Ana Lacerda

E o seu time? Ops, sua opinião?

Por 04/09/2019, 07h:00 - Atualizado: 04/09/2019, 07h:06

Dayanne Dallicani

Colunista Ana Lacerda

Em entrevista concedida ao programa Central Globo News, no dia 03 de julho do corrente ano, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que o Fundo Amazônia é formado por três frentes: Governo Federal; Governos Estaduais e ONGs (Organizações não governamentais), e informou também que as ONGs são beneficiárias de metade dos recursos provenientes desse Fundo, chegando a receber 800 milhões de reais, gerando conflitos de interesses.

Não é de hoje que as questões sobre as ONGs precisam de atenção. Não parece nada absurda a ideia de que o terceiro setor, como todos os demais que se utilizam de dinheiro e trabalham com projetos diretamente relacionados ao interesse da coletividade, sejam submetidos a controle

O ministro explicou, ainda, que há, sim, muitas ONGs que prestam um excelente trabalho, entretanto, há um grupo que busca emplacar projetos para obter recursos para pagar os próprios funcionários, destoando do objetivo de cuidar das questões às quais as ONGs deveriam se dedicar.

Não é de hoje que as questões sobre as ONGs precisam de atenção. Não parece nada absurda a ideia de que o terceiro setor, como todos os demais que se utilizam de dinheiro e trabalham com projetos diretamente relacionados ao interesse da coletividade, sejam submetidos a controle pelo Tribunal de Contas da União e dos Estados dentro de suas competências, e tenham práticas que denotem transparência.

De outro norte, o ministro informou também que o desmatamento no Brasil aumentou de 2012 até a contemporaneidade, fato que indica que a maneira de gestão adotada até então é ineficiente. Nesse sentido, alegou pretender melhorar e evoluir as “diretrizes” para que o Fundo Amazônia seja usado em consonância com o que o Governo também prevê.

Mesmo com o desmatamento aumentando, o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou em sua página um estudo da NASA, demonstrando que o Brasil protege e preserva a vegetação nativa em mais de 66% de seu território e cultiva apenas 7,6% das terras. A Dinamarca cultiva 76,8%, dez vezes mais que o Brasil; a Irlanda, 74,7%; os Países Baixos, 66,2%; o Reino Unido 63,9%; a Alemanha 56,9%. O que evidencia que esses países não têm cuidado nem de seus próprios territórios e almejam gerir o nosso.

Em relação aos conflitos fundiários, o ministro afirmou que o Fundo deve ser usado para garantir segurança jurídica aos envolvidos, realizar estudos de documentos, fazer diligências, custeando o processo para que ele seja de qualidade, em vez de se destinar apenas às indenizações. Ademais, estabelece estreita ligação entre a regularização fundiária com as questões de preservação do meio ambiente, relacionando os conflitos a numerosas irregularidades como o desmatamento ilegal e a venda não autorizada de madeira.

A íntima e fundamental relação do homem com a terra precisa ser garantida, segura e regular. Por numerosas vezes nos deparamos com a importância da atividade agrária e da dignidade que somente a regularidade das posses pode trazer.

É fato que os problemas ambientais estão intimamente atrelados à pobreza. É a falta de desenvolvimento humano que fundamenta o corte de lenha, recurso primitivo e rudimentar para a obtenção de energia não renovável e poluente. Da mesma maneira, as queimadas substituem as máquinas no preparo de terrenos, uma prática ultrapassada e perigosa, que permanece em vigência entre as populações menos abastadas.

O atraso no desenvolvimento também polui a água dos rios; a falta de saneamento tem transformado o curso dos rios em esgotos a céu aberto, atingindo toda a cadeia de flora e fauna próximas.

É preciso fazer o brasileiro ser dono de sua terra, é preciso dar condições para que ele progrida e que por meio do progresso, reconheça que é da terra bem cuidada que vem o sustento. A intervenção de outros países não sanou problemas como a fome, a desigualdade, a falta de acesso à educação do nosso povo. Urge a necessidade de promover a formação das gerações.

Não se trata de uma torcida de times de futebol opostos, em que está tudo bem fazer barulho para abafar a torcida oposta. Em tempos como os hodiernos, é preciso estar cada vez mais informado, fundamentar as opiniões nos fatos e buscar fontes confiáveis

O diálogo consciente, com valores universais deve sustentar as discussões. A qualidade do bom debate é apreciada desde os tempos gregos antes de Cristo. Mais de 2000 anos depois, ainda não parecemos lançar mão da boa comunicação para o nosso próprio desenvolvimento. Na situação da entrevista descrita, passa-se longe de chegar a um entendimento em comum, uma possível solução.

