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Bruna Ghetti Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026, 05:00 - A | A

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Bruna Ghetti 

Saúde hormonal em equilíbrio, longevidade preservada

Bruna Ghetti

Annie Souza/Rdnews

 Bruna Ghetti - articulista do dia arte interna

 

Muitas mulheres chegam ao meu consultório dizendo que já não se reconhecem. Dormem mal, acordam cansadas, perderam a disposição, ganharam peso, estão mais irritadas e sentem que a memória não funciona como antes. Algumas também enfrentam ondas de calor, queda da libido, ressecamento vaginal e dor durante a relação.

O mais difícil é que nem sempre essas mudanças aparecem juntas. Há dias melhores e outros muito ruins. O corpo parece funcionar como uma montanha-russa, e a mulher passa a duvidar até daquilo que está sentindo.

Muitas acreditam que precisam suportar tudo em silêncio porque “faz parte da idade”. Não é assim. A menopausa é uma etapa natural da vida, mas o sofrimento não deve ser tratado como inevitável.

Antes mesmo da última menstruação, o organismo pode passar por anos de oscilações hormonais. É a chamada perimenopausa. Nesse período, o ciclo pode ficar irregular e surgem mudanças no sono, no humor, na energia, na concentração, no desejo sexual e na composição corporal. A mulher sente que alguma coisa mudou, mas nem sempre consegue identificar a causa.

A menopausa exige cuidado contínuo porque os hormônios participam de muito mais do que o ciclo menstrual. A redução do estrogênio pode repercutir nos ossos, nos músculos, no coração, no cérebro, na pele, no trato urinário e na saúde íntima. Por isso, não devemos esperar que os sintomas se tornem insuportáveis para procurar ajuda.

A menopausa exige cuidado contínuo porque os hormônios participam de muito mais do que o ciclo menstrual. A redução do estrogênio pode repercutir nos ossos, nos músculos, no coração, no cérebro, na pele, no trato urinário e na saúde íntima

ambém não basta solicitar exames e olhar apenas para os resultados. Um número isolado não explica tudo o que aquela mulher está vivendo. Precisamos conhecer sua rotina, a qualidade do sono, a alimentação, a prática de exercícios, o histórico familiar, a saúde emocional, a sexualidade e os riscos cardiovasculares, metabólicos e oncológicos.

O cansaço, por exemplo, pode ter relação com a oscilação hormonal, mas também pode estar ligado a alterações na tireoide, deficiência de nutrientes, perda de massa muscular, ansiedade ou noites mal dormidas. Muitas vezes, há mais de uma causa. É justamente por isso que o cuidado precisa ser integrativo e individualizado.

Quando existe indicação, a terapia hormonal pode ajudar no controle das ondas de calor, do suor noturno, das alterações do sono e de outros sintomas que comprometem a qualidade de vida. Ela também pode contribuir para a proteção dos ossos. Mas não existe uma prescrição que sirva para todas.

Cada mulher tem uma história. A idade, o momento em que os sintomas começaram, as doenças anteriores e os fatores de risco precisam ser considerados. A escolha do hormônio, da dose, da via de administração e do tempo de uso deve ser feita com critério e reavaliada durante o acompanhamento.

Nem todas as mulheres podem ou desejam usar hormônios. Isso não significa que ficarão sem tratamento. Existem alternativas não hormonais e mudanças de rotina que podem trazer resultados. Atividade física, especialmente os exercícios de força, alimentação adequada, sono de qualidade e controle do estresse são partes reais do cuidado, e não simples recomendações dadas ao final da consulta.

Também precisamos falar com naturalidade sobre a saúde íntima. Ressecamento vaginal, dor nas relações, perda de libido e escapes de urina não devem ser motivo de vergonha. São queixas frequentes e podem ser tratadas. Quando uma mulher volta a dormir bem, recupera sua energia e deixa de sentir dor, ela não melhora apenas um sintoma. Ela retoma partes da própria vida.

Para mim, longevidade não significa somente acrescentar anos ao calendário. Significa chegar a esses anos com autonomia, força, saúde mental, prazer, vínculos e liberdade para continuar fazendo aquilo que se ama.

A saúde hormonal e integrativa merece acompanhamento especializado porque nenhuma mulher deveria receber respostas prontas para uma fase tão particular. O objetivo não é lutar contra o tempo nem prometer que o corpo permanecerá igual. É compreender suas mudanças, acolher os sintomas e construir um cuidado seguro para que a mulher atravesse a menopausa sem deixar de ser quem é.

Bruna Ghetti é ginecologista, especialista em mulheres 40+, e escreve neste espaço quinzenalmente às quintas-feiras

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