Heróis fictícios enfrentam vilões irreais, salvam a cidade e fazem sucesso na tela do cinema. Na fronteira Brasil-Bolívia, um grupo de militares encara rotina perigosa de combate a criminosos reais e de alta periculosidade, como os narcotraficantes. Destemidos, embrenham na mata ou no pantanal mato-grossense, com ideias mirabolantes e destreza. Por isso, são chamados de "heróis verdes" ou "guerreiros camuflados".
A reportagem do
acompanhou em Porto Esperidião (a 300 km de Cuiabá) seleto grupo de 150 homens que passam de sete a 21 dias longe de familiares e filhos com um único objetivo: proteger 980 km de fronteira entre seca e alagada, com foco em atuar contra o narcotráfico. Este seleto grupo é o Gefron. Foi criado para proteger os limites da fronteira, uma vez que Mato Grosso fica na rota internacional do tráfico de drogas.
Gilberto Leite
Heróis reais, que lidam com diversas dificuldades, os militares do Gefron ficam longe de parentes e amigos por longos períodos, trabalhando na fronteira
Em 1997 a Polícia Internacional (Interpol) mapeou pelo menos 20 pontos de entrada no Brasil de drogas produzidas em países vizinhos e destinadas ao mercado europeu. O mapeamento fez parte das investigações da polícia e Justiça da Itália sobre as atividades internacionais das máfias italianas.
Mário Okamura
Confira, acima, o ranking das pessoas presas pelos militares, que são encaminhados para delegacias especializadas
Sete Estados brasileiros constam no mapa do tráfico internacional: Amazonas, Acre, Rondônia, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Carregamentos de cocaína, heroína e maconha ingressam no Brasil pelas fronteiras com Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai. No relatório os destaques de ineficiência eram para a falta de policiamento ou a precariedade neste setor.
Mas o que mudou em Mato Grosso 16 anos depois da criação do Gefron?
Destaque internacional em ações de enfrentamentos contra os crimes de fronteiras, em parceria com a Polícia Federal, o Gefron tem apreendido mais drogas que países do primeiro mundo.
Um exemplo disso é os Estados Unidos, que gastam mais de US$ 700 milhões ao ano para fiscalizar a fronteira com o México, que tem 3.141 km de comprimento, e é facilmente patrulhável, devido à vegetação desértica. Assim mesmo, a região é muito instável e os problemas de segurança são notórios. No comparativo, não tem apreendido a mesma quantidade de drogas que o Gefron. O trabalho do agrupamento de Mato Grosso tem inclusive impedido que quilos de cocaína entrem no país estadunidense.
Mário Okamura
Dados, acima, mostram resultados da atuação do Gefron entre 2014 e 2018 na fronteira entre Mato Grosso e Bolívia
Pela maneira eficaz de proteger a fronteira, o Gefron vem ganhando destaque.
Criado em 2002, entrando em operação em 2003, a unidade completou em março deste ano, 16 anos. Fiscaliza 28,6 % dos 3.423 km de fronteira entre Brasil e Bolívia, incluindo todos os Estados na divisa. O trabalho é difícil, árduo. Eles atuam contra invasões, carros roubados, saques a fazendas, roubo de gado e o narcotráfico.
Antes disso, a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia, segundo moradores, era uma "terra de ninguém". Para se ter uma ideia, de janeiro a abril deste ano, o Gefron apreendeu 1,816 toneladas de drogas, registrou 108 ocorrências e cumpriu 22 mandados de prisão na região.
O grupamento ainda tirou de circulação 2.450 quilos de produtos contrabandeados e recuperou 76 veículos. Duas aeronaves usadas por criminosos para o tráfico de entorpecentes também fazem parte das apreensões, além de 21 armas, 305 munições de diversos calibres, US$ 3.395 e R$ 221.744 em espécie.
Gilberto Leite
Tenente-coronel PM José Nildo, comandante do Gefron, dá explicações sobre as operações feitas na rotina pelo grupamento na região de fronteira de MT
Os policiais fazem patrulhamentos pelas rodovias, estradas vicinais, operações, barreiras fixas e volantes. São três postos de fiscalização: Matão (Pontes e Lacerda), Vila Cardoso (Porto Esperidião) e Avião Caído (Cáceres), além da base do grupamento em Porto Esperidião. O
viajou em companhia do comandante do Gefron, tenente-coronel PM José Nildo, e o Sargento Vitor, que apresentou alguns postos do grupamento e o intenso trabalho que fazem.
