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Hoje sem amanhã

Um povo que fica deprimido pelo 8º lugar no futebol e não se preocupa com 85º em termos educacionais não tem futuro mesmo

roberto freire artigo professor 400

Paulo de Barros Freire

Dizem que o Brasil é um país de futuro ou do futuro, quando na verdade somos um país de ontem, do passado, com um presente repleto de velhos e seculares vícios, e sem possibilidade de escapar de uma trajetória cultural onde a virtude é apenas um termo dos dicionários. A grandeza aqui é territorial ou natural, mas jamais humana. O brasileiro é antes de tudo rude, rústico, ignorante e estúpido. E esses termos não são valorativos ou depreciativos, mas descritivos da realidade nacional.

Naturalmente, quando analisamos nossa política e nossos políticos fica nítido a falta de grandeza, abnegação ou mesmo de reles honestidade, e se atribui aos mesmos todos os males que aqui ocorrem. Sem querer tirar a culpa dos mesmos, que a rigor não valem nada, mas custam bem caro a todos nós, o fato é que eles não fazem parte da solução, mas dos problemas, e esperar deles algo que cabe a sociedade civil (organizada ou não) realizar, e que por omissão, preguiça, falta de coragem ou mesmo de conhecimento nada faz, mostra o “desprendimento” dos brasileiros, ou seja a falta de responsabilização de todos, ou quase todos pelo destino do país: espera-se sempre que alguém apresente uma solução, enquanto cada um está tentando salvar a si mesmo, ainda que com isso possa prejudicar os demais.

É o povo que emporcalha as cidades e depois reclama das autoridades a falta de limpeza. É o povo que não se cuida e depois cobra das autoridades a falta de saúde. É o povo que não estuda e depois reclama das autoridades a falta de escolas. Enfim, o problema do Brasil está nos brasileiros, não nos políticos que são apenas mero reflexo da nossa sociedade. O brasileiro é eminentemente desonesto; se puderem sonegar, sonegam; se puderem comprar mais barato ainda que o produto seja de contrabando, ou pirata ou mesmo mercadoria roubada, ou fruto de sonegação, compram. Não é maldade, é ignorância mesmo, que resulta em males para todos, até mesmo aos próprios praticantes desses atos de “esperteza”.

O jeitinho brasileiro nada mais é que tentar o caminho mais fácil, mais rápido, com menos esforço, o que nunca é justo, certo ou honesto. O útil sempre toma o lugar do honesto no pensamento nacional. Ninguém quer abrir mão de direitos, mas ninguém se preocupa com seus deveres. Aqui ninguém se esforça para ser justo, apenas para não sofrer injustiça. E toda luta por direitos, na verdade é sempre uma busca por privilégios para uma categoria qualquer, pois que o bem comum é outro conceito da nossa linguagem sem significado algum.

Quando tudo caminha para o progresso econômico todos fazem vistas grossas sobre o que o governo faz, e quando a coisa desanda correm a buscar um culpado no governo. Mas, governos fazem apenas o que o povo deixa. E o povo apenas se preocupa em melhorar sua condição econômica, nunca em se melhorar enquanto pessoas.

Eis a razão por nos encontrarmos nessa condição deplorável em que vivemos atualmente. Um governo foi deposto (que no meu entender já foi tarde) e o governo que vai entrar será tão ruim quanto, senão pior. Não há luz no fim do túnel, mesmo porque não há túnel, apenas um buraco profundo, onde cada vez mais nos enterramos.

O povo escolhe os mesmos bandidos, digo candidatos, ainda que tenham uma ficha corrida extensa, pois aqui se vota com o estômago, com o fígado, com a genitália e com o bolso, nunca com o cérebro. Se o candidato beneficia um eleitor, ainda que prejudique aos demais, o beneficiado irá votar sempre nele. Não é lealdade, o que seria um tipo de virtude, apenas cumplicidade. Não é um acordo de cavalheiros, mas de canalhas.

Num país de pessoas honestas, pessoas como Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Fernando Collor, Paulo Maluf, Romero Jucá, Michel Temer, Lula e Dilma (sem citar centenas de outros nomes menos afamados) já teriam sido defenestrados da vida política. Se fôssemos pessoas decentes, se uma dessas pessoas entrassem no ambiente que estamos, todos se levantariam e iriam embora, para não compartilhar o mesmo espaço com pessoas desonestas. Quando um deles pedisse a palavra, todos se retirariam para não escutar mentiras. Enfim, em nações mais honestas, tais pessoas não estariam mais na política há muito tempo, jamais se reelegeriam.

