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Quinta-Feira, 06 de Setembro de 2007, 09h:05 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Mais tarde, na sala de justiça...

     É alarmante: no ano de 2020 há uma tendência de que setenta e cinco por cento do PIB mundial seja composto por produtos que não existem hoje (fonte: World Future Society). E tem mais: o mesmo estudo diz que no mesmo ano (2020), o conhecimento estará se duplicando a cada oitenta e três dias! Ou seja, de três em três meses, todo o conhecimento do planeta estará duplicado. É a tecnologia em direção ao futuro. Isto é uma maravilha! Mas é aí que mora o perigo!
     Tenho observado um comportamento muito assustador por parte dos pais. Nós, pais, estamos tentando enfiar "goela abaixo" a tecnologia para os nossos filhos. Você pode estar pensando: "Este cara é louco. Primeiro ele fala que tecnologia está revolucionando o mundo, depois diz que os pais não estão corretos em forçar o uso da tecnologia para os seus filhos!". Tudo bem, eu tentarei explicar.
     As pessoas que viveram a sua infância e sua adolescência a partir da metade do século passado, até a década de setenta, sentem uma grande dificuldade em lidar com a tecnologia de hoje. Abominam os computadores. Mas, elas não passaram por transformações tecnológicas naquela época? Claro que sim! Elas viram o rádio assumir a dinâmica da comunicação. Assistiram a TV surgir, fazer história e se adaptaram bem. Com o computador, realmente já foi diferente! Na verdade, as crianças daquela época também davam "baile" nos pais nos comandos da TV. Meu pai sempre soube mexer na TV. Meu avô sentia mais dificuldades. Na década de oitenta, eu era craque no "Atari". Meu pai nem sabia o que era isso. Hoje, nas poucas vezes em que me aventurei a jogar futebol com o tal do Play Station, eu apanhei que nem gente grande. Jogo pior que o meu Corinthians!
     O que eu quero dizer com isso? Meus companheiros de paternidade e maternidade, quero dizer que não vai adiantar a nós empurrarmos os computadores nas crianças em nome da tecnologia. Ouço as pessoas dizerem: "Meu filho de quatro anos sabe tudo de computador, eu deixo ele brincar o dia inteiro. Ele tem que se preparar para o futuro". Meus amigos, esse tipo de computador que temos hoje não existirá mais em 2020, quando nossos filhos estiverem no mercado de trabalho. No início da minha juventude, meu sonho era ter um Del Rey (alguém se lembra?). Quer deixar seu filho ultrapassado: deixe ele ficar o dia inteiro na frente do computador em nome de seu futuro! Mais tarde, na sala de justiça...
     Outro fator: celular. Para que deixar crianças com celular o dia inteiro? Estudos comprovam os malefícios dos raios transmitidos pelo celular (alguns minutos de conversação já aumentam a temperatura da região da orelha em 1º C; há recomendação de estudiosos que os homens não deveriam usar o celular na cintura, visto que os raios podem provocar esterilidade; o celular deixado no bolso da camisa já foi caso de arritmia cardíaca devido a interferência de seus raios no coração). E isso para adultos, imagine para crianças. Deixe seu filho com celulares em nome da tecnologia, de prepará-lo para o futuro. Mais tarde, na sala de justiça...
     O uso exagerado de MP3, MP4, etc. também traz prejuízos (o uso exagerado, diga-se bem). Estamos num ponto onde não toleramos mais o silêncio, visto que ficamos o dia inteiro com o fonezinho no ouvido, ou com uma música ou TV ligada. O silêncio nos incomoda. Mas, através do silêncio, podemos ouvir a nossa voz interior ("entra no silêncio longe dos outros, que as palavras se dirão" - Catedral, o Silêncio).
     Eis o grande dilema: o mundo está mudando rapidamente. Não adianta treinar seu filho hoje com as ferramentas de hoje. Seu filho tem que ser parte da criação do futuro, não mero utilizador de ferramentas. Temos que criar condições de nossas crianças cada vez mais aprenderem a ouvir (não o MP3, mas a voz que vem dentro). Temos que preparar as nossas crianças para lidar com o novo, não com o que já tem. Enfim, temos que preparar nossas crianças para serem humanos, para utilizarem a tecnologia a seu favor e que possam dizer a ela (parafraseando Frejat) quem é mesmo o dono de quem.

Claudinet Antônio Coltri Júnior é consultor organizacional nas áreas de marketing, gestão de pessoas, coordenador e professor universitário do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras ( junior@coltri.com.br )

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