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ATROPELAMENTO NA FEB

Advogado que matou idosa em VG alega ter fugido do local por medo de sofrer “barbaridade”

Defesa do motorista pediu prisão domiciliar, mas pedido foi rejeitado pela Justiça

Maryelle Campos

O advogado, Paulo Roberto Gomes dos Santos, que atropelou e matou, Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, de 72 anos, na última terça-feira (20), em Várzea Grande, alegou ter fugido do local por “medo de o pessoal chegar e fazer uma barbaridade”. A fala foi realizada durante seu depoimento online nesta quarta-feira (21). 

Reprodução

advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos

Sob condução do delegado Christian Alessandro Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), o acusado foi questionado sobre sua fuga e retorno ao local somente após percorrer 3 km. Segundo o próprio relato, o advogado estava pressionado. 

“Mas eu estava pressionado, doutor. Eu estava pressionado. O pessoal estava ali, estava pressionando.  Eu só fui lá, tá, quando tinha garantia que eu ia chegar lá, porque eu estava com medo de o pessoal chegar e fazer uma barbaridade comigo”, disse. 

O delegado ainda questionou em qual velocidade o motorista estava no momento em que atropelou a idosa. A resposta dada foi de que ele estava entre 60 a 70 km por hora.

A defesa de Paulo Roberto ainda entrou com pedido de prisão domiciliar afirmando que ele está em tratamento médico, mas o pedido foi negado e a prisão preventiva foi mantida. Conforme avaliação do juiz da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, Pierro de Faria Mendes, o acusado demonstrou desprezo pela vida. 

Carteira da OAB suspensa temporariamente

Após a repercussão do acidente e do vídeo que mostra o momento exato em que a idosa foi atropelada, o que evidenciou que o motorista não tentou desviar e nem frear, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT), determinou a suspensão temporária do registro de exercício profissional - que vinha sendo mantido mesmo diante do histórico criminal do advogado. 

Histórico criminal

Paulo Roberto possui dois homicídios em seu histórico criminal, sendo o primeiro ocorrido em 1998, quando ele era policial civil no estado do Rio de Janeiro e teria matado o delegado Eduardo da Rocha Coelho a tiros, dentro de uma viatura policial.

À época ele chegou a ser preso, mas conseguiu fugir, vindo para Mato Grosso, onde mudou de nome, tornando-se o empresário Francisco de Ângelis Vaccani Lima. Em 2004, ele teria matado Rosimeire Maria da Silva, de 19 anos, que, supostamente, seria a amante dele. A jovem foi acusada de traição e morreu asfixiada em uma banheira de um quarto de motel, em Juscimeira.

O caso ganhou repercussão devido à atitude a sangue frio de Paulo Roberto, que teria decapitado o corpo da jovem e cortado os dedos dela, em uma tentativa de atrapalhar as investigações policiais. Além disso, ele ainda teria descartado partes do corpo nos rios São Lourenço e das Mortes. 

A verdadeira identidade de Paulo foi descoberta após ele prestar depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde ainda teria se jogado do quarto andar do prédio em uma tentativa de fuga. Entretanto, acabou hospitalizado em Cuiabá. 

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