Soldados confirmam agressões verbais de Ledur e perseguição a Rodrigo como foi
O juiz Marcos Faleiros, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, deu início na tarde desta sexta (26) as audiências da ação penal instaurada contra a tenente Izadora Ledur de Souza, do Corpo de Bombeiros e outros cinco militares, acusados de causar a morte do aluno Rodrigo Claro, durante um treinamento da corporação, em novembro de 2016.
Gilberto Leite
Tenente Izadora Ledur é acusada de crime de tortura contra Rodrigo
Na ação, também são réus Marcelo Augusto Reveles Carvalho, Thales Emmanuel Da Silva Pereira, Diones Nunes Siqueira, Enéas de Oliveira Xavier e Francisco Alves de Barros. Conforme despacho de Faleiros, serão 37 testemunhas de acusação e defesa. Os seis réus também serão ouvidos.
O fato ocorreu em 10 de novembro de 2016 durante o treinamento de atividades aquáticas em ambiente natural do 16º curso de formação de soldado bombeiro realizado na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.
De acordo com a denúncia, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades, como flutuação e nado livre.
Embora o problema tenha chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação, como utilizaram-se de métodos totalmente reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos que estavam sob a guarda.
O Ministério Público Estadual destaca que os depoimentos colhidos demonstram que a vítima foi submetida a intenso sofrimento físico e mental com uso de violência. A atitude teria sido a forma utilizada pela tenente Ledur para punir Rodrigo por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.
Acrescenta, ainda, que os outros bombeiros presentes no treinamento e também denunciados, mesmo observando as práticas delitivas cometidas pela tenente, quando tinham o dever legal de evitá-las, omitiram socorro a Rodrigo, consentindo assim com a atitude criminosa da denunciada.