A assessoria do médico Euller Gustavo Preza, responsável pela cirurgia plástica que terminou com a morte de Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, em Cuiabá, acusou a imprensa de tentar construir uma imagem negativa do profissional ao divulgar informações sobre processos judiciais envolvendo seu nome. Em nota divulgada nesta segunda-feira (19), a defesa criticou a repercussão do caso e afirmou que as ações cíveis mencionadas em reportagens não têm relação com o óbito, registrado na última sexta-feira (16).
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No comunicado, a defesa também critica a divulgação de informações sobre a saúde de antigas pacientes
Segundo a assessoria, as publicações feitas desde sábado (17) deixaram de se concentrar na morte da paciente e passaram a investigar o histórico judicial do médico, sem apresentar, na avaliação da defesa, a totalidade das informações sobre sua trajetória profissional.
"Passaram a garimpar a vida processual do médico, com o intuito claro de construir, a qualquer custo, uma imagem negativa do profissional, o que não corresponde à totalidade dos registros judiciais e nem permite, por si só, avaliar sua trajetória profissional", diz trecho da nota.
A defesa argumenta que Euller possui mais de 20 anos de atuação na medicina, período em que teria realizado milhares de procedimentos e respondido a um número reduzido de ações cíveis.
A assessoria também ressalta que os processos divulgados dizem respeito a procedimentos realizados em outros períodos e não podem ser utilizados para atribuir responsabilidade ao médico pela morte de Lourdes, cuja causa ainda está sob investigação.
"[...] tratam-se de procedimentos e períodos distintos. Utilizar esses registros para sugerir responsabilidade pelo ocorrido, cuja causa ainda está sob perícia, representa um julgamento antecipado e desconsidera a necessidade de apuração técnica dos fatos", sustenta.
No comunicado, a defesa também critica a divulgação de informações sobre a saúde de antigas pacientes. Segundo a assessoria, os dados são protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e sua publicação deve respeitar os limites previstos na legislação.
O médico reafirma, ainda, que segue os protocolos de segurança cirúrgica e trabalha com profissionais qualificados. A assessoria argumenta que o exercício da medicina envolve riscos e que cada procedimento está sujeito às condições clínicas e ao histórico individual dos pacientes.
O caso
Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha morreu na sexta-feira (16), durante procedimentos de lipoaspiração e colocação de próteses mamárias no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. Conforme divulgado pelo
, a jovem teria sofrido uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Em um primeiro posicionamento, a assessoria jurídica de Euller informou que a equipe médica identificou uma intercorrência súbita durante a cirurgia e interrompeu imediatamente o procedimento. Segundo a defesa, foram realizadas manobras de reanimação por aproximadamente duas horas, sem sucesso.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte. O procedimento tramita sob sigilo e, conforme destacou o próprio conselho, sua abertura não representa uma condenação antecipada do profissional.
O advogado Alex Cardoso, responsável pela defesa de Euller, já havia se manifestado publicamente sobre o caso, afirmando que o médico possui uma longa trajetória profissional e nunca havia perdido um paciente. Ele também defendeu que qualquer conclusão sobre eventual erro médico depende de perícia técnica e da apuração dos fatos.
A morte de Lourdes provocou comoção entre familiares e amigos. A mãe da jovem, Jatir Ramos, que mora em Portugal, retornou ao Brasil para acompanhar a despedida da filha. O marido, Juan Pablo Padilha, também prestou uma homenagem nas redes sociais e relatou que a realização da cirurgia era um sonho da esposa.
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