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Sexta-Feira, 18 de Maio de 2007, 10h:46 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Os meios e os fins

     Lula acha chata a programação dos seus cem canais a cabo e diz que só vê os campeonatos de futebol europeus. Mas, para justificar a TV pública, se queixa de que não há debates na televisão aberta. Diz que gostaria que fossem discutidos democraticamente temas como o aborto, o etanol e o PAC. Mas para que, se nem ele mesmo vai ver? Quem vai ver um debate desses? A dona-de-casa, depois de um dia de trabalho e dos filhos? O trabalhador, de manhã, antes de ir para a fábrica? Em vez da novela, do show e do      futebol?
Uma rede de TV é para ser vista por muita gente. Para comunidades, grupos de interesse e segmentos específicos existem as TVs comunitárias e universitárias, muito mais baratas, onde todos têm direito de se expressar livremente para quem quiser ouvir.
     O povão, que não pode ver o futebol europeu e as séries americanas, merece educação, cultura e diversão de qualidade numa TV paga com seus impostos. Vai pagar R$ 250 milhões para que a TV pública vá ao ar e tem todo direito de exigir bons programas, reais opções à programação das emissoras nacionais e locais. Mas, em qualquer TV séria do mundo, inclusive estatais, se ninguém, ou quase, vê um programa, ele sai do ar e entra outro. A regra vale, com mais rigor, para uma TV movida a dinheiro público. Se ninguém vê, para que TV?
     Mas as estatais, em vez de tentarem melhorar a qualidade do que produzem e a quantidade dos seus espectadores, agora querem, além de mais dinheiro, um ibope estatal, com "novos parâmetros de aferição de audiência e qualidade que contemplem os objetivos para os quais a TV pública foi criada".
     Em vez de cuidar da febre, querem um termômetro companheiro. O pior é que montar um ibope custa mais caro do que uma TV.

Nelson Motta é jornalista da Folha de S. Paulo

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