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Quarta-Feira, 12 de Dezembro de 2007, 04h:29 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

Artigo

Os políticos os puxa-sacos e o Serviço Publico

     Puxa-saco é aquele cara que começa a rir antes mesmo do chefe terminar a piada. Tanto no Poder Executivo como no Legislativo tem pelo menos um? Veja como lidar com esses bajuladores de plantão.

     A história da humanidade está cheia de puxa-sacos. Eles são parasitas que florescem a sombra de quem tem poder. “O puxa-saco não nasce, ele brota”. Você convive com pelo menos um deles em seu trabalho, porque qualquer órgãos tem um puxa-saco de plantão.

     O legítimo puxa-saco transforma respeito em veneração. O que o chefe pedir, o puxa-saco faz. E quando chefe não pede, ele se oferece para fazer. O puxa-saco chega antes do chefe e não vai embora enquanto o chefe não for. E gosta de mostrar uma intimidade que não existe. Na festinha de aniversário do chefe, é ele quem puxa o coro do pique-pique. Ele até tem uma frase reveladora: "Chefe, sem querer ser puxa-saco”!

     Se é desprezado ou criticado, o puxa-saco não se encolhe e nem desiste. Pelo contrário, ele aumenta a dose de puxa-saquismo. Infelizmente, a grande maioria dos políticos, principalmente os detentores de mandatos, adora a companhia de um assessor puxa-saco, a tradicional figura do bajulador. Mas a vida do servidor público não é uma tarefa fácil mesmo, pois ainda tem que conviver com falsos moralistas, picaretas, hipócritas e espertalhões.

      Os políticos (salvo raríssimas exceções) adoram os puxa-sacos por serem adeptos da pratica da bajulação. Esta figura desprezível, dentro de sua versatilidade, consegue interpretar e conviver com a maior tranqüilidade. Ele é servil, dedicado, submisso, esforça-se ao máximo para agradar, submete-se a qualquer sacrifício, não tem preconceito nem partido político, não torce por nenhum time de futebol, está sempre disposto, é inimigo do mau-humor, não guarda rancor e ainda trata seu ídolo de doutor.

      Detentores de mandato não buscam na grande maioria das vezes,verificar estas figuras. Altas autoridades têm sido também vítimas passivas de informações distorcidas, induzido-as ao erro ou a injustiça. Muitas decisões infelizmente têm sido tomadas com base unicamente em fofocas ou em pareceres medíocres.

      O profissional de bajulação torna-se tão versátil que, mesmo em ocasiões de troca de poder, facilmente consegue inverter a situação a seu favor. Não importa o vencedor do pleito. Situação ou oposição, o importante é o poder, sua área sagrada de atuação, esteja constituído, o resto ele sabe interpretar. Tipo camaleão, transforma-se rapidamente em fervoroso defensor da bandeira de quem esteja comandando.

      Analisando as ocorrências políticas e os fatos históricos, podemos chegar efetivamente a triste conclusão de que este mal está vencendo os "espaços" para o bom profissional, a valorização de servidores, o respeito para com o cidadão simples, perde para aqueles inescrupulosos que por pressão, chantagem ou através da fofoca acabam mesmo assumindo posições e posições.

      No campo político-administrativo, parece até que quanto mais safadeza tiver no currículo, mas chance tem de galgar altos cargos ou altos salários. Por conta da fofoca ou de boato, servidores altamente qualificados são menosprezados ou simplesmente ignorados por gestores públicos. Para os funcionários de carreira o drama é terrível. Estes são quase via de regra colocados sob suspeição, assim que os novos parlamentares são eleitos. Os "bonzinhos e competentes", são aqueles que estão chegando.

     Instala-se assim uma "zona de guerra", aonde antigos servidores são rechaçados sem terem feito absolutamente nada, mas acabam rotulados, condenados e prejudicados. O certo é que o mal está vencendo, porque os filhos das trevas são habilidosos em suas artimanhas e armações. Enquanto presenciamos de forma angustiante, o mal proliferando, os bandidos sempre se dando bem, os picaretas cada vez mais organizados, os ladrões de luxo seguramente protegidos, os falsos defensores fazendo seus acertinhos, e os políticos hipócritas com àquela cara de imundice, nos resta apenas clamar a Deus, a fim de que possamos levar uma vida tranqüila e serena, com toda dignidade no serviço público.

