
Ao longo destes 293 anos, Cuiabá tem muita história pra contar. O nome se origina de “Ikuiapá” e significa “flecha-arpão”. A Capital foi explorada por bandeirantes que desbravaram o cerrado em busca de ouro. A notícia da descoberta atraiu povoados de todo o país e contribuiu para a formação de um pequeno arraial hoje localizado na avenida tenente-coronel Duarte, conhecida como Prainha. Conhecida por sua religiosidade, fé e tradição, ela foi fundada pelo bandeirante Antônio Pires de Campos, às margens do rio Coxipó, em 8 de abril de 1719. A ata de fundação foi assinada por Pascal Moreira Cabral e a povoação naquela época estava subordinada à capitania de São Paulo.
Em 1748, com a expansão do povoado, a região de Mato Grosso se tornou também uma capitania e tinha como sede a Vila Bela da Santíssima Trindade. Cuiabá, que na época era classificada como vila, foi elevada à categoria de cidade em 17 de setembro de 1818, por meio de carta assinada por Dom João 6º. Se tornou Capital da então província de Mato Grosso, que se transformaria em Estado, apenas com a proclamação da República, em 1889.
O desenvolvimento envolvendo a infraestrutura da cidade só chegou com o fim da Guerra do Paraguai, em 1870. Com a política integração nacional do governo federal e o programa "marcha para o Oeste", Cuiabá ganhou a sua primeira avenida, a Getúlio Vargas, além de novos edifícios e rodovias. De acordo com o historiador Moisés Martins, a rua 13 de Junho é a mais antiga. “As ruas Pedro Celestino e 15 de Novembro também fazem parte da história, sendo as primeiras a serem fundadas”, garante.
Os casarões como o Museu de Som e Imagem (MISC), museu do Rio e da Caixa d' Água Velha são os mais antigos e retratam até hoje uma época em que o ouro jorrava em abundância nas lavras. As construções nos remetem a um passado que ainda é presente nas várias casas antigas encontradas pela cidade. O museu do Rio é um exemplo. De acordo com o historiador, foi construído em 1889 e era o mercado onde os peixes chegavam para serem comercializados. “Estas construções resistiram ao tempo e a fúria do homem. Também há um casarão que era de um coronel, no Bico Alto, mas está totalmente depredado”, lamenta Moisés.
E as igrejas do Rosário e São Benedito também são relíquias que mantém o espírito religioso. Para Martins, elas são o espelho que retratam a fé do povo cuiabano. “A cultura regional é estribada na religiosidade coletiva. É uma das poucas Capitais que mantém o hábito de ter altares com os santos de devoção em casa”, explica. As maiores celebrações religiosas são as festas do Divino e de São Benedito. De maio a junho, os devotos saem às ruas com bandeiras e bandas de música, recolhendo donativos e abençoando as casas que os recebem com devoção e alegria.
A festa de São Benedito, por sua vez, acontece em junho, logo após os festejos do Divino. A de Santo Antônio no dia 13, São João no dia 24 e São Pedro no dia 29. Estas comemorações enchem a cidade de alegria com queima de fogos e fogueiras. Durante os festejos, a cultura popular, com o passar dos anos, acabou incorporando a presença de elementos dos estilos regionais como o cururú, o siriri e o rasqueado. Estas manifestações poderiam ter sido extintas, mas se perduram com o passar dos anos graças à dedicação das novas gerações, que passam adiante os versos, passos e sequências desta tradição tão bonita e amada.