O futuro será apenas uma triste repetição de um passado que vem desde a colonização. Não há mudanças à vista.

Nas próximas eleições, temo, veremos esses mesmos personagens se reelegerem, sem renovação, sem que as pessoas tenham a quem escolher, mesmo porque para adentrar na política profissional e partidária, tem que se vender a alma, entrar na jogatina, aderir ao sistema. Não porque isso é obrigatório ou inevitável, mas porque as pessoas estão mais preocupadas em se eleger do que defender ideias ou ideais; querem o poder a qualquer preço, aliás, todos têm um preço (o que significa que não tem valor), e não querem pagar o preço de denunciar as jogatinas, que pode ser inclusive com a própria vida. Podem matar por suas ideais, mas ninguém quer morrer por elas.

Um povo que fica deprimido por ficar em oitavo lugar no futebol e não se preocupa em estar no octogésimo quinto lugar em termos educacionais não tem muito futuro mesmo.

Se há algo que nunca se aplicou nesse país foi na educação do seu povo, e enquanto não tomarmos alguma atitude com relação a isso, promovendo educação integral para todos, jamais deixará de ser subdesenvolvido culturalmente, ainda que possa crescer economicamente. Mas esse crescimento econômico será sempre apenas um voo de galinha, breve e curto, como tem sido até o momento.

Roberto de Barros Freire é professor na UFMT - e-mail: rdefreire@uol.com.br

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Hélio 24/05/2016

Análise superficial. Repete jargões do senso comum como se fossem novidades intelectuais. Culpa o povo pela bandidagem na política e esquece que nós, o povo, também elegemos muita gente honesta e sensata. Talvez o nobre professor, encastelado, não se sinta como povo. Sugiro ao professor ler "A tolice da inteligência brasileira", de Jessé Souza. Garanto que ele, se tiver propenso a aprender, sairá da leitura com um pouco mais de sensatez em sua análise sobre o Brasil.

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Suzethe Almeida 23/05/2016

Ai ai ai não bastava só aquele professor Roberto Baventura a destilar seu ódio e destempero contra os incultos, agora apareceu mais um, será que está faltando o que fazer? Vão trabalhar, ajudar a mudar essa realidade, porque não ministra aula grátis para pessoas analfabetas das periferias? Isso sim é prestar um bom serviço para ajudar diminuir o número de imbecis, otários.... a que você se refere.

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Maria Eduarda de Campos Luz 23/05/2016

Pois é, o que esperar de um Brasil em que um professor universitário apresenta uma análise a mais desonesta possível, sim, desonesta, porque você é nitidamente uma pessoa branca, de classe média, culta, portanto, fala a partir da sua zona de conforto, demonstra descompromisso com a vida do outro, pois não considerar que somos fruto da construção social de um país fruto de uma colonização de pessoas que não se importou com a liberdade cultural de seu povo, tem que ser desonesta. Você é um daqueles professores tidos como "anarquistas"... blá, blá blá... eu duvido que você abra mão de seu vinho, de sua comida macrobiótica, de suas viagens mesmo que produzido por industrias em que há trabalho escravo, por exemplo, qual a sua contribuição para um país mais justo e decente???? Eu tenho nojo de pessoas como você que se coloca acima de outras pessoas a ponto de tecer duras críticas, só porque é um professor universitário??? Como você usa as diárias que recebe pelos inúmeros projetos de pesquisa que realiza, você por acaso tem a decência de devolver, socializar o seu estudo para a população pesquisada? Menos, professor!!! De vez em quando calçar a sandália da humildade não faz mal a ninguém.

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Pereira 23/05/2016

Esta é realmente a grande verdade. Parabéns professor

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Antonio Marcos 23/05/2016

Professor, um povo desse só merece uma coisa(ou duas): Pão e circo! Um país em que o político ladrão é ovacionado e carregado nos braços, enquanto os professores são espancados e mortos, por esse político e, também, por pais e alunos... o que esperar?

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5 comentários

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