Eu era como office-boy bem pago, diz Sinohara sobre papel na Copa
Demóstenes Milhomem ALMT
Secretário adjunto de Esportes do Estado Pedro Sinohara presta depoimento
O ex-secretário de Assuntos da Copa em Cuiabá, Pedro Sinohara, foi ouvido na CPI das Obras da Copa e contou que além de ter sido deixado de lado pela diretoria da Agecopa, passou oito meses da pasta criada pelo ex-prefeito, hoje deputado, Wilson Santos (PSDB) sem atividade, por isso recomendou a extinção.
“Me sentia um office-boy bem remunerado, por isso sugeri a extinção”, declarou durante depoimento prestado ontem (30) na Assembleia. A pasta para qual foi nomeado foi criada com um orçamento de R$ 4 milhões e ainda tinha 12 servidores a disposição.
A CPI começou a apurar se houve fraude na escolha de Cuiabá como cidade-sede da Copa e por isso tem chamado personagens que participaram deste processo. Sinohara foi secretário de Esportes de Cuiabá durante a gestão de Wilson e chegou a participar de duas reuniões no Comitê Pró-Copa, já na época liderado pelo ex-secretário Yuri Bastos.
Em seguida deixou o cargo em 2008 para se dedicar à seleção brasileira de Judô e retornou para a administração municipal em 2009 a convite novamente de Wilson Santos. O prefeito resolveu criar a pasta de Assuntos da Copa e, a princípio, o comando seria de responsabilidade de Agripino Bonilha Filho, ex-presidente da Federação Mato-grossense de Futebol.
Porém, Bonilha foi indicado para assumir uma diretoria na Agecopa, criada pelo então governador Blairo Maggi (PR) para cuidar das ações da Copa, e com isso, Shinohara recebeu a missão de comandar a secretaria municipal no ano de 2009.
Só que na primeira reunião em que foi convidado a participar na sede da Agecopa foi informado que não teria direito a voto e estaria na condição de ouvinte, podendo até se manifestar, mas com peso nas decisões tomadas.
Sentindo-se desprestigiado, Sinohara disse nunca mais ter sido convidado e também não procurou mais a agência. Ele ainda permaneceu no cargo de secretário municipal por oito meses, período, que segundo ele foi mais dedicado a algumas ações de turismo.
Sinohara, que atualmente é secretário adjunto de Esportes do Estado, conta que quando pediu para deixar o cargo Wilson já tinha deixado a prefeitura sob o comando de Chico Galindo (PTB).
O ex-secretário disse ter recomendado ao petebista que transformasse a secretaria em uma diretoria, pois o órgão não tinha finalidade para existir. Assim que foi exonerado, a sugestão foi acatada por Galindo que vinculou a diretoria ao seu gabinete.
Quanto aos motivos de a prefeitura ficar alheia ao processo de organização de Cuiabá para a Copa, Sinohara disse que houve um entendimento de que a administração estadual teria melhores condições técnicas, estrutural e até financeira de realizar as obras e adequações necessárias.
O ex-prefeito Wilson Santos deverá ser ouvido na próxima terça (6) para falar sobre as reuniões em que participou nesse período em que estava como prefeito. Um dos questionamentos dos membros da CPI é com relação a suspeita de pagamento de propina para que Cuiabá tivesse sido escolhida. Até o momento, todos os agentes negaram qualquer acordo.
Além de Wilson, foi convidado também o ex-prefeito de Várzea Grande Murilo Domingos (PR) para a próxima terça. Os diretores da Agecopa também já tiveram os requerimentos de convocação aprovados. O senador Blairo Maggi (PR) também foi convidado prestar esclarecimentos junto à CPI, mas por ter foro privilegiado deverá agendar uma data.