      A fofoca e o puxa-saquismo são os grandes males do serviço público. Sem dúvida alguma, estas "doenças" permeiam a administração pública e ganham notável ênfase no âmbito do parlamento. A cada dia novas ocorrências de lamentáveis casos de prejuízos de servidores públicos em decorrência da ação de uma fofoca, da falta de escrúpulo de um espertalhão.

      O serviço público agoniza-se. O puxa-saco, também conhecido por lambe-botas, baba-ovo, cheira-cheira, ou qualquer outro nome que se queira dar, é aquele elemento (homem ou mulher) que conserva o incontrolável hábito de não medir esforços para agradar alguém, de preferência superior na hierarquia. Seu vício é pior que a droga, é capaz de moldar o corpo e a alma. Os danos em alguns casos são irreparáveis.

     Funcionários são colocados em funções marginais por conta da fofoca ou da falta de escrúpulo de um maldito puxa-saco. No âmbito da administração pública, em seus diferentes níveis – federal, Estadual e Municipal, pode se verificar a institucionalização do puxa-saco. "Endeusar" o chefe é o mais corriqueiro.

     Tem puxa-saco espalhado em todo o Estado, e com disposição de fazer rigorosamente qualquer coisa para agradar o chefe. O fato é tão preocupante, que seguidas vezes, os gestores têm errado por conta de se deixar influenciar pela ação de assessores puxa-saco, que via de regra, despreparados, buscam nesta vergonhosa ação, aproximar-se ainda mais do poder, eliminar concorrentes ou eventuais ameaças e assim sendo se firmarem em suas posições ou cargos.

     Para o puxa-saco vale tudo, o que importar é agradar o chefe. Alguns conseguem se sobressair de tal forma que viram até mesmo autoridade. Outros são tão apelativos que quase sempre deixam seus superiores em situação comprometedora ou constrangedora. O preocupante é que o puxa-saco na ânsia de ganhar a estima e atenção do chefe acaba prejudicando seus companheiros de trabalho.

       Por causa do puxa-saco, são incontáveis os registros de pessoas perseguidas na administração pública por pertencerem a outro partido. Na grande maioria das vezes, as vítimas "julgadas e condenadas" sem direito a defesa, não sabem por que foram exoneradas, demitidas ou execradas daquele grupo, e quando sabem, não conseguem ter acesso para expor sua versão a respeito dos fatos.

      É preciso então atenção redobrada para diagnosticar prematuramente um vírus desta estirpe. Um puxa-saco profissional pode ser detectado à distância. Suas características principais: acentuada flexibilidade na coluna, pronta para concordar com tudo em forma de complemento oriental; o excessivo derramamento de elogios, sugestões (mesmo descabidas); sorrisos e ternura com o ser protegido, podendo ainda, em situações de contrariedade, tornar-se agressivo na defesa de seus ídolos.

      A figura do puxa-saco não é um vírus exclusivo do Executivo. O maldito tem uma carreira mais rápida no âmbito da área política. Inventam até pareceres ou normas, que via de regra não passa mesmo de quem quer vender uma imagem de austeridade, competência e zelo pela coisa pública. Tudo balela, geralmente são amadores, querendo "vender" sabedoria, mas infelizmente, tem quem "compre".

      O que muitos desconhecem é que além das questões relacionadas à calúnia e difamação, a fofoca no âmbito institucional, deve ainda ser considerada como uma ocorrência de assédio moral.

      Senhor Nosso Deus de infinita bondade. Neste momento de grande turbulência, abençoais os nossos deputados, o nosso governador, o nosso Prefeito, e ao povo que convive com os puxa saco, queremos justiça, pedimos a tua proteção e a tua benção e a tua graças, aos mais humildes e perseguidos servidores públicos injustiçados, e a todos os funcionários de todas as autarquias. 

       Dejair Soares é publicitário, pós-graduado em gestão pública, gestão de estado e cidades e gestão ambiental.

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