Ana Lacerda

Ainda é preciso vacinar os rebanhos de MT?

Por 13/05/2020, 06h:56 - Atualizado: 13/05/2020, 07h:04

Dayanne Dallicani

Colunista Ana Lacerda

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Secretaria de Defesa Agropecuária e o Departamento de Saúde Animal instituíram o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa – PNEFA. O objetivo do plano é “criar e manter condições sustentáveis para garantir o status de país livre da febre aftosa e ampliar as zonas livres de febre aftosa sem vacinação, protegendo o patrimônio pecuário nacional e gerando o máximo de benefícios aos atores envolvidos e à sociedade brasileira”. Veja aqui.

Neste mês de maio, alguns municípios mato-grossenses começam a integrar o plano: Colniza, Comodoro, Juína e Aripuanã. O Programa Nacional deve ser implantado gradativamente no prazo de 10 anos (de 2017 a 2026) e os impactos disso ao produtor são muito relevantes.

Sob esse viés, é de suma importância que o criador de gado em Mato Grosso esteja ciente dos riscos e vantagens desse processo, tanto para poder se proteger, quanto para não perder as oportunidades de competir igualmente no novo mercado que se delineia com essa mudança

Sob esse viés, é de suma importância que o criador de gado em Mato Grosso esteja ciente dos riscos e vantagens desse processo, tanto para poder se proteger, quanto para não perder as oportunidades de competir igualmente no novo mercado que se delineia com essa mudança.

Um exemplo evidente da alteração do mercado é a possibilidade de abertura de comércios internacionais, como Japão, Estados Unidos, Coréia do Sul e Tailândia, países que consideram questões sanitárias para estabelecer o preço da carne que importam.

Há que ser levado em conta também o preço da vacinação dos rebanhos. O custo médio por cabeça é de R$ 1,24 segundo dados amplamente divulgados, mas pode variar em até 60% dependendo da região.  No ano de 2019, o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea) estimou que foram gastos 60,23 milhões de reais somente com a vacinação.

Em relação ainda à economia, a nota técnica 30/2017 da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que trata das reações adversas à vacina contra febre aftosa na pecuária de corte nacional, mostrou a perda de até 2kg por carcaça, devido aos abcessos resultantes da aplicação da vacina. Em grande quantidade, tem-se um prejuízo significativo.

Como medida de prevenção, as regiões livres de aftosa com vacinação não poderão enviar animais em pé com destinação de cria, recria, engorda, reprodução, leilão e quarentena para a zona livre aftosa sem vacinação. Esse cuidado acarretaria uma perda grande de valores tanto ao produtor, que teria o mercado limitado, quanto ao estado, no que concerne à arrecadação.

Vale destacar que a febre aftosa é uma doença viral altamente infeciosa, que acomete animais de casco bipartido, como bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e suínos e no caso de se tornar zona livre de vacinação, Mato Grosso deverá estar atento ao surgimento de novos casos e adotar estratégias como interdição do trânsito animal ou até mesmo sacrifício sanitário para não contaminar demais rebanhos.

As ações previstas no Plano Estratégico denotam esse cuidado para evitar a contaminação; elas foram categorizadas em 16 operações, subdivididas em quatro componentes: a. ampliação das capacidades dos serviços veterinários; b. fortalecimento do sistema de vigilância em saúde animal; c. interação com as partes interessadas no programa de prevenção da febre aftosa; e d. realização da transição de livre com vacinação para zona livre sem vacinação em todo o país.

 Os estados foram agrupados em quatro blocos. Mato Grosso integra os blocos I e IV e deve realizar a última leva de vacinação em maio de 2021, quando devidamente cumpridas as etapas de avaliação e documentação do cenário específico.

Em que pese a importância de se tornar uma zona livre de aftosa sem vacinação, Mato Grosso encontra-se atrasado no cumprimento do calendário estabelecido no plano. Nessa esfera, o Indea está em franco movimento com o Ministério da Agricultura e os setores do agro para fundamentar, ante ao setor público, a importância da implantação dessas medidas, a fim de que não se perca espaço e valores no mercado correspondente.

Toda essa movimentação deve resultar na criação de sistemas para fiscalização, novas leis, procedimentos de vigilância e controle e muitos outros desdobramentos. O produtor precisa estar atento a essas mudanças e nas respectivas consequências e oportunidades geradas por elas. Para isso, pode continuar contando conosco!

Ana Lacerda é advogada do escritório Advocacia Lacerda e escreve exclusivamente nesta coluna às quartas-feiras. E-mail: analacerda@advocacialacerda.com. Site: www.advocacialacerda.com

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