25), conforme detalhou o delegado, que apura atos de improbidade administrativa ou corrupção.
A equipe do Naco chegou à sede do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) nesta tarde, vinda de Pontes e Lacerda, com documentos, dinheiro e uma arma apreendidos na casa de Alcino. Ele não estava no local durante o cumprimento do mandado de busca em apreensão. Segundo o delegado, Alcino foi abordado em Pontes e Lacerda quando retornava de uma agenda em Mirassol D'Oeste.
"Diante dessas buscas, foram achados alguns elementos ali, foram arrecadados, apreendidos e ainda hoje estaremos passando todos os relatórios necessários para o desembargador relator [...] Não houve vazamento, foi 100% exitosa a operação. Posteriormente, nós localizamos ele na cidade e foi dado o cumprimento à busca pessoal nele e o celular que ele estava [usando] foi apreendido", manifestou ele.
Conforme o Naco, foram identificados sete contratos entre a empresa e a administração municipal. Desses, cinco foram firmados entre 2022 e 2023 e totalizaram cerca de R$ 4,7 milhões. Com a atualização monetária, o valor alcança R$ 5,78 milhões.
Em vídeo publicado em seu perfil do Instagram, Alcino questionou o motivo da ação não ter sido deflagrada anteriormente, mas sim, às vésperas da eleição do dia 4 de outubro.
Operação
Nesta sexta, foram cumpridas 12 ordens judiciais contra agentes públicos e empresários. Além do suposto favorecimento à empresa, também foram identificadas movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis vínculos entre servidores públicos e particulares.
As investigações também apontaram possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e particulares relacionados às contratações. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também identificaram movimentações financeiras suspeitas.
A investigação também identificou a compra da propriedade rural Estância Rancho Fundo I pelo ex-prefeito Alcino. De acordo com a apuração, a negociação previa o pagamento por meio da entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore. Os investigadores não encontraram registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.
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