Esquema no Detran originou no gabinete de Savi e ajudou campanha à reeleição
Mário Okamura/Rdnews
MPE aponta que esquema no Detran-MT teve origem no gabinete de Mauro Savi
De acordo com o Ministério Público Estadual, o esquema de fraude em licitação e pagamento de propina no Detran-MT foi definido em uma reunião no gabinete do deputado estadual Mauro Savi (PSB), que detinha grande poder de influência na autarquia. O fato é investigado na Operação Bereré, deflagrada nesta segunda (19).
A afirmação do MPE tem como base o acordo de colaboração premiada (delação) do ex-presidente do Detran Teodoro Moreira Lopes, o "Dóia". Ele detalha que entre julho e agosto de 2009, quando já ocupava o comando da autarquia por indicação de Savi, foi convocado pelo parlamentar para uma reunião em seu gabinete na Assembleia.
Além de Savi, Dóia diz que o encontro contou com a participação dos também investigados Marcelo da Costa e Silva e Roque Anildo Reinheimer, que ofereceram a execução da atividade de registro junto ao Detran, se comprometendo a apresentarem uma empresa para a efetivação do contrato.
Na semana seguinte, Dóia relembra que voltou a se encontrar com Marcelo Silva, quando foi apresentado a Merison Marcos Amaro, representante da FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos Ltda., que posteriormente se tornou EIG Mercados Ltda.
Campanha
Na oportunidade, conforme o ex-presidente, Marcelo teria se comprometido a repassar o valor recebido pela FDL em razão do cumprimento do futuro contrato administrativo a ser formulado com o Detran às campanhas eleitorais de Savi e do ex-governador Silval Barbosa (sem partido), que na época disputavam a reeleição à Assembleia e ao governo, respectivamente.
Após a efetivação do contrato entre a FDL e o Detran, o repasse prometido foi feito no valor de R$ 750 mil para cada um, em espécie.
Direcionamento
O delator afirma que antes da contratação da empresa, ele obteve o edital da licitação vencida pela FDL em Piaui. Declara ter determinado que a comissão do Detran confeccionasse o edital de licitação nos mesmos moldes.
Além disso, para direcionar a licitação, Marcelo Silva lhe solicitou a inclusão de clausula no edital, na qual a empresa vencedora teria que realizar vistorias prévias em todas as Ciretrans do Estado, solicitação aceita e implementada.
Com o certame direcionado, a FDL venceu a licitação. Para operar para operar o esquema de lavagem de dinheiro, segundo o MPE, a FDL contratou a empresa de fachada Santos Treinamento, que teve como sócio o presidente da Assembleia Eduardo Botelho (PSB).
A organização criminosa, segundo a investigação, ainda utilizava diversas pessoas, com o objetivo de “lavar” o dinheiro oriundo do pagamento de propina, por parte da FDL.