Após vídeo de propina, vereador exige renúncia de prefeito e propõe criar CPI
O vereador por Cuiabá Marcelo Bussiki (PSB) exigiu nesta sexta (25) a renúncia imediata do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), flagrado em um vídeo supostamente recebendo propina do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).
O vídeo foi divulgado pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, na noite de ontem (24) e faz parte da delação premiada de Silval, homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux. Nas imagens, Emanuel aparece recebendo maços de dinheiro e colocando no paletó.
“Não podemos deixar no cargo um homem cuja moral está abalada, que perdeu a confiança de grande parte da população e que, inclusive, pode ser preso a qualquer momento por estes atos de corrupção”
Sorridente, chega a derrubar dinheiro no chão, recolhe e guarda no terno. Segundo Silval, trata-se de pagamento de "mensalinho" - propina em troca de apoio político. À época, o peemedebista era deputado estadual e se tornou um dos principais defensores da gestão Silval.
Para o vereador, o vídeo demostra claramente que Emanuel não possui condições éticas e morais para permanecer no cargo de maior importância do municipio, cujo orçamento anual é superior a R$ 2 bilhões. “É com muita tristeza que nós assistimos o prefeito receber propina. Exijo a renúncia imediata do prefeito. Não podemos deixar no cargo um homem cuja moral está abalada, que perdeu a confiança de grande parte da população e que, inclusive, pode ser preso a qualquer momento por estes atos de corrupção”, disse.
Bussiki já iniciou a coleta de assinaturas para o requerimento de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) por quebra de decoro, já que a atitude de Emanuel fere o inciso 10º do artigo 4 do Decreto Lei nº 201/67, que dispõe sobre a responsabilidade de prefeito e vereadores.
“Ele agiu de modo incompatível com a dignidade do cargo que ocupa, por mais que o crime não tenha ocorrido no momento em que exercia o cargo de prefeito. É preciso que ele tenha respeito pelo povo. Se não tiver a hombridade de renunciar, sairá do cargo por meio de cassação de seu mandato”, afirmou Bussiki.
Para que haja a abertura da CPI é necessário que o requerimento apresentado por Bussiki tenha nove assinaturas, não sendo necessária a aprovação do plenário.