Faz-se urgente que nós brasileiros defendamos e divulguemos aquilo que é nosso. Aqueles que querem nossas riquezas ou sentem-se prejudicados pelo nosso desenvolvimento não podem ser aqueles a tomarem as decisões.

Não se trata de uma torcida de times de futebol opostos, em que está tudo bem fazer barulho para abafar a torcida oposta. Em tempos como os hodiernos, é preciso estar cada vez mais informado, fundamentar as opiniões nos fatos e buscar fontes confiáveis. A essência da democracia é a participação comprometida da população, que deve exercer o seu direito de cidadania perenemente, não apenas no dia de eleger os representantes.

Afinal de contas, se tivéssemos mesmo a obrigação de escolher um time, deveríamos jogar todos para o bem do nosso país. Deveríamos ser a melhor e maior torcida e equipe já vista. Avante, Brasil!

Ana Lacerda é advogada do escritório Advocacia Lacerda e escreve exclusivamente nesta coluna às quartas-feiras. E-mail: analacerda@advocacialacerda.com. Site: www.advocacialacerda.com

Postar um novo comentário

Comentários (1)

  • CARLOS MANZANO | Quarta-Feira, 04 de Setembro de 2019, 09h04
    0
    0

    Muito bom Dr. Ana, mas como sugestão, na Amazonia Legal o proprietário pode sómente suprimir para utilização comercial 20% de sua área total, e 80% restante,é área de Preservação Permanente. Esses proprietários é que devem ser remunerados de alguma forma legal para que ele consiga obter a renda necessária para proteger as APP. Isso irá alavancar uma diminuição alta das supressões irregulares e retirada de madeira ilegal. Implementar e facilitar ainda mais a liberação de áreas de Manejo.

De fora da disputa em Rondonópolis

percival muniz 400   O pecuarista Percival Muniz (foto), hoje "mergulhado" nas duas fazendas na região do Xingu, adianta que não será candidato a prefeito de Rondonópolis, posto já ocupado por ele por três vezes. Mesmo com recall junto à população de bom gestor e popular, ele é...

Conselheira e o faturamento familiar

jaqueline jacobsen curtinha 400   Está repercutindo muito mal para a conselheira substituta do TCE-MT Jaqueline Jacobsen (foto) a notícia publicada pelo site O Livre, nesta sexta, de que a sua irmã, advogada Camila Jacobsen, em sociedade com Eveline Guerra, filha da conselheira, são sócias da "Jacobsen &...

Selma vê maior conforto no Podemos

selma curtinha 400   No grupo de WhatsApp "PSL Mulher MT", Selma Arruda (foto) escreveu um texto de despedida do partido. Disse estar chateada "com tudo isso", mas que não perdeu a fé e que o Governo Bolsonaro vai dar certo. Afirma sair do PSL com "coração partido" e que continua com os mesmos ideais no Podemos, onde...

Podemos esperando Selma se salvar

alvarodias_curtinhas   Na busca para ampliar a bancada do Podemos no Senado, o senador Alvaro Dias, derrotado à presidência no ano passado, só correu atrás de Selma, no sentido de convencê-la a se filiar no partido, depois que foi informado que ela tem chances reais de derrubar no TSE a cassação por...

Fávaro e esperança em assumir vaga

carlosfavaro_curtinha   O representante do escritório de MT em Brasília Carlos Fávaro (PSD) está convicto de que a senadora Selma não só será cassada de vez pelo TSE nos próximos meses, como a decisão da Corte lhe permitirá assumir a vaga enquanto não for eleito um novo...

Maturidade e nova visão sobre o TCE

janaina_riva_curtinha   No segundo mandato e sentindo-se mais madura politicamente, apesar de ainda bem jovem – completou 30 anos em 21 de janeiro – a deputada Janaína Riva revela que pensa diferente sobre a indicação de políticos ao cargo de conselheiro do TCE. Ao autorizar os colegas a derrubar a...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

Na sua opinião, como está indo o Governo Mauro Mendes?

excelente

bom

regular

ruim

péssimo

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.