Cuiabá, 15/10/2026

Sertanista vive a infância em Cuiabá

Militar deixa a marca do desbravamento, das linhas telegráficas e da proteção aos índios

Marechal Rondon, que nasceu no distrito de Mimoso

“Do Oiapoque ou Chuí”. Muitos já ouviram essa frase que significa da ponta mais ao norte a ponta mais ao sul do Brasil, mas poucos sabem que o primeiro a dizê-la foi o mato-grossense Cândido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon. Nascido em Mimoso, distrito de Santo Antônio do Leverger, em cinco de maio de 1865, Rondon foi um pioneiro em vários aspectos e um dos responsáveis pelo desenvolvimento de Mato Grosso e de todo o Centro-Oeste numa época em que a região recebia pouca ou nenhuma atenção.

Ficou órfão muito cedo. Foi criado em Cuiabá pelo tio Manoel Rodrigues da Silva. Em 1881 ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro, começando assim sua carreira de militar e sertanista. Entre os seus maiores feitos está a Comissão Rondon, que tinha como missão abrir caminhos, desbravar terras e estabelecer linhas telegráficas no Centro-Oeste e no Norte do Brasil. Por causa do seu trabalho, a comunicação entre as regiões do país se desenvolveu exponencialmente.

Uma das expedições de maior destaque foi a de 1913/1914 em conjunto com o ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt. Nessa época, Marechal Rondon também já era conhecido pelo seu trabalho de registro das etnias indígenas e por ter criado o Serviço de Proteção aos Índios. Rondon é o Patrono das Telecomunicações no Brasil, e cinco de maio é o Dia Nacional das Comunicações, criado por sua causa. Foi homenageado pela Sociedade de Geografia de Nova York sendo considerado o maior explorador de terras tropicais. Em 1957 foi indicado ao prêmio Nobel da Paz e faleceu em 19 de janeiro de 1958, aos 92 anos, no Rio de Janeiro.

Homenagem

O Memorial Rondon em Mimoso seria um local de cultura e história do Marechal na cidade onde nasceu, um ponto de turismo importante para o Brasil. Deveria ter exposições, biblioteca, aquário com peixes da região, objetos pessoais e os restos mortais do militar sertanista, que hoje estão no Rio de Janeiro. Desde 2004 parada, a construção ficou apenas nos alicerces e na estrutura metálica. Foram gastos cerca de R$ 780 mil até o momento. De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento ao Turismo Jairo Pradela as obras serão retomadas ainda no primeiro semestre. “Já estamos no planejamento do edital de licitação. Acredito que em abril começamos a trabalhar”. Foram liberados R$ 3,1 milhões.