Falta de investimento atrapalha turismo e economia do distrito
Local de nascimento do Marechal Cândido Rondon espera ansiosamente a conclusão da obra do Memorial
Iara Rezende/Rdnews
Anderson Evangelista, da Escola Santa Claudina, que fica em frente à estrutura do Memorial Rondon, conta que turistas se decepcionam quando visitam o local
A população de Mimoso, distrito de Santo Antônio do Leverger, ainda tem esperança de que um dia a obra do Memorial Rondon fique pronta, mesmo após 10 anos de lançamento do projeto. Apesar disso, o sentimento que mais permeia a vida dos habitantes é a decepção e a revolta.
“Em outras cidades e até mesmo em outros países há museus e monumentos ao Marechal Cândido Rondon. Enquanto isso, no local onde ele nasceu, há apenas uma construção inacabada”, afirma Anderson Evangelista de Sá, secretário da Escola Estadual Santa Claudina.
Segundo ele, o único local do distrito que possui alguns objetos e lembranças do Marechal é na própria escola onde trabalha. Parte dela foi construída por Rondon nos anos 1940. Há uma árvore de pau brasil plantada pelo próprio Rondon no fundo da instituição de ensino e em exposição pelo corredores e salas estão algumas fotos, móveis e cópias de cartas do chamado pai das comunicação do país. “A escola tem o nome da mãe do Marechal. Mas é só isso que Mimoso possui, além do Memorial inacabado”, pontua Anderson.
Iara Rezende/Rdnews
Elvira Martins acredita que haveria desenvolvimento no distrito se o Memorial funcionasse como previsto
Elevina Maria Martins de Oliveira, funcionária da Mercearia Saadi, acredita que se o museu fosse concluído, o distrito se desenvolveria rapidamente e a economia daria um salto. “O nosso ritmo aceleraria. Todos seriam obrigados a se movimentar e atender demandas que surgiriam. Restaurantes, hotéis, supermercados e lojas com certeza seriam abertos”. De acordo com ela, Mimoso não possui hotéis, apenas quartos de aluguel. Alguns projetos para a construção já foram idealizados, mas perceberam que o investimento não valia a pena. “Como receber turistas se nem ao menos eles encontram local para se hospedar?”, indaga.
Mesmo sem estar pronto, alguns turistas aparecem no Memorial Rondon. Anderson dá informações a muitos deles, pois a escola Santa Claudina está localizada em frente à construção e é o primeiro local onde se dirigem depois de perceberem que não há quase nada para ser visto. “É triste dizer para os turistas que o que eles vieram procurar é apenas aquela estrutura inacabada. Eles ficam decepcionados e, com certeza, não voltam mais, nem se ficar pronta. Isso atrapalha o turismo já quase inexistente”. O secretário escuta reclamações constantemente e fica chateado com a situação. “Há alguns dias veio um casal do Rio de Janeiro para conhecer o Memorial e foi embora cinco minutos depois. Não tem como movimentar a economia desse jeito”.
O projeto da estrutura é dos arquitetos José Afonso Portocarrero e Paulo César Molina. Ele foi idealizado ainda no governo de Dante de Oliveira, tendo a construção dos alicerces iniciada em 2002. Após isso, aconteceu apenas a reforma do assoalho no governo de Blairo Maggi.
Cerca de R$ 780 mil foram gastos até o momento. Anderson conta que no ano passado o governador Silval Barbosa visitou Mimoso e prometeu concluir a obra. Jairo Pradela, secretário de Estado de Desenvolvimento do Turismo, garante que já está em processo de licitação e ainda no primeiro semestre as obras serão retomadas. “Esperamos que seja verdade. Esperança é a última que morre”.