Marcado por polêmica, BRT deve ter 43 ônibus e 46 estações; veja o projeto
Projeto do Governo de MT prevê que modal registre 150 mil embarques por dia e que tempo de espera nas estações varie entre 3 e 10 minutos
Reprodução/Governo de MT
Em meio à polêmica e muita resistência para construção em Cuiabá por parte da Prefeitura, o BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) - novo modal de transporte coletivo escolhido pelo Governo de Mato Grosso para operar na Capital e em Várzea Grande - se encontra em fase de implantação e, quando pronto, deverá operar com 43 veículos que passarão por 46 estações em diferentes regiões, divididas em duas linhas. Isso é o que prevê o projeto da Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT).
Atualmente cercado de incertezas, o projeto foi orçado em R$ 468 milhões. O modal escolhido pelo Governo do Estado para substituir a obra inacabada e onerosa do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) passou a ser implantado pelo Consórcio Construtor BRT Cuiabá, vencedor da licitação, em abril de 2023 e possui frentes de trabalho em execução nas duas cidades, nas avenidas da FEB, em Várzea Grande - onde a previsão é de liberação da pista ainda no primeiro semestre deste ano - e Historiador Rubens de Mendonça, na Capital. Em Cuiabá, aliás, houve mudança no canteiro de obras inicial, uma vez que o Governo anunciou o início da execução pela região do Porto, que faz conexão direta com Várzea Grande, onde o projeto já está adiantado.
Conforme a Sinfra, a operação dos veículos será dentro do contrato de concessão atual. Para o trajeto, o modal vai utilizar um corredor expresso, no canteiro central, preservando o número de pistas que já existem nas vias das cidades. Ao todo, o modal terá extensão de 35 km, sendo que 8,9 km estarão localizados em Várzea Grande e os demais 26 km em Cuiabá. A pasta estima que o tempo de espera entre os ônibus irá variar de três a 10 minutos, dependendo da região e a previsão é de que o BRT registre 150 mil embarques por dia.
Arte: Rodinei Crescêncio/Rdnews
Segundo o projeto, a linha 1 vai sair do terminal André Maggi e seguir até o Terminal do CPA, passando pelas seguintes estações: Várzea Grande Shopping, Aeroporto, Couto Magalhães, Bairro da Manga, Avenida da Feb, Cristo Rei, Rua Abelardo de Azevedo, Júlio Muller, Porto, Dom Aquino (Binário do Porto), Major Gama (Binário do Porto), Av. Dom Bosco, Praça Bispo Dom José, Morro da Luz, Av. Mato Grosso, Parque Cidade Verde, Av. Miguel Sutil, Bosque da Saúde, Terra Nova, Centro Político, Praça das Bandeiras, Av. Historiador Rubens de Mendonça (Av. do CPA) e Hospital do Câncer.
A volta deverá ser feita pelo mesmo caminho, porém no trecho do Binário do Porto, as estações serão nas avenidas XV de Novembro e Senador Metelo. Lembrando que o Terminal André Maggi não funcionará no mesmo local que é hoje, devendo ser reconstruído depois do Aeroporto Marechal Rondon. No entanto, a localização exata ainda não foi informada - veja no mapa abaixo:
Arte: Rodinei Crescêncio/Rdnews
Já a linha 2 deverá passar por 20 estações, saindo do Terminal do Coxipó até a Praça Santos Dumont, no Centro de Cuiabá. Nesse traçado, estão previstas estações nos seguintes pontos: Parque Ohara, Maria Dimpina, Horto Florestal, Sangri-lá, Av. Carmindo de Campos, UFMT, Jardim das Américas, Av. Miguel Sutil, Jardim Guanabara, Rua Miranda Reis, Praça dos Bandeirantes, Morro da Luz, Praça Alencastro (Centro) e Av. Getúlio Vargas (Centro).
O retorno deverá ser feito pelas mesmas estações, exceto no "arco" do Centro de Cuiabá, que passa pela Praça Bispo, Praça Rachid Jaudy, Av. Isaac Póvoas e Rua Estevão de Mendonça. Confira:
Arte: Rodinei Crescêncio/Rdnews
O projeto da obra prevê, além da construção das estações e do novo Terminal André Maggi, a execução da obra dos terminais da região do Coxipó e do CPA, bem como um viaduto para passagem do BRT sobre a rotatória das avenidas Fernando Corrêa da Costa e Beira Rio, uma nova ponte sobre o Rio Coxipó, a criação de um parque linear na Avenida do CPA e a requalificação do Largo do Rosário.
O Consórcio Construtor BRT Cuiabá, que executa as obras, é formado pelas empresas Nova Engevix Engenharia, Heleno & Fonseca Construtécnica e Cittamobi Desenvolvimento em Tecnologia.
Obra em andamento
Em janeiro, as obras do BRT foram iniciadas em Cuiabá, na Avenida do CPA, nas proximidades do Comando Geral da Polícia Militar. Neste primeiro momento, o Consórcio trabalha no sistema de drenagem no canteiro central. Após a execução deste serviço, os trabalhos vão avançar para a construção da pista de concreto, incluindo a remoção da capa asfáltica e execução da terraplanagem.
A obra na Capital é polêmica, pois ao contrário do que ocorre em Várzea Grande, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) é contra o BRT, e tenta, a todo custo, emplacar o "VLT cuiabano". O Município chegou a, inclusive, tentar embargar a obra iniciada na Capital, alegando falta de licenças para execução do projeto. O Ministério Público Estadual entrou na discussão e intermediou uma reunião entre a Prefeitura e o Governo do Estado, cobrando explicações.
O governador Mauro Mendes (União Brasil), no entanto, bancou a continuidade do projeto com base nas licenças estaduais, disse que segue a legislação e acionou a Justiça, que recentemente deu razão ao Estado e aval para prosseguimento da obra - inclusive com uso de força policial, se necessário.
Atualmente, Emanuel tenta conseguir recursos do PAC do Governo Federal para a implantação do modal sobre trilhos, que reduzia o projeto inicial do VLT, retirando o trecho de Várzea Grande, onde as obras do BRT seguem a todo vapor.
Reprodução/Governo de MT
BRT x VLT
A decisão de troca do VLT pelo BRT foi tomada pelo Governo de Mato Grosso em dezembro de 2020, a partir de decisão judicial que determinou rescisão contratual com o consórcio do VLT.
Em 2019, o Governo acionou o Consórcio VLT na Justiça, pedindo ressarcimento e indenização aos cofres públicos pela não finalização das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), prevista para 2014.
A ação foi impetrada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), que também requereu que o consórcio faça a venda dos vagões do VLT, adquiridos erroneamente. A mudança foi aprovada pelo Conselho Deliberativo Metropolitano da Região do Vale do Rio Cuiabá (Codem/VRC).