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Terça-Feira, 31 de Julho de 2007, 16h:01 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Um timinho, e tanto

      Foram poucos os que se dispuseram a ir, no horário de trabalho, enfrentando este sol cuiabano e as intimidações veiculadas nos órgãos da imprensa local. Mas vaiamos Lula, e isso só já basta!

     Segundo as palavras do prefeito de Cuiabá em seu discurso, juntos não daríamos um time de futebol de salão. Ele disse também não era um movimento do PSDB, seu partido, o que, aliás, eu mesma fiz questão de afirmar. Era uma manifestação de pessoas honestas e trabalhadoras que não precisam do aval de partido político para exercerem a cidadania. Um “timinho de futebol de salão” que sabe que a manifestação popular, mais do que um direito, é um dever dos cidadãos conscientes. O compromisso desse “timinho de futebol de salão” que vaiou Lula é com os princípios de cada um, coisinhas básicas, sabe, esquecidas pela maioria dos políticos.

    Para esse grupo, os pecados do presidente não são redimidos através de recursos públicos, afinal, esse recurso, se vier, não é do presidente, não é do PT. É do povo brasileiro e a sua aplicação é obrigação de todo governante. Pena saber que parte desse dinheiro também sirva para rechear cuecas. A impressão que fica é que o fato de prometer dinheiro, absolve Lula de todos os erros cometidos. Então é assim? Basta pagar? Recursos públicos agora compram honra e caráter? Engraçado, na camada menos favorecida da população esse tipo de ação se chama bolsa-família. Neste caso então, poderíamos chamar de “bolsa-prefeito”?

     O postura de Wilson Santos, como executivo, estava correta, a oposição não feita pelo executivo, mas, pecou com um infeliz discurso. Não se vanglorie da intimidação, prefeito. Faça e seja merecedor de aplausos. Haja com compromisso à sua história tantas e tantas vezes, exaustiva e enfadonhamente contada e recontanda em seus discursos. Diferente do empresário Blairo Maggi que simplesmente não tem história nem compromisso com posturas públicas. Sua visão é privada. Lastimo que os senhores pretendam fazer de Mato Grosso um curral de vacas amestradas. Todas empunhando bandeirolas e saudando o grande líder Lula.

     Sobre a manifestação, sim, não houve um público de 1.000 pessoas, não usamos ônibus para o transporte de cabos eleitorais e nem ameaças de perda de emprego. Quem compareceu foi por livre vontade e soube da manifestação através de blogs e telefonemas feitos apenas na segunda-feira a tarde. Por outro lado, fomos notícia. Enfim Mato Grosso saiu na imprensa nacional sem que houvesse o nome de esquema de corrupção montado, nem escândalos no meio ambiente. Não é fantástico? Matéria sobre Mato Grosso sem sanguessuga, sem Nero – o incendiário de florestas ou aloprados e mensaleiros. Não que eles tenham sumido daqui, mas deviam estar todos dentre as 1000 pessoas que escutavam o presidente Lula no Centro de Eventos Pantanal.

    Portanto, valeu! Não houve uma mobilização profissional, o público que compareceu foi o esperado. Recusamos o uso de transporte para manifestantes, o objetivo não era esse, era apenas o de demonstrar o nosso descontentamento, um direito legítimo, apesar das intimidações com o uso até de helicópteros para nos abafar. Até a segunda-feira à tarde não havia nem a intenção de vaiar de fato, até por um pedido do próprio prefeito, feito na sexta-feira. Durante o fim de semana fui procurada por diversas pessoas, militantes ou não de partidos políticos. Quando algumas lideranças da base do PSDB me ligaram eu disse para não se envolverem, para evitar um embaraço ao prefeito “companheiro” de partido. Não por medo de zanga, mas para não confundir o ato de cidadãos com militantes do partido.

    Besteira minha, a política deve ser feita com paixão, não em gabinetes e diretórios. Abdicar desses momentos é ir contra a lógica da política.

Mas, aos que vêem isso como fracasso do ato, eles não imaginam os apoios recebidos pelos que por lá passavam a caminho do trabalho. Éramos um grupo que, segundo o prefeito, não dava um time de futebol de salão, mas pautamos seus discursos. Isso é a glória! Lula usou quase meia hora de sua fala, para comentar as vaias do “timinho”.

    Sabe, uma vez um antigo político, já falecido, me disse que a pior espécie de político é o “político folha”. Fiquei curiosa em saber o que significava e ele respondeu: é aquele que muda de lugar ao sabor do vento.

    Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ (blog: www.prosaepolitica.com)

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