Sagrado Sal serve com requinte, abre escola de gastronomia e escolhe chef fixo
Rodinei Crescêncio
A costela angus em tiras acompanha batatas rústicas, vinagrete e arroz. Ela tem toques delicados, assim como outros pratos servidos na casa há um ano
O povo cuiabano tem sede de novidade, sempre lotam os novos “points” e, por isso, são raros restaurantes que permanecem com a mesma proposta por longa data. É nisso que acredita o proprietário do Sagrado Sal, Paulo Sempio. E, por isso, ele manteve uma proposta de inovação durante um ano, ao constatar que, apesar de sempre permitir a recriação de cardápios, também acha importante que o restaurante tenha uma identidade.
Por este motivo, em uma nova fase, o Sagrado Sal propõe algo novo. Desde que abriu as portas, foram mais de cento e oito pratos na casa e a preocupação de manter os valores mais “acessíveis” ao público. Fator que foi potencializado através do conceito de uma cozinha compartilhada com grande rotatividade de chefs cuiabanos e de outras regiões do Brasil.
Galeria: Sagrado Sal completa um ano
Foram vinte e oito cozinheiros que passaram pela casa, e as assinaturas seguem fixadas nas paredes do restaurante, diferente das ideias que ficam em constante movimento - por conta das inúmeras histórias e experiências que se entrelaçaram entre talheres e receitas servidas na casa.
Rodinei Crescêncio
Paillard de filé com fettuccine alfredo é servido com flores, sabor é suave e carne deixa prato mais incorpado. No restaurante, a receita ficou por 1 semana
Novas propostas
O proprietário Sempio conta que, no mês de setembro, além de inaugurar uma escola de gastronomia, o local também inicia com outra ideia, que é a de ter um cozinheiro chef fixo no estabelecimento. “Como se passou um ano da proposta compartilhada, o Sagrado Sal também irá criar uma identidade. Tem gente que gosta de ser surpreendida e de coisa diferente, mas outras querem saber o que vão encontrar”, comenta.
Rodinei Crescêncio
Até nos detalhes o afeto é distribuído pelo local
Já sobre a escola, em um dia do mês haverá aulas gratuitas para quem se interessar por gastronomia e quiser entender melhor algumas técnicas de cozinha. Quem irá ministrar também será o novo chef da casa, Miguel Angelo. O que não vai impedir que, em outros momentos, os chefs que quiserem contribuir com seus conhecimentos nas aulas, além de compartilhar a cozinha ou assinar os pratos, terão essa oportunidade.
A escola, em um dia do mês, terá aulas gratuitas para quem quiser aprender e não serão apenas para cozinheiros profissionais, mas para amantes da gastronomia. “Eu mesmo não sou cozinheiro, mas a minha paixão é cozinhar. Sou cuiabano e percebi que tem muita gente boa da boqueta pra dentro, ou melhor, de onde sai o prato pra dentro. A maior parte das pessoas que fazem esses pratos nunca aparece, e quase ninguém sabe quem são. O que a gente faz, é dar a oportunidade para jovens e antigos cozinheiros mostrarem seus talentos e as assinaturas”, defende.
Miguel traz ideias para o Sagrado Sal desde que o restaurante abriu as portas. E, para ele, é um voto de confiança que também o preenche de expectativas seja na troca de ideias com outros profissionais, o desafio de padrão de qualidade com preços acessíveis e inovação. “É possível transformar um ingrediente mais simples em um prato mais saboroso e sofisticado, tudo também depende da técnica que ele é feito e servido. Isso pode transformar o sabor e fazer que ele seja vendido por um preço mais em conta”, descreve o chef.
Sabores servidos
Durante a entrevista, Paulo mostrou onde o restaurante serve suas refeições no dia a dia e, além dela, o espaço que tem na parte de cima com uma cozinha e salão de festa ou eventos, que é onde ele disponibilizará uma escola de gastronomia.
Rodinei Crescêncio
Quem irá ministrar a cozinha fixamente será o chef Miguel Angelo, diz que aceitou o desafio com afeto e desde o início ajuda com ideias no estabelecimento
O cardápio, servido naquela tarde, ainda seguia o formato do que foi proposto por um ano. E, entre as opções, foram servidas as receitas de paillard de filé com fettuccine alfredo, por R$ 38, e uma saborosa costela angus em tiras acompanhada de batatas rústicas, vinagrete e arroz branco, também por R$ 38. Alguns drinks exibidos pela equipe como pina colada, o drink especial do sagrado sal e um coquetel de frutas, todos preparados por um barman da casa.
Além de opções como estas, há algumas receitas diferenciadas como salmão com risoto de brie e damasco e outros peixes com cortes especiais ou entrecote que acompanhou arroz de roti, cebola caramelizada, tomates confit, alho e batata assada. Todos, propostos por chefs que passaram pela casa, nenhum prato ainda fixo. Apenas uma dinâmica tem sido firmada nos últimos tempos, e feito sucesso, que é o de todas as terças servirem uma entrada, cinco tipos de risoto e sobremesa por R$ 32.