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Judiciário Terça-feira, 23 de Junho de 2026, 11:06 - A | A

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TRIBUNAL DO JÚRI

Testemunha relata que bióloga parecia "não entender" que havia atropelado vítimas

Durante depoimento, homem afirma ainda que Rafaela estava em velocidade maior que os outros carros na via

Thalita Queiroz e João Aguiar

Durante o julgamento da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro - acusada pelas mortes dos estudantes Ramon Alcides Viveiros e Mylena de Lacerda Inocêncio e pelo atropelamento de Hya Girotto, ocorrido em 2018 -, a primeira testemunha ouvida pelo Tribunal do Júri, nesta terça-feira (23), em Cuiabá, afirmou que a ré dirigia em velocidade muito superior à dos demais veículos e que, após o impacto, aparentava "não entender" o que havia acontecido, em razão do elevado estado de embriaguez.

Josi Dias

Tribunal do Júri - Rafaela Screnci da Costa Ribeiro

Mogar explicou que estava a cerca de 30 metros de distância do carro da bióloga quando tudo aconteceu e, no momento do atropelamento, saía de um estacionamento na Avenida Isaac Póvoas, próximo à Boate Valley. A testemunha afirmou que viu as vítimas em cima do veículo.

Em seu depoimento, Mogar contou que analisou a situação e decidiu acelerar e fechar Rafaela na via, para impedir que ela fugisse. A testemunha destacou que a bióloga visivelmente apresentava sinais de embriaguez e parecia não saber o que havia acabado de acontecer.

Mogar disse também ter ficado surpreso com a atitude dos amigos de Rafaela, que a incentivavam a ir embora e deixar a cena do crime. O homem completou, afirmando que a bióloga não quis sair do local e, ao ver as vítimas, sentou e começou a chorar.

A testemunha finalizou reforçando que não saberia dizer, com precisão, a velocidade exata em que Rafaela trafegava. Porém, afirmou que ela dirigia bem mais rápido do que os outros carros presentes na via no momento do atropelamento.

O caso

O acidente aconteceu em 23 de dezembro de 2018, quando Myllena Inocêncio, 22 anos, Ramon Alcides, 25 anos, e Hya Girotto, 25 anos, saíam da boate Valley, na Avenida Isaac Póvoas, e foram atropelados por Rafaela, que estava embriagada. Myllena morreu a caminho do hospital, enquanto Ramon faleceu horas após ser internado. Hya foi a única sobrevivente, porém, teve ferimentos graves que a deixaram com sequelas permanentes.

Em dezembro de 2022, o juiz Wladimir Perri absolveu a bióloga, destacando que Myllena, Ramon e Hya assumiram o risco ao usarem a via pública “violando completamente o princípio da confiança que deve ser observado entre os seus usuários”.

Segundo o magistrado, a bióloga errou ao ingerir bebida alcoolica e dirigir, mas não foi o fator "determinante" para o acidente, e sim, a "imprudência" das vítimas por atravessarem fora da faixa e durante tráfego "intenso". Em abril de 2023, ela recuperou o direito de voltar a dirigir.

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