Cuiabá, 20/09/2026

Perito relata que bióloga teve 120 metros para ver estudantes e evitar atropelamento

Laudo aponta ainda que ré estava acima da velocidade permitida no momento do acidente

O perito criminal Henrique Praeiro de Carvalho, quarta testemunha no julgamento da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, realizado pelo Tribunal do Júri, nesta terça-feira (23), afirmou que o laudo pericial constatou que a ré teve mais de 100 metros para enxergar os estudantes Ramon Alcides Viveiros, Mylena de Lacerda Inocêncio e Hya Girotto, e frear antes de atingi-los, em frente à boate Valley Pub, em Cuiabá.

Josi Dias

Em seu depoimento, Henrique pontuou ainda que Rafaela seguia na via acima do limite permitido no local.

Segundo o profissional, após os estudos de visibilidade realizados na Avenida Isaac Póvoas, foi comprovado que o local não possuía nenhum tipo de obstáculo ou obstrução da via.

Henrique destaca ainda que a bióloga seguia a 54 km/h - com uma margem de erro de 4 km/h para mais ou para menos - em uma avenida cujo limite é 50 km/h. De acordo com o perito, em uma condição normal, o tempo de reação de um motorista é, em média, de um segundo e meio apenas. Rafaela precisaria então de cerca de 33 metros para frear e evitar o atropelamento. No entanto, o laudo final constatou que ela teve 120 metros.

O perito reforça que não haviam marcas de tentativa de frenagem por parte da bióloga antes do atropelamento, apenas depois. Henrique explica que Rafaela passou por cima das vítimas, fato identificado pelas marcas de pneus nos corpos dos estudantes.

Por fim, Henrique comentou ainda o laudo realizado por um perito contratado pela defesa da bióloga, que contestou a visibilidade da ré no momento do atropelamento. Para o profissional, não há respaldo científico que comprove que luzes atrapalharam a visão de Rafaela.

Outro ponto apresentado pelo perito foi sobre a travessia realizada pelas vítimas. Segundo ele, se os jovens tivessem cruzado a pista "corretamente", ou seja, usando a faixa de pedestres, teriam chegado ao fim e provavelmente não teriam sido atropeladas. 

O caso

O acidente aconteceu em 23 de dezembro de 2018, quando Myllena Inocêncio, 22 anos, Ramon Alcides, 25 anos, e Hya Girotto, 25 anos, saíam da boate Valley, na Avenida Isaac Póvoas, e foram atropelados por Rafaela, que estava embriagada. Myllena morreu a caminho do hospital, enquanto Ramon faleceu horas após ser internado. Hya foi a única sobrevivente, porém, teve ferimentos graves que a deixaram com sequelas permanentes.

Em dezembro de 2022, o juiz Wladimir Perri absolveu a bióloga, destacando que Myllena, Ramon e Hya assumiram o risco ao usarem a via pública “violando completamente o princípio da confiança que deve ser observado entre os seus usuários”.

Segundo o magistrado, a bióloga errou ao ingerir bebida alcoolica e dirigir, mas não foi o fator "determinante" para o acidente, e sim, a "imprudência" das vítimas por atravessarem fora da faixa e durante tráfego "intenso". Em abril de 2023, ela recuperou o direito de voltar a dirigir.