Cuiabá, 18/09/2026

Advogado acusado de atropelar e matar idosa em VG vai a júri popular

A idosa foi atropelada e morta enquanto atravessa a Avenida da Feb em janeiro deste ano

Por uninanimidade, a Turma de Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), determinou que o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos será julgado pelo Tribunal do Júri. O jurista é acusado de atropelar e matar a idosa, Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, de 72 anos, em janeiro deste ano, na Avenida da Feb, em Várzea Grande. A decisão foi proferida no último dia 07.

Reprodução

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O relator do caso, desembargador Lidio Modesto da Silva Filho, afirmou em seu voto que o laudo de evitabilidade apontou que o acidente poderia ter sido evitado e os elementos técnicos e circunstanciais encontrados podem configurar dolo, quando há intenção de matar, na conduta do motorista. 

Segundo o magistrado, que argumentou com base no laudo pericial, o advogado poderia ter freado enquanto estava a mais de 100 metros de distancia da idosa, que inciou a travessia da via enquanto estava a 185,5 metros do carro. Além disso, ele enfatizou a fuga do local, sem que a vítima recebesse socorro. Em depoimento, o advogado chegou a dizer que seu carro foi atropelado. 

"O laudo de evitabilidade apontou que a vítima já havia iniciado a travessia da via quando o veículo conduzido pelo investigado se encontrava a 185,5 metros de distância, concluindo, ainda, que, mesmo trafegando em velocidade estimada entre 101 km/h e 103 km/h, em via cujo limite permitido era significativamente inferior, havia possibilidade técnica de imobilização do automóvel em 103,8 metros", diz trecho do voto. 

Em depoimento, o advogado chegou a dizer que seu carro foi atropelado pela idosa e negou a fuga. Posteriormente, ele alegou que teria fugido do local por medo de sofrer alguma "barbaridade"

O desembaragador ainda destacou que o advogado não freou ou desviou da vítima, que foi atingida quando já se aproximava do canteiro central. Outro ponto levantado foi a alegação do advogado de que a medicação para emagrecimento, Mounjauro, teria comprometido sua plena consciência durante a condução. Para a turma julgadora isso não afasta a gravidade concreta da conduta e deve ser apreciada em conjunto com os demais dados.

"O mesmo exame pericial consignou não haver vestígios de frenagem, desvio de trajetória ou qualquer outra manobra evasiva, além de registrar que o cenário era de plena visibilidade, em horário diurno e sob condições climáticas normais.

Conforme a decisão, mesmo com elementos que podem levar ao entendimento da conduta como dolo eventual, o caso que deverá ser apreciado no momento processual oportuno, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. 

"A elevada velocidade desenvolvida em via urbana, aliada à plena visibilidade da vítima, à concreta possibilidade de evitar o impacto e, sobretudo, à ausência absoluta de reação por parte do condutor, constitui quadro fático que, ao menos neste momento processual, não autoriza o afastamento prematuro da imputação dolosa" diz trecho da decisão. 

Relembre o caso 

Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, de 72 anos, foi atropelada em 20 de janeiro de 2026, por volta das 9h50, na Avenida da FEB, em Várzea Grande. O acidente ocorreu no momento em que a vítima atravessava a via e foi atingida pelo veículo Fiat/Toro, conduzido pelo advogado. Com o impacto, ela foi arremessada para a pista contrária, onde também foi atingida por um segundo veículo, Fiat/Strada, e morreu no local. Partes do corpo da mulher ficaram espalhados pela avenida. 

 

O advogado foi preso preventivamente e alegou efeitos colaterais sofridos pelo Mounjauro para revogar a prisão. O pedido da defesa foi negado e ele permanece preso. 

Histórico criminal

Paulo Roberto possui dois homicídios em seu histórico criminal, sendo o primeiro ocorrido em 1998, quando ele era policial civil no estado do Rio de Janeiro e teria matado o delegado Eduardo da Rocha Coelho a tiros, dentro de uma viatura policial.

À época ele chegou a ser preso, mas conseguiu fugir, vindo para Mato Grosso, onde mudou de nome, tornando-se o empresário Francisco de Ângelis Vaccani Lima. Em 2004, ele teria matado Rosimeire Maria da Silva, de 19 anos, que, supostamente, seria a amante dele. A jovem foi acusada de traição e morreu asfixiada em uma banheira de um quarto de motel, em Juscimeira.

O caso ganhou repercussão devido à atitude a sangue frio de Paulo Roberto, que teria decapitado o corpo da jovem e cortado os dedos dela, em uma tentativa de atrapalhar as investigações policiais. Além disso, ele ainda teria descartado partes do corpo nos rios São Lourenço e das Mortes. 

A verdadeira identidade de Paulo foi descoberta após ele prestar depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde ainda teria se jogado do quarto andar do prédio em uma tentativa de fuga. Entretanto, acabou hospitalizado em Cuiabá.