Para o comandante José Nildo, as apreensões são resultado de ações integradas entre a Polícia Federal e Polícia Civil através da Delegacia de Fronteia (Defron). “Essa parceria das demais forças de segurança com o núcleo de inteligência do Gefron somado ao patrulhamento diário da unidade tem resultado nesses grandes índices”, comemora.
O tenete-coronel destacou o empenho da tropa nos trabalhos de segurança em 980 km de fronteira com a Bolívia. Além do compromisso, destaca a honestidade dos policiais, que zelam pelo nome da instituição.
Mas quem pensa que o Gefron é apenas masculino está enganado. Conta com três mulheres que atuam tão ativamente quanto homens. Um exemplo disso é a tenente Ladislaine, de 25 anos, que está no grupo há sete anos. No momento em que a reportagem estava no posto em Porto Esperidião, a oficial retornava de uma ocorrência em que recuperaram um carro oficial da prefeitura de Cáceres.
“Passamos sete dias, rodamos em operação e rondas. O trabalho é difícil, mas gratificante, a cada vez que recuperamos um carro roubado, antes mesmo de chegar à Bolívia ou realizamos uma apreensão de entorpecentes fazemos uma festa”, aponta.
“O trabalho é difícil, mas gratificante”
Além dos 150 oficiais que compõem o grupamento, o Gefron ainda conta com 11 cães que auxiliam na apreensão, busca e resgate. O grupo tem o maior e melhor canil de Mato Grosso. Ente os animais, está o Bart, pastor alemão de um ano e meio, e dois labradores, a Darinha e a Pink, especialistas em explosivos e mata fechada. O Fênix é um pastor belga, responsável por captura e busca em mata fechada.
O canil fica no posto do Gefron em Cáceres. Os animais são submetidos a treinamentos diários dados por policiais civis, militares e bombeiros.
Segundo o soldado Thalisson, "o cão é uma arma poderosa na localização de entorpecentes e pessoas desaparecidas”.








Flavio Ramalho dos Santos 12/05/2018
Parabéns aos valorosos homens e mulheres que compõe o GEFRON. São as sentinelas da fronteira que trabalham incansavelmente, diuturnamente, sob todas as mais variadas condições climáticas muitas vezes de maneira anônima em prol da sociedade mato-grossense. Por isso declino aqui o meu mais sincero muito obrigado
Leovaldo Sales 11/05/2018
Nós palmilhamos todo esse chão fronteiriço, tomamos chuva, passamos fome, dormimos por várias noites com o carro quebrado ou atolado a espera de socorro, lutamos contra muitas circunstâncias desfavoráveis, mas mostramos para nós mesmos que é possível vencer, ser útil, dar exemplo e não sucumbir as facilidades da corrupção ou de qualquer outro crime...Por isso quero render homenagens aos companheiros do GEFRON que ja partiram: escrivã de policia ELAINE, soldado DISNEY, cabo SHUÍNA...A estes heróis minha CONTINÊNCIA. FRONTEIRAAAAA
MAX CAMPOS - INDEA 11/05/2018
MATÉRIA E REPORTAGEM NOTA MIL! PARABÉNS A EQUIPE DO RDNEWS PELA BRILHANTE OPORTUNIDADE DE MOSTRAR O BELISSIMO E IMPORTANTÍSSIMO TRABALHO DOS GUARDIÕES DA FRONTEIRA. Fronteiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
jao 11/05/2018
Esqueçam BBB's, neymar, etc....esses são nossos verdadeiros heróis! Parabéns a todos.
natanaelschifferliel@gmail.com 11/05/2018
Neste pela matéria , venho parabenizar a cada servidor desta maravilhosa força , dentro de tantas outras ligada diretamente a Secretaria de Segurança Publica do Gigante estado de MT . Parabenizar também a Policia Civil e Federal e Rodoviária , aonde com paciência e fé e muita determinação em fazer o certo , fazem a diferença em tempos de DELAÇÕES e tantas falca truas apresentados pelos nossos POLÍTICOS e ASSESSORES mostram 2 caminhos o CERTO E ERRADO , Mas esta mesma classe de POLÍTICOS tentam como sempre com SORRISOS E ABRAÇOS E APERTOS DE MÃO FALSOS enganar a população , com mentiras e falsas promessas . Nós sociedade desejamos Proteção e Visão e Paciência a todos ligado a Segurança Publica , não posso esquecer dos valorosos AGENTES PRISIONAIS . Aqui sou eu TUKINHA NETTO DE CUIABÁ-MT
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