Cuiabá, 17/09/2026

Advogado acusado de matar idosa na Feb é solto com tornozeleira e proibido de dirigir

Soltura foi determinada após o TJMT mandar a primeira instância reavaliar a necessidade da prisão preventiva

Preso preventivamente desde janeiro de 2026, o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos teve a soltura determinada pelo juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande. Ele responde pelo atropelamento e morte da idosa Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, de 72 anos, ocorrido na Avenida da FEB em 20 de janeiro. 

Com a nova deliberação judicial, o réu obteve o direito de responder ao processo em liberdade, devendo, contudo, cumprir uma série de medidas cautelares alternativas, incluindo o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica e a proibição imediata de dirigir.

Reprodução

 No detalhe, Paulo Roberto Gomes dos Santos e a vítima Ilmis Dalmis Mendes da Conceição

A ordem de soltura deu cumprimento a uma decisão recente da desembargadora Gabriela Knaul Albuquerque, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que estipulou o prazo de 48 horas para que o juízo de primeira instância reavaliasse a necessidade de manter o motorista encarcerado.

O caso teve uma reviravolta jurídica determinante depois que a denúncia inicial do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que considerava o atropelamento um homicídio com dolo eventual - quando se assume conscientemente o risco de causar a morte -, foi desclassificada para homicídio culposo, situação em que não há a intenção de matar nem a aceitação deliberada do resultado trágico.

A mudança declinou a competência do Tribunal do Júri para uma vara criminal comum. O MPMT interpôs recurso, sustentando a existência de indícios de dolo eventual, mas a impugnação ainda não foi julgada pelo TJMT.

O réu terá de comparecer mensalmente ao fórum para justificar suas atividades, não poderá se ausentar da comarca onde reside por mais de oito dias sem aval judicial, precisará recolher-se em casa durante a noite e nos dias de folga e está terminantemente proibido de manter qualquer tipo de contato com testemunhas arroladas no processo. Sua carteira de habilitação continuará suspensa por tempo indeterminado.

O caso

Como já publicado pelo #rdnews, Ilmes foi atropelada em 20 de janeiro de 2026, por volta das 9h50. O acidente ocorreu no momento em que a vítima atravessava a via e foi atingida pelo veículo Fiat/Toro, conduzido pelo advogado. Ela foi arremessada contra outro veículo, não resistiu e morreu no local.

Testemunhas relataram que Paulo Roberto estava em alta velocidade pela pista. Além disso, disseram que após a batida, o motorista fugiu do local e só voltou após ser abordado por um policial que estava de folga, que havia presenciado o acidente e o seguiu.

Em depoimento, o advogado alegou que passou mal enquanto dirigia, momentos após o acidente, e chegou a ser encaminhado ao Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande (PSMVG), porém, segundo o delegado Christian Cabral da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran) disse ao #rdnews, “ele [Paulo] foi mesmo para o hospital e, lá, o médico falou que não tinha nada e liberou ele”.

Em juízo, o Paulo negou a fuga. Ele afirmou que, por não morar em Várzea Grande e não conhecer os acessos e retornos locais à direita, seguiu o único trajeto que conhecia para fazer a conversão de retorno, que era a rotatória situada próxima ao aeroporto.

Além disso, só ficou sabendo da morte da idosa quando foi abordado pelo policial em um semáforo fechado. Tanto que, nesse momento, ligou para a esposa informando sobre o acidente e retornou voluntariamente ao local. Ele também disse que só estava em alta velocidade para realizar uma ultrapassagem.

Histórico criminal

Paulo Roberto possui dois homicídios em seu histórico criminal, sendo o primeiro ocorrido em 1998, quando ele era policial civil no estado do Rio de Janeiro e teria matado o delegado Eduardo da Rocha Coelho a tiros, dentro de uma viatura policial.

À época, ele chegou a ser preso, mas conseguiu fugir, vindo para Mato Grosso, onde mudou de nome, tornando-se o empresário Francisco de Ângelis Vaccani Lima. Em 2004, ele teria matado Rosimeire Maria da Silva, de 19 anos, que, supostamente, seria a amante dele. A jovem foi acusada de traição e morreu asfixiada em uma banheira de um quarto de motel, em Juscimeira.

O caso ganhou repercussão devido à atitude a sangue frio de Paulo Roberto, que teria decapitado o corpo da jovem e cortado os dedos dela, em uma tentativa de atrapalhar as investigações policiais. Além disso, ele ainda teria descartado partes do corpo nos rios São Lourenço e das Mortes.

A verdadeira identidade de Paulo foi descoberta após ele prestar depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde ainda teria se jogado do quarto andar do prédio em uma tentativa de fuga. Entretanto, acabou hospitalizado em Cuiabá.