Paixão por política e futebol definem carreira polêmica de Júlio em Cuiabá
Gilberto Leite
Presidente da Câmara, Júlio estava em seu terceiro mandato e comandou o Executivo por 2 semanas
O presidente da Câmara de Cuiabá, Júlio César Pinheiro, o Júlio Pinheiro (PTB), era natural de Rondonópolis e possuia ensino médio completo. Ele completou 56 anos em nove de maio e deixa a esposa Gisely Carolina Lacerda Pinheiro e quatro filhos.
Ele morreu aos 56 anos após ataque cardíaco. O vereador estava internado no Hospital Santa Rosa, na Capital, desde o último dia 3. No dia seguinte deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e passou pelo procedimento cirúrgico que durou cerca de cinco horas. Ele retirou um aneurisma roto da aorta abdominal, rompido e tamponado.
Júlio estava em seu terceiro mandato como vereador. Em 2000, ele disputou o cargo de vereador por Cuiabá pelo PSDB e conquistou a suplência com 3 mil votos. Na eleição de 2004, disputa o mesmo posto pelo PDT e é eleito por quociente partidário com 2,8 mil votos.
Em 2008, Júlio conseguiu a primeira suplência pelo PTB com 3,2 mil votos. Entretanto, em agosto de 2010, Evan Evangelista foi cassado por compra de votos e Pinheiro assumiu a vaga. Ainda naquele mandato, o petebista conquistou a presidência do Legislativo para o biênio 2011/2012. Nesse período, ele chegou a assumir a Prefeitura de Cuiabá quando Chico Galindo pediu licença do Executivo por duas semanas.
Em 2012, Pinheiro foi eleito vereador pela Capital, com 3,4 mil votos. Contudo, foi João Emanuel quem permaneceu na presidência do Legislativo, de janeiro de 2013 a abril de 2014, mês em que foi cassado após ser acusado de peculato, de participar de organização criminosa, de direcionar licitação e falsificar documentos, além de se envolver em operações em factoring para pagar despesas de campanha.
Diante disso, Júlio assumiu a presidência do Parlamento pela segunda vez, ficando somente os oito meses restantes do biênio. Ele aproveitou esse período para articular uma alteração no regimento interno da Câmara, que passou a permitir a reeleição no cargo de presidente. O parlamentar se reelegeu vereador em 2014 e com a mudança, assumiu a presidência pela terceira vez. Este último biênio segue até dezembro deste ano.
Outros cargos
Pinheiro também foi diretor da secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), diretor da extinta Companhia de Habitação de Mato Grosso (Cohab), chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), assessor parlamentar da Câmara e do Senado, chefe de gabinete da presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e, mais recentemente, presidiu a Agência Municipal de Habitação, durante a gestão Wilson Santos.
O petebista iniciou sua vida pública como coordenador de campanha do ex-governador Dante de Oliveira (falecido) e do então deputado estadual Antônio Joaquim Neto, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado.
Mixto
Júlio Pinheiro presidiu o Mixto entre 2008 e 2009. Com acúmulo de dívidas e folhas atrasadas, saiu "escurraçado" pelo presidente da Assembleia, o então deputado José Riva, e pelo então secretário de Fazenda Eder de Moraes. Curiosamente, o Mixto foi campeão estadual sob a gestão Pinheiro, levando-o para a Série C.
Quando deixou a presidência do clube pela primeira vez, o Mixto estava atolado em dívidas e desmoralizado por causa de ingerência. O parlamentar voltou a comandar o time em 2012, sob articulação e incentivo do radialista e ex-senador Antero de Barros. Já no final de 2014, o cenário era completamente diferente, de modo que Pinheiro foi convidado para ser presidente de honra do clube.