Cuiabá, 20/09/2026

Testemunha relata que bióloga parecia não entender que havia atropelado vítimas

Durante depoimento, homem afirma ainda que Rafaela estava em velocidade maior que os outros carros na via

Durante o julgamento da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro - acusada pelas mortes dos estudantes Ramon Alcides Viveiros e Mylena de Lacerda Inocêncio e pelo atropelamento de Hya Girotto, ocorrido em 2018 -, a primeira testemunha ouvida pelo Tribunal do Júri, nesta terça-feira (23), em Cuiabá, afirmou que a ré dirigia em velocidade muito superior à dos demais veículos e que, após o impacto, aparentava "não entender" o que havia acontecido, em razão do elevado estado de embriaguez.

Josi Dias

Mogar explicou que estava a cerca de 30 metros de distância do carro da bióloga quando tudo aconteceu e, no momento do atropelamento, saía de um estacionamento na Avenida Isaac Póvoas, próximo à Boate Valley. A testemunha afirmou que viu as vítimas em cima do veículo.

Em seu depoimento, Mogar contou que analisou a situação e decidiu acelerar e fechar Rafaela na via, para impedir que ela fugisse. A testemunha destacou que a bióloga visivelmente apresentava sinais de embriaguez e parecia não saber o que havia acabado de acontecer.

Mogar disse também ter ficado surpreso com a atitude dos amigos de Rafaela, que a incentivavam a ir embora e deixar a cena do crime. O homem completou, afirmando que a bióloga não quis sair do local e, ao ver as vítimas, sentou e começou a chorar.

A testemunha finalizou reforçando que não saberia dizer, com precisão, a velocidade exata em que Rafaela trafegava. Porém, afirmou que ela dirigia bem mais rápido do que os outros carros presentes na via no momento do atropelamento.

O caso

O acidente aconteceu em 23 de dezembro de 2018, quando Myllena Inocêncio, 22 anos, Ramon Alcides, 25 anos, e Hya Girotto, 25 anos, saíam da boate Valley, na Avenida Isaac Póvoas, e foram atropelados por Rafaela, que estava embriagada. Myllena morreu a caminho do hospital, enquanto Ramon faleceu horas após ser internado. Hya foi a única sobrevivente, porém, teve ferimentos graves que a deixaram com sequelas permanentes.

Em dezembro de 2022, o juiz Wladimir Perri absolveu a bióloga, destacando que Myllena, Ramon e Hya assumiram o risco ao usarem a via pública “violando completamente o princípio da confiança que deve ser observado entre os seus usuários”.

Segundo o magistrado, a bióloga errou ao ingerir bebida alcoolica e dirigir, mas não foi o fator "determinante" para o acidente, e sim, a "imprudência" das vítimas por atravessarem fora da faixa e durante tráfego "intenso". Em abril de 2023, ela recuperou o direito de voltar a dirigir.