Ana Lacerda

Vilões na agropecuária?

Por 26/02/2020, 08h:25 - Atualizado: 26/02/2020, 08h:34

Dayanne Dallicani

Colunista Ana Lacerda

Quem é de Mato Grosso volta e meia escuta dizer por aí que este estado é o celeiro do mundo, tendo em vista a grande capacidade produtiva local. De fato, Mato Grosso é grande agropecuarista.

Em contrapartida, não são raras discussões que pretendem posicionar o setor produtivo e pecuarista como vilão do cenário econômico e de arrecadação em geral.

Embora grande produtor, os volumosos números de resultados e produtos relacionados a Mato Grosso, são oriundos da junção dos trabalhos de pequenos produtores. É o que se pode observar em apuração recente realizada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia e Agropecuária – IMEA.

Em pesquisa realizada no final de 2019, o IMEA avaliou o número de produtores de soja por tamanho de área cultivada e o número de propriedades por faixa de cabeças bovinas. Os resultados demonstram que os grandes proprietários são minoria.

No que concerne à soja, commodity mais relevante do agronegócio mundial da qual o Brasil é o segundo maior produtor, por exemplo, os dados evidenciam que, em todo o território mato-grossense, apenas 47 produtores produzem soja em área maior que 10.001 hectares, enquanto expressivos 4.512 produtores, produzem soja em área menor ou igual a 500 hectares.

É preciso lembrar que o produtor de soja ganha com o volume da produção, uma vez que o mercado é baseado em valores determinados pela Bolsa de Chicago. Também chamada de CBOT, a instituição considera os estoques globais e a perspectiva de oferta sobre a demanda para então apontar quanto vai custar uma saca no mercado.

Ou seja, o produtor fica impedido de estipular o preço de seu produto considerando as intempéries climáticas, pragas e despesas inesperadas. Além disso, não se deve esquecer que a bolsa regula um valor base, e dele serão descontados os tributos e outras despesas.

A significante marca de 86.471 propriedades têm apenas entre 1 e 250 cabeças de gado

Ana Lacerda

Esses fatores revelam que muito distante de serem vilões na economia de Mato Grosso, os produtores, especialmente os pequenos e os médios, são reféns de uma dinâmica bastante rígida, que acaba por barrar a margem de lucros, isso quando há lucros. Muita gente trabalha apenas para manter o giro da atividade, empurrando dívidas e se equilibrando entre complexas negociações.

Quanto ao tamanho do rebanho, há ainda mais o que se ponderar. A significante marca de 86.471 propriedades têm apenas entre 1 e 250 cabeças de gado. Somente 1,18% das propriedades possuem rebanho acima de 3.000  cabeças.

Assim, é preciso estar atento para o fato de que a robustez do setor não significa que sejam todos barões, muito pelo contrário, é possível contar nos dedos quem são os grandes. Os números expressivos são resultado de muito esforço – de muita gente junta!

As sobretaxas são abusivas e cruéis, causam prejuízo a toda cadeia produtiva, empresarial e de comércio em geral. É preciso dar mais valor ao produtor e ao pecuarista mato-grossense e compreender que lotá-los de ainda mais taxas e impostos apenas míngua a economia estadual como um todo e atinge uma série de famílias que trabalham arduamente por uma realidade melhor.

Ana Lacerda é advogada do escritório Advocacia Lacerda e escreve exclusivamente nesta coluna às quartas-feiras. E-mail: analacerda@advocacialacerda.com. Site: www.advocacialacerda.com

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