163 é principal rota; Departamento vê estrangulamento e cita duplicação
ANTT
ANTT destaca os trechos que serão duplicados na BR-163 e os já existentes
Do Rio Grande do Sul ao Pará, de Mato Grosso para o mundo. Com mais de 3,5 mil km de extensão, a BR-163 é hoje a principal rodovia federal que corta o território mato-grossense e a mais utilizada pelo setor produtivo do Estado. São aproximadamente 1,7 mil km que passam por 21 municípios, sendo que a maioria é de grande produção agrícola, especialmente soja, milho e algodão. É tida como a “via sacra” do escoamento de grãos, já que, apesar de sua importância, ainda desafia os caminhoneiros que utilizam a estrada para descarregar no Porto de Santos. “Acredito na melhoria das estradas, mas ainda vai muito tempo até ficar bom de verdade. O governo não investe tanto quanto deveria, promete, mas não faz", pondera o caminhoneiro Emílio Cassiano Ussani.
O pavimento deteriorado, os constantes buracos e as faltas de sinalização e duplicações preocupam os motoristas que passam por ali, principalmente por conta do alto índice de acidentes na chamada “rodovia da morte”. Estima-se que, por dia, cerca de 10 mil veículos trafeguem somente no trecho que liga Cuiabá a Santarém (PA). Desse total, 70% corresponde a carretas bitrem de 7 ou 9 eixos.
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Superintendente do Dnit em MT, Luiz Antônio, fala sobre obras na BR-163
Embora a demanda seja altíssima, trata-se, portanto, de uma rodovia que opera em nível crítico e com sua capacidade completamente esgotada, segundo o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes em Mato Grosso, Luiz Antonio Garcia. “Alguns trechos possuem traçados inadequados, o pavimento atingiu sua vida útil. É uma BR que está muito aquém da necessidade”, completa. Entre os avanços na rodovia, segundo Luiz Antonio, foi a duplicação da pista na Serra de São Vicente. Ele pondera que antes o local era o pior trecho e hoje é o melhor.
Dessa forma, a solução encontrada pelo Governo Federal são novas alternativas de corredores para a escoação da produção agrícola. Uma delas é a conclusão da pavimentação de 380 km da própria BR-163 já no território paraense, ligando Mato Grosso ao Porto de Itaituba, no Pará. Em contrapartida, o ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot, critica o ritmo das obras. “Estão avançando com lentidão, demonstrando falta de planejamento e uma melhor gestão”.
A aposta também é alta na finalização de obras em trechos da BR-242 e da BR-080, além da Ferronorte, já que os trilhos passam por Alto Taquari, Alto Araguia, Itiquira e Rondonópolis, ligando ao Porto de Santos; e da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que sai de Goiás e vai até Rondônia, passando por Mato Grosso. A segunda ainda está em fase de confecção do edital de licitação, mas já é considerada a redenção da região Médio-Norte, a mais produtiva do Estado.
Concessão
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Mapa que mostra trecho da BR-163 que foi entregues à iniciativa privada
Embora a Odebrecht tenha vencido o processo licitatório para a concessão da BR-163 no trecho de 850 km, entre a divisa de MT/MS até Sinop, o governo federal optou por manter o projeto inicial de duplicar alguns lotes com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – ver quadro.
Serão cerca de 300 km feitos pela União e o restante ficará a cargo da concessionária, que tem prazo de 5 anos para duplicar todo o resto do trecho em que ela irá operar. O contrato é aberto, não estabelecendo quais as prioridades, entretanto, Luiz Antônio pontua que há pedido da União para que as obras sejam executadas de forma prioritária em dois trechos: entre o terminal ferroviário de Rondonópolis e a cidade; e na conhecida Rodovia dos Imigrantes (BR-070), que foi federalizada e também fará parte do pacote de concessão.
A assinatura do contrato ocorreu no último dia 12, no Palácio do Planalto, em Brasília, mas ainda é necessária a assinatura do Termo de Arrolamento de Bens que está sendo finalizado pela ANTT e há ainda licenças ambientais. O superintendente do Dnit em Mato Grosso pondera, entretanto, que o trâmite deve ser rápido.
A Odebrecht deve investir, em 30 anos, R$ 4,6 bilhões no trecho. Mais do que isso, terá a missão de mudar a realidade na estrada que leva a produção mato-grossense para outros continentes.