Cuiabá, 06/10/2026

Para além da Covid, 2020 foi marcado por queimadas e fogo consumiu o Pantanal

Para além das dificuldades ocasionadas pela pandemia do novo coronavírus, 2020 foi marcado pelas queimadas que atingiram o estado e afetaram a vida da população mato-grossense. Dados do Instituto de Pesquisas Espaciais mostraram que 2020 foi o pior ano quanto à incêndios florestais e Mato Grosso registrou o pior setembro da história do Pantanal em números de focos de queimadas.

Além do Pantanal, os focos atingiram ainda a região amazônica no Estado. 

Entre janeiro e outubro, houve um acréscimo de 56% nos focos de calos, se comparado ao mesmo período de 2019. Ao todo, foram 44 mil focos no ano, contra 22,3 mil ocorrências no ano anterior. Período mais crítico durou de julho até outubro.

Para sanar os focos de incêndio, governador Mauro Mendes (DEM) chegou a pedir ajuda da União. Eles deixaram a região no dia 23, passada a pior fase. Centro Integrado de Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman) atendeu 24.715 ocorrências durante este período.

Até que tudo fosse resolvido, no entanto, muito do bioma foi prejudicado. Estimativa do Ibama Prevfogo é de que os incêndios atingiram pelo menos 25% do Pantanal. Não se pode estimar o número de animais mortos, mas prejuízo foi apontado como o maior dos últimos 50 anos.

Dayanne Dallicani

Como amplamente divulgado pelos meios de comunicação, inclusive pelo #rdnews, diversos bichos foram mortos ou feridos pelo fogo que consumiu a região. Uma anta macho que teve lesões graves de queimadura e foi levada para tratamento por helicóptero do Exército Brasileiro foi apenas um dos animais que precisaram de socorros.

Perícias apontaram que os incêndios foram provocados pela ação humana. Delegacia de Meio Ambiente (Dema) ficou responsável por abrir inquérito e responsabilizar infratores. Reportagem da agência Repórter Brasil destacou que o fogo que atingiu a região teria início, em parte, em áreas de pecuaristas que vendem gado para a Amaggi.

Consequências

Para além da devastação deixada nas cidades interioranas, foi possível sentir as consequências das queimadas na baixada cuiabana. Entre agosto e setembro a capital amanheceu encoberta pela fumaça em diversos dias. População relatou dificuldade para respirar em decorrência da baixa umidade do ar.

No dia 10 de setembro, inclusive, Cuiabá registrou a maior temperatura desde 1991, quando marcou 42,6ºC. Após 121 dias de seca, primeira chuva foi registrada no dia 20 do mesmo mês. Ainda assim, não foi suficiente para conter os estragos originados pelo fogo.

Conforme matéria da BBC, incêndios também afetaram outras regiões do país. Céu de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina amanheceu encoberto pela fumaça e por partículas liberadas pelas chamas. Especialistas apontam que o vento foi responsável por levar material às outras cidades.