Cuiabá, 17/09/2026

Lançamento de uma obra construída por quem vive a política todos os dias

Rodinei Crescêncio/Rdnews

 

Nos últimos anos, a comunicação política passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante no debate público. Em um cenário marcado pela velocidade da informação, pela superexposição digital e pela disputa permanente por atenção, comunicar tornou-se uma necessidade inescapável para governos, mandatos, partidos, lideranças e instituições. Mas comunicar não é apenas aparecer.

Essa é justamente uma das reflexões centrais presentes no livro Caminhos da Comunicação Política – Estratégias, Experiências e Tendências da Consultoria Política na América Latina, que será lançado no próximo dia 25 de junho, às 18h, durante o COMPOL Brasil, em Florianópolis.

No artigo que assino no livro, defendo que a comunicação política precisa ser entendida como um processo contínuo de construção reputacional. Em outras palavras, reputação não se cria; reputação se constrói

A obra reúne 21 autores de quatro países da América Latina, consolidando-se como um dos mais relevantes projetos editoriais recentes dedicados ao estudo e à prática da comunicação política no continente. Mais do que uma coletânea acadêmica, o livro representa um encontro de experiências, visões e metodologias desenvolvidas por profissionais que atuam diariamente nos bastidores de campanhas eleitorais, mandatos, governos e instituições públicas.

O lançamento acontece em um ambiente simbólico. O COMPOL Brasil tornou-se, ao longo dos anos, o principal espaço de encontro dos profissionais de comunicação política da América Latina. Integrado ao Summit Cidades, o evento reúne milhares de participantes entre consultores, estrategistas, gestores públicos, pesquisadores, jornalistas e lideranças políticas para discutir os desafios contemporâneos da comunicação, da gestão e da democracia.

Participar dessa obra coletiva possui um significado especial porque reforça uma convicção que tem orientado minha trajetória profissional: a comunicação política não pode ser compreendida apenas como uma ferramenta de visibilidade eleitoral.

No artigo que assino no livro, defendo que a comunicação política precisa ser entendida como um processo contínuo de construção reputacional. Em outras palavras, reputação não se cria; reputação se constrói.

Vivemos uma época em que métricas de alcance, curtidas e visualizações frequentemente são confundidas com influência e legitimidade. No entanto, a política continua sendo, acima de tudo, uma relação social baseada em confiança.

A comunicação pode ampliar uma mensagem, mas não substitui a ação. Pode dar visibilidade a uma entrega, mas não cria resultados inexistentes. Pode fortalecer uma reputação, mas não sustenta por muito tempo aquilo que não encontra correspondência na prática.

É justamente nesse ponto que a discussão proposta pelo livro se torna relevante. Os diferentes autores apresentam perspectivas diversas sobre estratégia, posicionamento, narrativa, campanhas, gestão de imagem e tendências da comunicação política contemporânea, mas convergem em um aspecto fundamental: a necessidade de profissionalização e amadurecimento do setor.

A política latino-americana enfrenta desafios cada vez mais complexos. A fragmentação das audiências, a desinformação, a polarização e a velocidade das mudanças tecnológicas exigem profissionais preparados para compreender não apenas ferramentas, mas também comportamento humano, formação de opinião pública e construção de confiança.

Nesse contexto, compartilhar conhecimento deixa de ser apenas uma atividade acadêmica e passa a ser uma contribuição para o fortalecimento da própria democracia.

O lançamento de Caminhos da Comunicação Política representa exatamente isso: a reunião de diferentes experiências, trajetórias e aprendizados em uma obra que busca ampliar o debate sobre o papel estratégico da comunicação na política contemporânea.

Mais do que apresentar respostas prontas, o livro propõe reflexões. Reflexões sobre como construir relações mais sólidas entre representantes e representados. Sobre como transformar ação em percepção. Sobre como criar coerência entre discurso e prática. E, principalmente, sobre como construir reputações capazes de atravessar os ciclos eleitorais.

Em um tempo marcado pela efemeridade, talvez essa seja a maior contribuição que a comunicação política possa oferecer: ajudar a construir confiança.

E confiança, assim como reputação, não surge de um momento. Ela é resultado de um processo, um processo que se constrói todos os dias.

Em breve, um lançamento do livro também em Cuiabá para os meus conterrâneos.

Mariana Bonjour é advogada e consultora política. Escreve com exclusividade para esta coluna às sextas-feiras